Publicado 09/03/2020 - 20h35 - Atualizado 09/03/2020 - 20h35

Por AFP


A Bolsa de São Paulo recuou nesta segunda-feira mais de 12%, a maior perda desde 1998, com as ações da Petrobras mergulhando quase 30%, em meio à crise mundial provocada pelo novo coronavírus e a queda dos preços do petróleo.

O índice Ibovespa, que durante a manhã interrompeu o pregão após cair 10%, não conseguiu deter a tendência e fechou em baixa de 12,17%, a 86.067 pontos, ficando abaixo dos 90 mil pontos pela primeira vez desde maio de 2019.

Trata-se da maior queda percentual da principal Bolsa latino-americana desde 10 de setembro de 1998, quando recuou 15,83% devido à moratória da dívida russa.

As ações da Petrobras lideraram as perdas: os papéis preferenciais da estatal caíram 29,70% e as ações ordinárias, 29,68%.

O petróleo caiu nesta segunda-feira cerca de 25%, a perda mais severa desde a Guerra do Golfo, em 1991, após a decisão da Arábia Saudita de reduzir drasticamente seus preços devido ao fracasso, na semana passada, de suas negociações com a Rússia para sustentar as cotações.

A crise mundial provocada pela epidemia do novo coronavírus atinge com força os exportadores de matérias-primas. CSNA perdeu 25,29%, Gerdau, 17,76%, e Vale, 15,20%.

Mas a derrocada atingiu também o setor de varejo, com Via Varejo perdendo 17,95%, e as aéreas Gol e Azul, que recuaram mais de 17%.

O dólar continuou subindo em relação ao real, sendo cotado a R$ 4,80, antes de fechar a R$ 4,727.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que no governo "estamos absolutamente tranquilos e confiantes de que a democracia brasileira vai reagir transformando essa crise em avanço das reformas".

"É hora de termos uma atitude construtiva. Os três poderes, com serenidade, cada um resolver sua parte. Não está na hora de ninguém pedir privilégio, pedir aumento, pedir facilidade".

Já Henrique Esteter, da consultoria Guide Investimentos, avaliou que "o cenário vai permanecer bem volátil". "Está cada dia mais difícil de prever como o mercado vai se comportar, riscos de todos os lados, coronavírus está avançando no ocidente, já temos também notícias na área econômica no Brasil, estamos começando a ver mais impacto nas economias de ocidente...".

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