Publicado 14/03/2020 - 10h23 - Atualizado 14/03/2020 - 10h25

Por Henrique Hein

Marcelo Knobel, reitor da Unicamp: medidas restritivas foram adotadas

Wagner Souza/AAN

Marcelo Knobel, reitor da Unicamp: medidas restritivas foram adotadas

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) monitora 11 casos suspeitos do novo coronavírus (Covid-19) em sua rede interna de saúde. Desse total, seis são de pacientes atendidos no Hospital de Clínicas (HC) e cinco de pessoas ligadas à comunidade acadêmica — são dois alunos de graduação, dois de pós-graduação e mais um professor com suspeita de contaminação, atendidos no Centro de Saúde da Comunidade (Cecom). A informação foi divulgada ontem pela universidade, em entrevista coletiva realizada na Sala de Reuniões do Conselho Universitário (Consu).
Segundo a Unicamp, todos os pacientes estão em isolamento domiciliar e não chegaram a ser internados. Eles apresentam quadros leves e aguardam os resultados dos exames enviados ao Instituto Adolfo Lutz, que devem ficar prontos até o final do mês. Dos cinco casos investigados na comunidade acadêmica, o professor e dois dos quatro alunos que podem estar contaminados chegaram a participar do convívio em sala de aula. A universidade convocou os jornalistas ontem para esclarecer as razões pelas quais optou por interromper suas atividades presenciais em razão da pandemia do novo coronavírus (Covis-19).
Na quinta-feira, instituição suspendeu suas atividades presenciais até o dia 29 de março, deixando em funcionamento apenas os serviços essenciais das áreas de saúde, administrativa e de pesquisas. De acordo com o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, a medida não foi tomada por causa da descoberta dos casos suspeitos da doença dentro da universidade. “A decisão tem como principal objetivo contribuir com a saúde pública e evitar o alastramento rápido da doença, que vai acontecer em algum momento. (…) Se esse alastramento for muito rápido, vamos ter dificuldades no atendimento à população em decorrência da sobrecarga de pacientes”, afirmou.
Knobel disse ainda que a universidade está estudando uma forma de não prejudicar os alunos em decorrência do cancelamento de aulas. Entre as medidas analisadas, está a ideia de manter alguns conteúdos dos estudantes à distância. “Nós estamos trabalhando junto com as unidades de ensino para tentar realizar atividades à distância, utilizar novas ferramentas e tecnologias de informação. Mas, isso não é algo que se faz de um dia para o outro. Temos que realizar essas atividades e fazer com que elas comecem a funcionar”, destacou.
O reitor da Unicamp informou ainda que a universidade já deu início a alguns estudos com o objetivo de obter um maior entendimento da doença e, consequentemente, um teste rápido para o coronavírus. "A nossa principal função como universidade pública é essa: realizar pesquisas, buscar entendimentos e comunicar adequadamente a sociedade. Estamos buscando entender melhor a epidemiologia da doença e trabalhado em uma tecnologia capaz de fazer a detecção e a análise completa desse vírus”, revelou Knobel.
Plano de contingência
Atualmente, o HC da Unicamp conta com 40 leitos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) que podem ser utilizados para atendimento dos casos de coronavírus. A instituição, no entanto, informou ontem que se houver necessidade, outras áreas do hospital poderão ser convertidas em UTIs para atender eventuais casos de coronavírus. “O Hospital tem hoje uma reserva de mais de 40 respiradores que estão prontos para serem usados em uma eventual emergência. Se houver um problema com algum equipamento usado por um paciente, nós trocaremos ele imediatamente. Mesmo assim, fizemos a compra de mais respiradores”, comentou.
A Unicamp destacou ainda que está entrando com pedido de obtenção de verba junto ao Governo do Estado de São Paulo para ajudar na assistência de novos pacientes. Na última quinta-feira, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, liberou R$ 92 milhões ao Estado de São Paulo para o combate à propagação do coronavírus, após solicitação feita pelo governador João Doria. “Também estamos entrando com um pedido junto ao governador para que possamos usar parte dessa verba, porque vamos ter sobrecarga de pacientes”, comentou.
Serviços hospitalares mantêm atendimento
Os hospitais da Unicamp — de Clínicas, da Mulher (Caism) e Hemocentro — funcionarão normalmente, com todos os serviços de assistência à população. A única exceção é o Centro de Saúde da Comunidade (Cecom). A unidade manterá consultas ambulatoriais, inclusive o pronto atendimento e assistência odontológica, mas manterá atividades coletivas, como o Mexa-se, suspensas.
O calendário de matrículas referente à 7ª e 8ª chamadas da Unicamp também está mantido e a única mudança é que as matrículas deverão ser feitas de maneira eletrônica diretamente no site da Convest. Já a Divisão de Educação Infantil e Complementar (Dedic) atenderá apenas filhos de profissionais que atuam na área da saúde. Serviços terceirizados seguem normalmente.
Também estão mantidos o serviço de ônibus fretado e o restaurante universitário da Rua Sergio Buarque de Holanda. A realização das provas dos concursos públicos programados para amanhã está confirmada. A Divisão Geral de Recursos Humanos manterá o cronograma de férias, licenças e aposentadorias.

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Henrique Hein