Publicado 27/03/2020 - 07h56 - Atualizado 27/03/2020 - 07h56

Por Maria Teresa Costa

De acordo com a Apas, os aumentos estão sendo praticados pelos fornecedores: o leite longa vida, constatou a entidade, teve 54% de aumento desde o início da pandemia

Cedoc/RAC

De acordo com a Apas, os aumentos estão sendo praticados pelos fornecedores: o leite longa vida, constatou a entidade, teve 54% de aumento desde o início da pandemia

Além de conviver com medidas restritivas de circulação, a pandemia de coronavírus está provocando mais um efeito adverso para a população: o aumento de preços de produtos em Campinas. De acordo com a Associação Paulista de Supermercados (Apas), os aumentos estão sendo praticados pelos fornecedores e repassados aos supermercados. O leite longa vida, constatou a entidade, teve 36,4% de aumento, o feijão 50,3% e ambos estão sem possibilidade de compra, enquanto o alho subiu 18%, a batata, 64,5%, o arroz 9,8%, molho de tomate 32,5%, limão 72,1%, e cebola 36%.
A Apas informou que os associados têm procurado negociar com seus fornecedores, mas, em alguns casos, precisam repassar seus custos. O Procon de Campinas recebeu 217 denúncias de majoração, especialmente de leite nos supermercados e álcool em gel no comércio. A diretora do órgão de defesa do consumidor, Yara Pupo, qualificou o número de denúncias como muito elevado e disse que o Procon está investigando.
Os fiscais, no entanto, estão enfrentando dificuldades para flagrar o abuso de preço porque quando chegam nos locais denunciados, os produtos já acabaram. Yara disse que, mesmo assim, estão pedindo aos comerciantes que enviem as notas de venda dos produtos de antes da crise e as atuais. O Procon vai analisar e, constado o abuso de preços, os comerciantes serão multados. Na semana passada, os fiscais flagraram venda irregular de álcool em gel em três estabelecimentos. O produto estava em embalagens fracionadas e sem informação de rotulagem. Essas empresas serão autuadas e poderão ser multadas em 200 Ufics a 3 milhões de Ufics.
Nos supermercados, a maior parte das denúncias é em relação ao leite. Há duas semanas, a dona de casa Maria Carmem da Silva disse que comprou leite por R$ 3,00 e no domingo o preço estava em R$ 5,00. “É um absurdo tão grande o que está acontecendo. Pessoas estão se aproveitando do nosso desespero para ter lucro”, disse. “Eu não comprei, mas teve muita gente, com filhos, que levou por desespero”, afirmou.
O presidente da APAS, Ronaldo dos Santos, disse que soluções estão sendo buscadas para ajudar os clientes, “Temos feito reuniões internas e convidando fornecedores para, juntos, tentarmos encontrar caminhos para regularizar o abastecimento e definir a melhor relação de preço”, disse.
A APAS informou que também está trabalhando em parceria com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e com a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça, para evitar práticas abusivas de aumentos injustificados de preços pelos fornecedores do setor. Em nota oficial, a Abras explicou sua posição sobre eventuais aumentos: “Ressaltamos que a Abras não compactua com a elevação injustificada de preços, principalmente, em período de fragilidade da população, que busca se proteger do Coronavírus (Covid-19) e evitar a propagação da doença no Brasil. Qualquer reclamação relacionada ao tema, a entidade nacional disponibiliza o e-mail: contato@abras.com.br.”
SAIBA MAIS
Denúncias sobre aumento abusivo de preços em supermercados podem ser feitas à Associação Brasileira de Supermercados (Abras) por meio do e-mail contato@abras.com.br

Escrito por:

Maria Teresa Costa