Publicado 15/03/2020 - 10h15 - Atualizado 15/03/2020 - 10h16

Por Adriana Menezes

Hospital das Clínicas da Unicamp, que é a unidade de referência na região, para atendimento de casos do coronavírus: luta contra notícias falsas

Wagner Souza/AAN

Hospital das Clínicas da Unicamp, que é a unidade de referência na região, para atendimento de casos do coronavírus: luta contra notícias falsas

Pesquisadores da Unicamp de diferentes áreas criaram uma hotline no Whatsapp para receber da população qualquer notícia que pareça falsa sobre o Coronavírus. O objetivo inicial é coletar o máximo possível de notícias falsas, para identificar a trajetória de difusão e monitorar a propagação.
Nesta primeira semana, o grupo já recebeu mais de 4 mil mensagens, em português e em inglês. O envio pode ser feito para o número +55 (19) 99327-8829 do Whatsapp.
De acordo com a professora Leda Gitahy, do Instituto de Geociências (IG) da Unicamp, a ideia é utilizar recursos da computação para investigar o funcionamento das notícias falsas, popularizadas como fakenews, mas que a pesquisadora prefere chamar de desinformação.
"Uma má informação, ou desinformação, é um perigo e causa danos à sociedade. No caso da saúde é ainda mais perigoso", diz Leda.
"Queremos combater o ataque à ciência com ciência, e fazer uma comunicação que chegue às pessoas, em vez de ficar brigando nas redes sociais, porque o objetivo é fazer com que as pessoas consigam distinguir o que é falso e o que é verdadeiro", afirma a pesquisadora.
A primeira medida para se proteger das notícias falsas, ela explica, é identificar a fonte (de onde elas vêm).
O grupo já recebeu uma grande quantidade de mensagens e, segundo Leda Gitahy, já é possível afirmar que há uma simultaneidade. Os pesquisadores também observaram que à medida que o número de casos de COVID-19 aumenta, também cresce o número de compartilhamento de boatos e curas milagrosas nas redes sociais, numa verdadeira avalanche de notícias falsas sobre a pandemia.
"Os boatos são simultâneos, correm por todos os lados ao mesmo tempo. Nós observamos que há um funcionamento em ondas. Mas, por enquanto, temos apenas hipóteses. Não sabemos os objetivos das mensagens falsas, se querem criar pânico ou outro motivo. Também já temos noção de que as redes de desinformação são internacionais, se utilizam do big data e de robôs, têm muito dinheiro e colocam pessoas para produzir pequenos vídeos e outras peças para o whatsapp", resume a pesquisadora.
"Podemos identificar a sincronização e a difusão, além de onde elas começaram a circular."
O grupo
Chamado de Grupo de Estudos da Desinformação em Redes Sociais (EDReS), o grupo é formado pela professora Leda Gitahy do Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT) do Instituto de Geociências (IG), o professor Leandro R. Tessler do Departamento de Física Aplicada do Instituto de Física GlebWataghin (IFGW), a doutoranda Dayane Machado do DPCTdo IG (que estuda a relação movimento antivacinas e o algoritmo do YouTube), o doutorando Rafael Geurgas do IFGW (que estuda as bolhas de desinformação terraplanistas com uso da teoria de grafos) e o doutor ÁtilaIamarino, divulgador da ciência criador do canal Nerdologia no Youtube.

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Adriana Menezes