Publicado 27/03/2020 - 11h21 - Atualizado 27/03/2020 - 11h26

Por France Press

Fotografia tirada no primeiro dia de março mostra Marouane Fellaini, do Shandong Luneng

AFP

Fotografia tirada no primeiro dia de março mostra Marouane Fellaini, do Shandong Luneng

Equipes assustadas pelo coronavírus, jogadores espalhados pelo mundo e que não podem viajar... Retomar o futebol após a suspensão completa do esporte causada pela pandemia do Covid-19 não está sendo fácil para os chineses.
O país onde surgiu em dezembro o coronavírus foi um dos primeiros a suspender seu campeonato de futebol, a Chinese Super League (CSL), desde janeiro, e agora é um dos primeiros a planejar sua retomada diante do aparente controle da pandemia.
Mas o reinício das atividades esportivas bate de frente com diversos problemas, um mau presságio para as grandes Ligas europeias, também paralisadas e que se perguntam como conseguir concluir suas temporadas.
A semana passada, e em seguida 18 de abril e agora 2 de maio, foram as datas cogitadas para retomar oficialmente a CSL. Isso antes de um brasileiro, o atacante Dorielton, que atua na segunda divisão chinesa, contrair o vírus, um caso importado de fora que fez a China temer pela volta da epidemia.
Para piorar a situação, no último domingo (22) o belga Marouane Fellaini, jogador do Shandong Luneng, se tornou o primeiro jogador da CSL a ser diagnosticado com Covid-19.
Estes recentes casos de contaminação de jogadores motivaram um novo adiamento do reinicio do campeonato, para final de maio ou início de junho, segundo a Soccer News. Mas poderia ser ainda mais tarde, diante das medidas adotadas pelo governo chinês, como o fechamento temporário das fronteiras e a redução drástica de voos internacionais.
O basquete, outro esporte popular na China, passa por situação parecida e sua temporada não poderá ser reiniciada em abril como planejado. Um duro golpe para o país, que quer mostrar ao mundo que é possível voltar à vida normal o o quanto antes.
- corrida de obstáculos -
Mas o vírus que circula ainda não é o único obstáculo para o reinicio do futebol.
Os chineses já voltaram aos treinos, mas muitos jogadores e técnicos estrangeiros seguem confinados em seus respectivos países.
E, a partir de sábado, os estrangeiros que dispõe de um visto ou de uma autorização para viver na China não poderão entrar no país por decreto do governo.
Várias estrelas da Super League, como os brasileiros Oscar, Hulk e Paulinho, se encontram envolvidos em uma corrida contra o relógio.
Embora os clubes mais ricos do país possam fretar voos, é provável que muita gente não possa voltar antes de sábado. E quem conseguir voltar terá que respeitar uma quarentena, o que atrasará ainda mais o retorno aos campos.
Outro problema: após inatividade tão longa, muitos jogadores estarão fora de forma, o que promete ainda mais dificuldades para um campeonato disputado em um calendário apertado.
Outros atletas se mostram cautelosos na hora de voltar à China, como Cédric Bakambu. Com contrato com o Beijing Guoan, atual vice-campeão chinês, o congolês corre o risco de perder o nascimento de seu segundo filho se decidir voltar para a China.
"Devo ir sem saber quando poderei voltar", lamentou o atacante de 28 anos ao diário esportivo francês L'Equipe, preocupado em não poder rever sua família por meses se regressar à China.

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