Publicado 24/03/2020 - 20h35 - Atualizado 24/03/2020 - 20h35

Por Adriana Menezes

Gui Agustini era tenista

Mark Grochowski

Gui Agustini era tenista

Ele saiu das quadras de tênis campineiras para as séries norte-americanas e o cinema nacional. Depois de percorrer uma carreira internacional no tênis, o campineiro Guilherme Agustini de 31 anos saltou para a vida artística há dez anos e hoje interpreta o galã da comédia romântica nacional Solteira Quase Surtando, dirigida por Caco Souza, que estreou dia 12 de março. Na última terça-feira, o ator conversou com a Metrópole por telefone. Há uma semana ele retornou a Nova York (EUA), onde mora com sua mulher Christina Breza, após o lançamento do filme no Brasil e as visitas que fez à família e aos amigos em Campinas.
Na entrevista, Gui (nome artístico que adotou, pensando inclusive na facilidade de pronúncia na língua inglesa) falou sobre o impacto das mudanças na rotina de Nova York, desde o dia 15/03, em função da pandemia de Coronavírus.
“Tá uma loucura aqui. Justamente quando cheguei, no domingo, começou uma série de medidas. Está tudo parado e fechado: bares, restaurantes, lojas. Apenas supermercados ainda abertos. O clube de tênis onde costumo ainda jogar também fechou ontem (16/03). Eu estou sentindo o impacto agora. Hoje é meu primeiro diz de isolamento em casa, porque até ontem eu estava saindo”, descreve Gui, que recebeu comunicado do sindicato dos atores profissionais de Nova York com orientações para os próximos dias.
Para quem recalculou rotas ao longo de toda a sua vida, mudando de um país a outro mais de uma vez, depois despedindo-se do esporte para subir aos palcos e brilhar nas telinhas, os novos hábitos não assustam o campineiro.
O ator vive há cerca de dez anos nos Estados Unidos. Mudou-se para o país por causa de uma bolsa de estudos que conquistou como tenista, quando tinha cerca de 20 anos. Ele tinha acabado de descobrir sua paixão pelas artes cênicas na Venezuela, onde treinava com o preparador Harold Castillo. No entanto, honrou o compromisso da bolsa de estudos e mudou-se para a Carolina do Sul (EUA).
Campinas
Filho de mãe argentina e pai peruano, o ex-tenista nasceu em Campinas, onde viveu até os 18 anos. O pai cirurgião plástico veio à cidade para estudar. O casal gostou e resolveu ficar. “Eles sentiram que aqui havia mais oportunidade que no Peru.” Após cerca de cinco anos, tiveram Guilherme. Em sua infância e adolescência, Gui dedicou-se ao tênis. Aos seis anos, já praticava o esporte em academias como All Racquets Sports e João Soares Academia de Tênis. Durante dois anos integrou e treinou na equipe do João Soares, dos 12 aos 14. Aos 15 anos, Gui começou a treinar no Tênis Clube de Campinas junto com uma equipe argentina. “Foi um trabalho legal com esta equipe. Depois joguei em torneios nacionais e internacionais.”
Uma revolução
Em 2006, ele lembra, jogou em torneios de Verão na França. A partir de 2007, deixou de jogar em torneios juniores e passou a participar da categoria profissional. Neste ano, em uma gira de torneios internacionais, passou pela Venezuela e lá começou a treinar com Harold Castillo. “Ele revolucionou minha vida na questão do treinamento. Eu me dediquei a melhorar minha performance porque ele implementava um treinamento voltado pra isso. Acabei ficando na Venezuela por dois anos, em Caracas, me preparando para ir para os Estados Unidos, onde eu estudaria com bolsa. Este era o plano”.
Enquanto estava na Venezuela, devido à boa forma física que adquiriu com os treinos, Gui começou a modelar e fez muitas campanhas e trabalhos publicitários. Em uma delas, ele lembra que precisou fazer um comercial da rede SubWay.
“Foi uma experiência ruim. Eu nunca tinha atuado e passei por uma situação horrível. Para eu ser selecionado, me falaram para fazer aulas de atuação. Nos meus últimos quatro meses em Caracas eu comecei um curso e comecei a me apaixonar pela dinâmica, fui me aprofundando, procurei outra escola de teatro em Caracas mais reconhecida, e a primeira peça que eu li foi Shakespeare”, lembra Gui.
Quando se mudou para a Carolina do Sul, nos Estados Unidos, onde começou a cursar Business na universidade, Gui adicionou o teatro aos estudos com disciplinas complementares. “No mesmo semestre fiz minha primeira peça de teatro. Foi uma experiência muito interessante. Depois de um ano me mudei para Miami, onde eu iria apenas fazer um programa de verão, mas lá eu me envolvi mais com as aulas de teatro, me apaixonei pela cidade e a questão da língua (espanhol) também me fez ficar lá”, conta o ator, que também percebeu que havia um ambiente mais profissional. “Vi que era a oportunidade de fazer a mudança.”. Nesse momento, Gui deixou o tênis e abraçou a carreira artísticas. Teve apoio dos pais e tomou a decisão. Em 2011, ele já estava fazendo seus primeiros trabalhos como profissional. Sua experiência e estreia no cinema nacional, em Solteira Quase Surtando, ocorreu em 2016, quando fizeram as gravações. “Fiquei entre Campinas e Rio.”
Agora Gui esperar ampliar sua atuação no Brasil. Já tem um agente em São Paulo trabalhando nesse sentido. “Eu espero que essa fase de pandemia passe o mais rapidamente possível para retomarmos nossos trabalhos, quando espero poder trabalhar mais no cinema e na televisão brasileiros”, diz Gui, que também é cineasta e prepara agora seu primeiro longa-metragem, cujo roteiro é baseado no curta-metragem que ele fez com a esposa já premiado nos Estados Unidos. Ela produziu e ele dirigiu.
Em seu currículo, Gui Agustini tem cerca de cem comerciais, duas novelas da Telemundo, papéis de sucesso em séries da Nickelodeon e a criação de dez curtas-metragens, como o Roses are Blind, premiado em oito festivais. Gui foi indicado por Meire Fernandes, fundadora do LABRFF (Los Angeles Brazilian Film Festival) e produtora principal para o elenco de Solteira Quase Surtando, onde vive o espanhol Miguel.

Escrito por:

Adriana Menezes