Publicado 03 de Fevereiro de 2020 - 16h24

Por Adriana Menezes

Garuda é um teste de força mental, bem como físico, exigindo total concentração durante os exercícios

Leandro Ferreira/AAN

Garuda é um teste de força mental, bem como físico, exigindo total concentração durante os exercícios

A técnica tem o nome de um pássaro da mitologia indiana, Garuda, que muda de forma à medida que muda a sua função. O poder simbólico da ave representa a atividade que reúne princípios do pilates, da ioga e da dança, criada pelo indiano James da Silva – filho de português – com a proposta de despertar os sentidos a partir dos movimentos conscientes. A bailarina campineira Hellen Audrey define Garuda como uma técnica de consciência corporal que tem efeitos terapêuticos, como uma meditação em movimento. Hellen é a única profissional especializada em Campinas que dá aulas do método indiano, ainda pouco conhecido mas já adotado por quem procura atividades físicas que promovam benefícios para além do corpo.

Quem pratica ioga ou pilates vai identificar muitos movimentos. Mas os elementos da dança imprimem fluidez à sequência dos movimentos – sempre conscientes - e dão mais liberdade ao corpo, que naturalmente se coloca de forma mais leve e sem tensão. “É uma técnica que trabalha espirais de força corporal, promovendo desintoxicação, flexibilização dos tecidos e organização do eixo do corpo, tudo isso através da respiração e do movimento”, diz Hellen, que introduziu ao método ainda maior atenção à respiração. “Reforcei a questão da respiração no conceito do eixo que é muito trabalhado na Garuda.”

Consciência corporal

Portanto, Garuda não é uma nova modalidade de dança e não tem fins artísticos. Mas quem gosta de dançar fica mais à vontade para encarar exercícios menos mecanizados, “porque os movimentos fazem sentido ao corpo”. Ao mesmo tempo que quem não se interessa por dança também vai ficar à vontade para se exercitar na prática que solta e até massageia o corpo, uma vez que também se inspira nos conhecimentos da massagem ayurvédica (que trabalha a circulação sanguínea, a respiração e a energia vital) e ainda em movimentos de tai chi chuan.

Indicada para pessoas de todas as idades - crianças, adolescentes, adultos e idosos -, a atividade é também recomendada para gestantes. “Porque vai promover equilíbrio no corpo como um todo, trabalhar a saúde das articulações e da musculatura”, detalha Hellen. “Como bailarina, não estou autorizada a tratar patologias. Mas ofereço consciência corporal e ferramentas para que a pessoa conheça seu corpo”, explica. Em casos de dores agudas ou situações inflamatórias, ela não está autorizada a trabalhar. Mas quando se trata de tensão ou desordem do corpo, diz a bailarina, a atividade pode beneficiar a pessoa.

A fisioterapeuta obstétrica Renata Olah acredita que a Garuda pode contribuir para desbloquear os movimentos. “Acho que o fato de gerar movimentos fluidos causa relaxamento. Gostei muito. Acho que posso levar para a prática profissional”, diz Renata, que conheceu a técnica há uma semana e já havia praticado antes ioga e pilates. “Essa vivência da coisa mais calma é um desafio pra mim. Traz consciência corporal através da respiração.”

Autoconhecimento

Praticantes de Garuda há dois anos, as gêmeas Lucymara de Toledo e Marilucy de Toledo, ambas auxiliares veterinárias, dizem que passaram a conhecer melhor o funcionamento do corpo. “Quando não venho à aula, parece que meu corpo vai desmontar. Garuda alinha o corpo, empilha as partes. É uma técnica que trabalha o físico e o psicológico. Você tem controle da respiração e aprende o movimento diafragmático, expande a respiração”, descreve Lucymara. “Para dormir é ótimo, porque você consegue relaxar o corpo. Também nos dá uma sensação de massageamento.”

Marilucy também se empolga com os benefícios. “Traz consciência corporal e muda a postura. É uma massagem. O importante não é o esforço, mas a delicadeza”, diz a auxiliar veterinária, que antes praticava pilates e hidroginástica. “Ioga é legal, mas é outra proposta. Garuda faz muita diferença na minha vida. Eu não me vejo sem.”

Criada há cerca de dez anos por James da Silva, a técnica Garuda foi trazida para o Brasil pela educadora física Juliana Dall’Antônia, que em 2012 certificou-se em Londres com o próprio James. No Brasil já é possível praticar em diversos estados, como Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo, mas aos poucos se espalha por todo o País. Todos os anos o estúdio paulistano TC Pilates - representante oficial do método Garuda na América Latina - forma novos profissionais.

Infinito Movimento

Graduada em Dança pela Unicamp em 2007, Hellen Audrey teve seu primeiro contato com Garuda ao assistir a um vídeo enviado por uma amiga. Na época, ela já dava aulas de dança e de pilates. “Mas eu sentia falta da fluidez no pilates e de algo que trouxesse consciência corporal. Então, quando vi Garuda, me apaixonei. Fazia muito sentido. Tinha embasamento técnico e tinha a dança.” Ao saber que James da Silva viria ao Brasil para ministrar curso na TC Pilates, foi fazer a formação em Garuda com o próprio criador do método e também com Juliana Dall’Antonia.

Ao introduzir nas suas aulas de Garuda outros elementos de sua trajetória como bailarina, Helen criou o que ela chama de Pedagogia Infinito Movimento Consciente, como uma “Garuda by Hellen”. O método Klauss Vianna (da atenção e escuta do corpo na construção de movimentos conscientes, sem desprezar aqueles que são inconscientes), por exemplo, foi uma das técnicas que ela acrescentou. “Eu vou revelando aos poucos aos alunos, para que eles entendam a respiração e organizem seus sonhos, O objetivo é despertar os sentidos, para que o movimento faça sentido, ou ele será mecânico e vazio.”

De acordo com Hellen, tanto os princípios de Klauss Vianna, que ela conheceu com a bailarina Jussara Miller, quanto os conceitos de Garuda trabalham o corpo de forma global e não mecanizada, de maneira mais generosa “para a pessoa ter mais intimidade com o corpo e com autonomia pra trabalhar a inteligência do corpo.”

Além da atividade em solo, Garuda também utiliza ferramentas como pequenos blocos (como tijolinhos), rolos e banquinhos. De acordo com Hellen, James desenvolveu a técnica do banquinho pensando na mãe, que era obesa. Isso quer dizer que não há restrições de peso, idade ou biotipo para praticar Garuda. Na técnica original, a prática é realizada sem música, mas Hellen gosta de colocar um fundo musical e uma iluminação especial. A maior parte de seus alunos, homens e mulheres, faz duas aulas semanais, mas quem quiser pode praticar diariamente.

SERVIÇO

Garuda em Campinas – com Hellen Audrey

[email protected]

hellenaudrey.com.br

Escrito por:

Adriana Menezes