Publicado 26/03/2020 - 22h25 - Atualizado 26/03/2020 - 22h25

Por AFP


Forçado pela pandemia do novo coronavírus a suspender comícios de reeleição, o presidente Donald Trump transformou os pronunciamentos diários na Casa Branca sobre a crise em discursos de campanha, enquanto seu principal adversário está em quarentena.

Em um país paralisado pelo medo do vírus devastador, o púlpito da sala de imprensa da Casa Branca é o local ideal para os telespectadores no horário nobre receberem as últimas informações do governo. Ou pelo menos essa é a ideia.

Mas o centro do palco está reservado para Trump e, com pouco mais de sete meses para o dia das eleições presidenciais, o vírus não é a única batalha na mente dos republicanos.

Especialistas como o renomado médico de doenças infecciosas Anthony Fauci se alinham atrás do presidente. Mas a estrela principal, no entanto, é o presidente.

Entre as 17H30 e as 18h00 em Washington, os pronunciamentos não são curtos, duram 90 minutos ou mais.

Seus conselheiros chegam primeiro, ficam silenciosamente em pé em torno de um espaço vazio no púlpito. Então, com a experiência de alguém com uma longa história na televisão, Trump entra.

Ele lê uma longa declaração em que atualiza o que seu governo está fazendo, para em seguida apresentar seus subordinados, a quem pede para cada um dizer algumas palavras.

"Alguma pergunta?" E o show começa.

Em seu estilo único, Trump fala de tudo, desde política externa a suas realizações pessoais, sobre a imprensa "desonesta" e suas próprias opiniões médicas não convencionais.

A atmosfera é instantaneamente reconhecível para quem já viu os comícios "Make America Great Again" ("Tornar a América grande novamente"), apenas sem aplausos.

No final, os jornalistas na sala, em número reduzido devido às restrições impostas pelo combate ao novo coronavírus, começam a ficar sem perguntas.

Mas Trump não pode ficar longe das câmeras.

"Comecei a gostar desta sala", afirmou o presidente.

Os pronunciamentos garantem uma grande audiência ao vivo, com mais de oito milhões de espectadores em média, às vezes ultrapassando os 12 milhões.

Como sempre, o show de Trump é um sucesso.

O mesmo não ocorre com o candidato democrata Joe Biden. O ex-vice-presidente de Barack Obama estava no auge apenas algumas semanas atrás, com vitórias impressionantes nas primárias democratas contra seu rival, Bernie Sanders.

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