Publicado 28/02/2020 - 07h35 - Atualizado 28/02/2020 - 07h35

Por Henrique Hein

O secretário de Saúde de Campinas, Carmino de Souza, anuncia os casos suspeitos e avisa que a população não precisa ficar com medo

Divulgação/PMC

O secretário de Saúde de Campinas, Carmino de Souza, anuncia os casos suspeitos e avisa que a população não precisa ficar com medo

Dos 85 casos suspeitos de coronavírus (Covid-19) em São Paulo, anunciados ontem pelo governo do Estado, cinco estão na Região Metropolitana de Campinas (RMC), sendo quatro em Campinas. Em coletiva realizada ontem à tarde, a Secretaria de Saúde de Campinas confirmou que quatro pacientes são investigados na cidade. A Prefeitura de Valinhos, por sua vez, comunicou que um rapaz, de 25 anos, que viajou para Israel e Itália e retornou ao Brasil há duas semanas, apresentou sintomas da doença e aguarda resultado do exame. Outros cinco pacientes da região — três em Vinhedo e dois em Valinhos — estão em isolamento domiciliar, porque tiveram contato com o primeiro infectado do País, um homem de 61 anos, morador da Capital. Como não manifestaram sintomas da doença, eles não foram incluídos na lista de casos suspeitos.
Em Campinas, a Secretaria de Saúde informou que os quatro pacientes suspeitos de terem coronavírus apresentaram sintomas como tosse, febre, coriza e estiveram nas regiões de risco nos últimos 14 dias. Três deles viajaram para a Itália, enquanto um fez um mochilão pela Europa. Todos estão sendo monitorados em suas casas e passam bem. No final de janeiro, Campinas teve um caso suspeito, que foi depois descartado.
Os casos foram identificados na quarta-feira, após os pacientes receberem atendimento médico. De acordo com a Pasta, dois deles — um de 27 e outro de 30 anos — foram atendidos em hospital público, enquanto os outros dois (24 e 56 anos) receberam atendimentos em unidade privada. Os exames deles já foram colhidos e encaminhados ao Instituto Adolfo Lutz, na capital paulista. A tendência de que o resultado oficial seja divulgado até o começo da semana que vem.
Nenhum dos campineiros desembarcou no Brasil por meio do Aeroporto Internacional de Viracopos, mas, sim, por São Paulo. A administração destacou ainda que segue um protocolo de segurança em Viracopos: os passageiros de regiões que estão em alerta para o coronavírus que apresentarem febre e sintomas leves, como tosse, serão levados ao Hospital Ouro Verde. Se na unidade, os médicos identificarem sintomas graves, eles são encaminhados ao Hospital das Clínicas (HC) da Unicamp. A medida é tomada apenas para passageiros oriundos da Alemanha, Austrália, Emirados Árabes, Filipinas, França, Irã, Itália, Malásia, Camboja, China, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Japão, Singapura, Tailândia e Vietnã.
O secretário de Saúde de Campinas, Carmino de Souza, disse que a população não precisa ficar com medo. Segundo ele, tudo está sob controle. “De ontem para hoje, tivemos um aumento importante, de 85 casos no Estado. E, em Campinas, agora temos quatro suspeitos e que estão em casa, sendo monitoradas por nós. A situação é tranquila", afirmou. “Nesse momento, estamos apenas intensificando aquilo que já estava previsto no nosso plano de contingência”, completou.
Carmino disse ainda a Administração vai disponibilizar produtos como sabonetes e álcool em gel no Paço Municipal e nas unidades públicas de saúde para que a população possa manter os hábitos de higiene em dia. “Nos vamos intensificar um pouco a prevenção”, disse.
Segundo a Diretora do Departamento de Vigilância em Saúde de Campinas, Andrea Von Zuben, é preciso que as pessoas tenham cautela na hora de avaliar se um caso pode ou não ser de coronavírus. “Caso suspeito de coronavírus tem que ter febre e mais um sintoma respiratório, como tosse ou espirro. Além disso, a pessoa tem que ter viajado ou tido contato com uma pessoa que viajou nos últimos 14 dias para um dos países com transmissão ativa da doença, como a Itália, por exemplo”, reforçou.
Unicamp
O Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi escolhido para fazer parte de uma relação de cinco hospitais de referência para atender eventuais casos graves de coronavírus nos municípios paulistas. Na quarta-feira, o Governo do Estado criou um centro de contingência para monitorar e coordenar ações contra a propagação da doença em São Paulo. A decisão ocorreu após a confirmação do primeiro caso no Brasil.
Além da Unicamp, o HC de Ribeirão Preto (USP), o Hospital de Base de São José do Rio Preto; o Instituto de Infectologia Emílio Ribas (na Capital) e Emílio Ribas II (no Guarujá) completam a lista dos centros selecionados pelo Estado. A escolha desses locais ocorre pela quantidade de leitos oferecidos. Juntos, os hospitais contam com cerca de quatro mil leitos, sendo mil de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
