Publicado 27/03/2020 - 12h53 - Atualizado 27/03/2020 - 12h53

Por Estadão Conteudo

Martinho Lutero Galati à frente de coralistas: Maestro dedicou sua trajetória à música coral acreditando que por meio dela era possível estabelecer diálogos entre culturas

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Martinho Lutero Galati à frente de coralistas: Maestro dedicou sua trajetória à música coral acreditando que por meio dela era possível estabelecer diálogos entre culturas

Morreu na madrugada desta quinta-feira, dia 26, aos 67 anos, o maestro brasileiro Martinho Lutero Galati de Oliveira, uma das principais autoridades do País em música coral, criador da Rede Cultural Luther King e da Camerata Sé. Lutero estava internado em São Paulo e sofreu uma parada cardíaca.
Nas redes sociais, a família do maestro informou que ele seria cremado na tarde de ontem e pediu que homenagens sejam deixadas para um momento futuro em função dos cuidados com o novo coronavírus. "Sugerimos que todos permaneçam em casa e deixemos a tão necessária confraternização e homenagem para um futuro próximo dada a gravidade da crise pela qual passamos e aos riscos de contaminação", diz o texto publicado no Facebook pela Rede Luther King.
Martinho Lutero dedicou sua trajetória à música coral - acreditando que por meio dela era possível estabelecer diálogos entre culturas. O Coro Luther King foi criado em São Paulo em 1970 e recebeu prêmios como o da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), tendo se apresentado em países como a Itália, Portugal, França, Alemanha, Cuba, Angola e Tunísia. Sua meta é "colaborar para a construção do canto coral, formando e preparando milhares de pessoas para a vida musical, artística e cidadã, realizando música do passado e do presente, promovendo externamente o desenvolvimento, a difusão da literatura coral brasileira e a reflexão e o crescimento das pessoas".
Em 2020, a Rede Cultural Luther King completa 50 anos. Além do coro, faz parte do projeto a Camerata Sé, que vinha se apresentando na Catedral da Sé, em São Paulo, além de propor projetos originais, como a apresentação da ópera Treemonisha, de Scott Joplin, com os artistas da Ocupação Cultural Jeholu, que se dedica a pensar coletivamente a identidade negra e seu protagonismo a partir dos terreiros.
Lutero também desenvolvia trabalhos na Itália, onde criou o coro Cantosospeso e era professor no Instituto di Musicologia di Milano e na Libera Università di Lingue e Comunicazione. Nos anos 1980, trabalhou na África, onde criou a Associação Cultural Tchova Xita Duma, em Maputo, Moçambique. Era diretor do Forum Coral Mundial e do Forum Corale Europeo. Recebeu título de Cidadão Paulistano, concedido pela Câmara Municipal de São Paulo; e Cidadão Milanês, concedido pelo Comune di Milano (Itália). Possui também títulos honorários de Moçambique e do Estado do Vaticano. Foi diretor artístico do Coral Paulistano do Theatro Municipal de São Paulo de 2013 a 2016 e autor do livro Do gesto à gestão: um diálogo sobre maestros e liderança, em coautoria com a maestrina Rita Fucci-Amato e com prefácio do maestro Isaac Karabtchevsky. Foi ainda eleito presidente da Associação Brasileira de Regentes Corais para o mandato 2018/2020.

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