Publicado 14/02/2020 - 09h39 - Atualizado 14/02/2020 - 09h42

Por Alenita Ramirez

O empresário Márcio Pores da Silva, de 35 anos, sócio do Boteco Velho Casarão, após prestar depoimento

Wagner Souza/AAN

O empresário Márcio Pores da Silva, de 35 anos, sócio do Boteco Velho Casarão, após prestar depoimento

A Polícia Civil de Campinas ouviu na manhã de ontem o outro sócio do Boteco Velho Casarão, onde começou a confusão que culminou na morte do operador de telemarketing, Andrew Silva Jaroczinski, de 19 anos, no último domingo. Osmar Pores da Silva, de 37 anos, é apontado pela investigação como autor da facada que matou o jovem. O delegado que preside o inquérito, Hamilton Caviola Júnior, descarta legítima defesa. Já um do donos do Velho Casarão, Márcio Pores da Silva, de 35 anos, disse que Andrew o agrediu com um soco no rosto e reforçou que o jovem não estava envolvido no conflito inicial.
Márcio é irmão de Osmar indicado como quem deu a facada fatal no peito do operador de marketing e primo do outro sócio, identificado apenas por Maicon e que prestou depoimentos anteontem. Apesar de dizer que não concederia entrevistas para a imprensa quando deixava o 1º Distrito Policial (DP), onde ficou por cerca de 2h30, Márcio apenas afirmou que tinha sido agredido pelo jovem. O autor da facada é funcionário do bar e prometeu se apresentar à polícia na semana que vem.
Segundo Caviola Júnior, quatro pessoas – o pai, uma outra vítima que levou uma facada no rosto e os dois donod o Boteco Velho Casarão - foram ouvidas até ontem e que mais pessoas serão chamadas à delegacia na próxima semana. “Temos que identificar outras pessoas que aparecem brigando e que são peças chaves”, disse Caviola Júnior.
Os dois empresários, Márcio e Maicon, contaram em depoimento que a briga teria começado após um funcionário derrubar acidentalmente katchup na calça de um cliente que estava sentado na parte externa do estabelecimento. O cliente teria se irritado e reclamado com o garçom, quando então houve um tumulto entre os amigos do cliente e os funcionários, que chegaram a usar garrafas e outros objetos para se defenderem.
Pelas imagens, Andrew estaria com outro grupo, na Praça Bento Quirino, mas ao perceber a confusão se aproximou da aglomeração. “Tem uma cena que deixa dúvida. Ela mostra o Márcio conversando com o Andrew. Então houve o contato dos dois e o Márcio está com o nariz machucado. Vamos buscar outras câmeras para provar essa agressão. Mas essa agressão não justifica uma briga desta nem mesmo legítima defesa”, disse o delegado.
Segundo um dos advogados dos suspeitos, José Tavares, o autor teria agredido a vítima para defender o irmão. A agressão contra Andrew aconteceu a quatro quarteirões da Praça Bento Quirino. “Não é legítima defesa. Havia umas dez pessoas correndo atrás da vítima e ela estava caída, no chão, quando foi atacada”, falou Caviola Júnior.
De acordo com o delegado, o crime já foi esclarecido e que por enquanto não há a intenção de pedir a prisão preventiva do suspeito, identificado apenas por Osmar. “Vamos individualizar a conduta de cada um. O Osmar será ouvido por último, pois vamos ouvir outras pessoas e cada momento chega uma informação. A prova deve estar bem robusta para ouvi-lo”, frisou Caviola Júnior, destacando que as imagens auxiliaram muito nas investigações, mas que a prova testemunhal “é importantíssima”.
Local
A fachada do Boteco Velho Casarão, localizado na Praça Bento Quirino, que foi pichada com a palavra 'assassinos' e parcialmente depredada, foi pintada e consertada. Durante toda a tarde de anteontem, uma viatura da Polícia Militar com pelos menos três agentes ficou fazendo segurança na praça.
Confira o vídeo:

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Alenita Ramirez