Publicado 14/03/2020 - 10h37 - Atualizado 14/03/2020 - 10h41

Por Gilson Rei

Rodrigo Gonçalves, diretor técnico da Nitryx, em teleconferência com vários colaboradores: reunião de negócios sem sair da sala de operações

Matheus Pereira/AAN

Rodrigo Gonçalves, diretor técnico da Nitryx, em teleconferência com vários colaboradores: reunião de negócios sem sair da sala de operações

Para diminuir os riscos de transmissão do novo coronavírus, empresas de Campinas e região estão adotando como estratégia de negócios o trabalho remoto, via internet, feito de qualquer localidade ou por meio do sistema home office, dentro de residências. Além de ser uma tendência crescente no mercado, na indústria e nas relações interpessoais, os vídeos ao vivo, trocados entre computadores e telões, substituem os encontros diretos e evitam a possível transmissão do vírus em tempos de pandemia.
Outras empresas que já adotaram há alguns anos o trabalho remoto decidiram ampliar a comunicação via internet, principalmente para reuniões de equipe, palestras de aperfeiçoamento e cursos, evitando aglomerações e até reduzindo o tempo e os gastos com deslocamentos por meio de veículos terrestres e aviões. Muitos serviços ganham em agilidade e os custos com transporte e hospedagem praticamente são anulados.
Bruno Teixeira de Abreu, CEO da Sofist Intelligent Software Testing, disse que o trabalho remoto é muito vantajoso, principalmente para quem executa o trabalho, pois garante uma qualidade de vida melhor à pessoa e a empresa acaba colhendo mais eficiência. Há também mais agilidade nas soluções e redução de gastos, principalmente com transporte.
“Com o surgimento do coronavírus, a empresa decidiu pelo trabalho remoto para todos os 70 funcionários por duas semanas e, depois, vamos avaliar se vai continuar”, disse.
Os 70 funcionários da empresa de software de qualidade estão em diversas partes do País, incluindo a unidade de Campinas, no bairro Taquaral. “Uma das equipes está também nos Estados Unidos e o trabalho remoto é utilizado por quase todos os profissionais. Com esta questão da pandemia, decidimos ampliar o método para outras áreas também”, afirmou. “Há uma flexibilidade na aplicação do trabalho remoto, pois o objetivo é adaptar o serviço às melhores condições para os funcionários”, comentou.
O trabalho remoto passou a ser incentivado também pela multinacional chinesa BYD, instalada em Campinas, que atua com alta tecnologia para eficiência energética nas áreas de transporte e energia solar. Adalberto Maluf, diretor de marketing e sustentabilidade da BYD no Brasil, disse que o método de home office já é utilizado quase toda equipe administrativa e gerencial e que o surgimento da pandemia gerou uma intensificação desta modalidade de trabalho na empresa.
Nas demais áreas de produção da BYD, Maluf disse que a fábrica, desde sua implantação, já usa luvas, capas e demais equipamentos de segurança e higiene independentemente do coronavírus.
Planos de contingência
Com o surgimento da pandemia do coronavírus, a maioria das empresas definiu planos de contingência que restringem aos executivos e funcionários de diversos setores a realização de viagens e a participação em eventos, congressos, palestras e reuniões de negócios.
Para suprir estas restrições, algumas resolveram iniciar o “Plano B”, com o uso do sistema de home office, onde o funcionário realiza dentro de sua residência os serviços necessários, sem ter a necessidade se locomover até a sede da empresa. A medida evita o contato entre funcionários e outras pessoas e aglomerações existentes, por exemplo, no transporte, em restaurantes, shoppings, elevadores etc.
A comunicação remota, via internet, passou também a ser utilizada em reuniões para definir ações imediatas e até planejar serviços, sem que haja o deslocamento dos funcionários. Palestras, cursos e até orientações de rotina passaram a ser feitas via computador ou telões.
Método de home office é ampliado e vira exemplo
Em Campinas, a Nitryx — empresa de software e consultoria voltada principalmente à indústria de transportes e supply chain — adota o home office há dez anos, mas com a pandemia do coronavírus definiu uma ampliação desta cultura de negócios.
Rodrigo Gonçalves, diretor técnico da Nitryx Inteligência Artificial, afirmou que 20 funcionários da empresa realizam os serviços com o trabalho home office. Estão instalados em escritórios montados em suas residências em diversas partes do País e alguns até ficam no Exterior, incluindo Espanha, Islândia e Itália.
Gonçalves disse que, com a pandemia do coronavírus, a empresa ampliou, ainda mais, este método. “Com o trabalho remoto, a empresa desenvolve sistemas complexos para ferrovias, indústria de mineração, indústria de alimentos, varejo e cadeia de suprimentos em geral. Atua também em sistemas de suporte à tomada de decisão e na gerência de projeto, desenvolvimento de software, inovação e empreendedorismo”, afirmou. Além dos funcionários da empresa, os clientes já estão partindo para o sistema remoto. “Reuniões com clientes estão sendo também realizadas de forma remota. Um deles, do setor de logística, está implantado um método semelhante na empresa dele, tendo como inspiração as práticas da Nitryx”, afirmou.

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Gilson Rei