Publicado 24/03/2020 - 11h57 - Atualizado 24/03/2020 - 11h57

Por Da TV Press

Além de ator, Humberto Carrão é um exímio baterista

Jorge Rodrigues Jorge/Divulgação

Além de ator, Humberto Carrão é um exímio baterista

Tímido e sem qualquer sinal de estrelismo, Humberto Carrão evita grandes exposições, seja nas redes sociais ou em campanhas publicitárias. Aos 28 anos e com uma trajetória ascendente dentro da Globo, ele utiliza seu bom momento na emissora para garantir papéis que possam satisfazer suas aspirações artísticas e harmonizem com seus ideais de vida. É por isso que ele se empolga ao falar do Sandro de Amor de Mãe. “A novela trata de questões políticas e sociais urgentes. E o Sandro é um personagem que carrega a mensagem da mudança. É um sujeito que passou por situações muito difíceis e está conhecendo o amor agora. Esse é o principal agente transformador na vida das pessoas”, enaltece.
Natural do Rio de Janeiro, Humberto decidiu pela carreira artística bem cedo. Aos 10 anos, já estava nos estúdios de Bambuluá, infantil da Globo protagonizado por Angélica. Muitos testes depois, participou da temporada 2004 de Malhação e integrou o elenco da controversa Bang Bang. Depois de muitos personagens secundários, o momento de “virada” na trajetória de Carrão ocorreu após seu bom desempenho em Cheias de Charme, que abriu o caminho para outros trabalhos como Sangue Bom e A Lei do Amor. “Consegui construir um diálogo muito sadio com a televisão. Tenho feitos personagens incríveis e a direção da emissora respeita que preciso de um tempo entre um trabalho e outro”, valoriza o ator que, assim que terminar Amor de Mãe, volta a trabalhar no roteiro de seu primeiro longa, em que acumulará também a função de diretor. “Estou neste meio há muito tempo. É normal que eu tenha curiosidade sobre outras atividades também”, ressalta.
Humberto Carrão não se esquiva quando o assunto é política. Defensor de ideias a favor do social, o ator é facilmente visto em manifestações, como a em memória de Marielle Franco, vereadora carioca que foi misteriosamente executada, e a do #EleNão, movimento liderado por mulheres contra o fascismo. “O momento é de se posicionar. Ficar em cima do muro é uma forma de aceitar o que vier para a sua vida.”
A verdade é que, além de deixar claras suas posições, ele também se mostra através das escolhas de seus trabalhos e personagens. Foi assim ao viver o antagonista de Aquarius, longa de Kleber Mendonça Filho sobre especulação imobiliária, o mocinho de A Lei do Amor, que abordou favores ilícitos e interferência política nas eleições. E, por fim, a corrupção na saúde abordada na segunda temporada de Sob Pressão. “São assuntos que precisam ser retratados e debatidos. Trabalhar com esses temas me dá uma visão cada vez mais clara sobre o que quero como cidadão.”
Dentre tantas escolhas políticas, Humberto Carrão espera ansiosamente pela estreia de Marighella, longa que marca a estreia de Wagner Moura na direção e que conta a história do guerrilheiro baiano Carlos Marighella, papel de Seu Jorge. Entre idas e vindas por conta de problemas de distribuição, o filme tem estreia marcada para junho no Brasil. “O filme é incrível, já passou por festivais importantes e chegaria ao circuito nacional em novembro passado. Infelizmente, é o tipo de longa que o atual governo não quer que seja lançado, mas acho que agora vai!”, torce.
Na produção, Humberto vive o melhor amigo do protagonista, o também guerrilheiro Humberto. Filmado ao longo de 2017, o ator acredita que o filme é um ato de resistência e uma homenagem ao audiovisual brasileiro, que vem sofrendo sucessivos ataques do Governo Federal. “Existe uma tática de asfixia para que o cinema nacional ignore a realidade do país. São orçamentos cortados e editais cotados. O jeito é seguir em frente e produzir do jeito que puder”, analisa.

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