De acordo com o Poder Executivo, os hospitais privados também poderão integrar a rede, seguindo protocolos e até disponibilizando leitos, se houver necessidade. Em nota, o Governo do Estado, destacou ainda que Profissionais da Saúde vão reforçar os contatos com os serviços particulares para intensificar o alinhamento de estratégias e fluxos.
São Paulo detém a maioria das ocorrências do Brasil
A Secretaria de Estado da Saúde anunciou ontem 85 casos suspeitos do novo coronavírus (Covid-19). Do total, a maioria tem histórico de viagem à Itália (55); os demais passaram por Espanha (2), Singapura (1), Portugal (1), Alemanha (6), França (4) e China (2). Além desses, houve um que passou por diversos países da Ásia e outros 13 em fase de definição do país de provável infecção. Além dos sintomas respiratórios, os pacientes têm histórico de viagem ou contato com caso suspeito. Entre as 85 pessoas, 47 residem na Capital.
O primeiro caso de Covid-19 foi confirmado na terça-feira (25), num residente da Capital que esteve na Itália em fevereiro. Retornou ao Brasil em 21 de fevereiro e apresentou sintomas suspeitos, como tosse, coriza e febre, compatíveis com a suspeita da doença. Foi atendido no Hospital Israelita Albert Einstein, que fez o diagnóstico, confirmado com contraprova no Instituto Adolfo Lutz, laboratório de referência nacional para análise de amostras casos suspeitos, conforme definição do Ministério da Saúde. O homem está em isolamento domiciliar, estável. (Das agências)
País pode ter mais de 300 suspeitas
Após cerca de 24 horas da confirmação do primeiro caso de coronavírus no Brasil, o número de pessoas oficialmente tratadas como suspeitas de ter o vírus no País saltou para 132, segundo o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo. Na última sexta-feira, era apenas um caso.
O Ministério da Saúde recebeu as notificações dos estados até a tarde de ontem, mas não analisou todos, o que significa que o total de suspeitos deve ser bem maior. “Esse número não é definitivo. É muito maior que 132. Ficamos com 213 notificações ainda não analisadas. Elas podem ser todas consideradas suspeitas ou apenas uma parte, mas dá para a gente avaliar que, na verdade, temos perto de 300 casos suspeitos”, disse Gabbardo.
Segundo o secretário, esse aumento se explica em virtude do aumento do número de países com fluxo migratório intenso com o Brasil, e que têm pessoas com o vírus. Um exemplo é o primeiro caso confirmado no Brasil. O homem de 61 anos não esteve na China, que concentra a maioria dos casos no mundo, e sim na Itália. Após a confirmação desse caso, pessoas com histórico de viagem à Itália, à França e à Alemanha e que apresentem febre somada a um sintoma respiratório também são tratadas como suspeitas de ter o coronavírus.
Os critérios para a definição de um caso suspeito de coronavírus, disse o ministério, passaram a enquadrar as pessoas que apresentarem febre e mais um sintoma gripal, como tosse ou falta de ar, e tiveram passagem pela Alemanha, Austrália, Emirados Árabes, Filipinas, França, Irã, Itália, Malásia, Japão, Cingapura, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Tailândia, Vietnã e Camboja, além da China, nos últimos 14 dias. Três pessoas listadas como suspeitas não viajaram para esses países, mas tiveram contato com o paciente de São Paulo já confirmado para o coronavírus.
Sessenta casos suspeitos de coronavírus já foram descartados no País. Para evitar a proliferação do vírus, o Ministério da Saúde recomenda medidas básicas de higiene, como lavar as mãos com água e sabão, utilizar lenço descartável para higiene nasal, cobrir o nariz e a boca com um lenço de papel quando espirrar ou tossir e jogá-lo no lixo. Evitar tocar olhos, nariz e boca sem que as mãos estejam limpas.
Ontema, o presidente Jair Bolsonaro disse que pode ser que ele cancele a viagem que faria à Itália devido ao surto de coronavírus no país europeu. “Infelizmente, é mais uma realidade ruim que vai ter que ser enfrentada. Já estamos enfrentando, fazendo o possível”, disse o presidente. (Das agências)
Ministério antecipa campanha contra a gripe para março
O Ministério da Saúde irá antecipar a campanha de vacinação contra a gripe por causa do risco de surto de coronavírus, anunciou ontem o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em coletiva de imprensa realizada no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.
A campanha, inicialmente programada para começar no dia 13 de abril e ser realizada até meados de maio, deverá ter início já em 23 de março, segundo Mandetta.
Embora a gripe seja causada por um vírus diferente (influenza), o objetivo da antecipação é evitar aumento de doenças respiratórias e sobrecarga do sistema de saúde. O coronavírus continua rapidamente se espalhando pelo mundo e já foi detectado em pelo menos 44 países, fora da China, em todos os continentes, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Mas a cada momento novos países fazem anúncios de casos, ainda não contabilizados pela OMS. (Estadão Conteúdo)

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Henrique Hein