Publicado 25/03/2020 - 08h37 - Atualizado 25/03/2020 - 08h37

Por Alenita Ramirez

Nos cemitérios da Comunidade Santa Rita de Cássia funcionários trabalham com proteção especial

Wagner Souza/AAN

Nos cemitérios da Comunidade Santa Rita de Cássia funcionários trabalham com proteção especial

A propagação da Covid-19 e os riscos de contaminação levaram a Comunidade Santa Rita de Cássia, que administra os cemitérios particulares de Campinas — Aléias, Flamboyant e Acácias —, a reforçar as medidas de proteção. O tempo dos velórios foi reduzido e todos os funcionários trabalham paramentados com equipamentos de proteção individual (IPI). Os novos procedimentos chamaram a atenção de quem compareceu a velórios na manhã de ontem. Desde ontem, os velórios têm no máximo uma hora de duração. Na última sexta-feira, a orientação era para três horas. Apenas cinco pessoas podem estar presentes no local onde ocorre o velório. Para o sepultamento também foram impostas medidas, como o distanciamento dos parentes no momento do enterro, como forma de preservar a segurança dos trabalhadores. De acordo com a administração dos cemitérios, até o momento não houve velórios de casos suspeitos da doença.
De acordo com a Comunidade, há pelo menos cinco anos já é oferecido nos cemitérios o serviço de velório on-line, no qual familiares que estão distante podem acompanhar em tempo real o velório e o sepultamento. Este serviço está sendo reforçado neste período de restrições, devido à pandemia. "Seguimos a recomendação do Sincep (Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil) e estamos conversando bastante com as famílias e explicando os motivos dos velórios mais curtos. Evitamos aglomerações de pessoas e, também, no caso de um falecido contaminado, minimizamos a possibilidade de disseminação do vírus. Todos estão muito sensibilizados com a questão da pandemia e querendo colaborar e, portanto, não tivemos nenhum questionamento, de nenhuma família", disse o diretor da Comunidade Religiosa Santa Rita de Cássia, José de Vasconcelos Cunha.
Entre as medidas de emergência tomadas pelos cemitérios constam o fechamento para visitação, tanto dos particulares como os públicos, atendimento a distância para todos os serviços; velórios apenas para os familiares próximos fora dos grupos de risco (pessoas com mais de 60 anos, gestantes, portadores de doenças crônicas e/ou autoimunes, crianças); pessoas com sintomas relacionados à gripe, como tosse, ou sob qualquer suspeita de contaminação, não devem comparecer aos velórios, devendo permanecer em quarentena em seu domicílio; distanciamento de pelo menos dois metros entre todas as pessoas; urnas fechadas, conforme indicação do Ministério da Saúde e OMS, além de disponibilização de álcool em gel 70% para higienização das mãos em todas as dependências dos cemitérios. "A Comunidade reitera que disponibiliza o Velório On-line nos Cemitérios Aleias e Flamboyant, que permite a participação segura e confortável dos familiares e amigos. A senha é oferecida às famílias gratuitamente e o acesso é por meio do site", citou a diretoria.
A Serviços Técnicos Gerais (Setec) também publicou no Diário Oficial do Município (DOM) de ontem medidas para funcionamento e eventos ligados aos cemitérios públicos. A medida vale para os próximos 30 dias e restringe o tempo de velório a três horas e recomenda — sem citar quantidade — a participação de apenas família e amigos próximos, sem aglomerações. Boa parte dos serviços foi suspensa e parte dos servidores administrativos passam a trabalhar home-office.
Além disso, os prestadores de serviços terceirizados que trabalham nos cemitérios públicos não poderão acessar os locais durante o período de restrição. "É duplamente traumático essa situação. Já temos que lidar com a perda de um ente querido e agora com essa restrição devido à epidemia. É muito triste tudo isso", disse um homem que velou ontem a sogra, que faleceu em decorrência de complicações causadas pela diabetes.

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Alenita Ramirez