Publicado 14/02/2020 - 07h41 - Atualizado 14/02/2020 - 07h41

Por Gilson Rei

A recuperação da estrutura do prédio do Cotuca teve início no ano passado e os ambientes começaram a ser criados em janeiro

Matheus Pereira/AAN

A recuperação da estrutura do prédio do Cotuca teve início no ano passado e os ambientes começaram a ser criados em janeiro

Os organizadores da Campinas Decor 2020 anunciaram ontem que, no total, R$ 12 milhões serão investidos nos trabalhos de recuperação do prédio histórico do Colégio Técnico de Campinas (Cotuca), na Rua Culto à Ciência, no bairro Botafogo, e na preparação da 25ª edição da mostra de arquitetura, decoração e paisagismo, com início previsto para o final de abril ou começo de maio e encerramento em junho.
Sueli Cardoso, diretora da mostra, explicou que o investimento vem do pool de participantes do evento, incluindo integrantes da organização, expositores, patrocinadores e fornecedores. A recuperação estrutural do prédio histórico foi realizada no ano passado pelos profissionais do ramo, com a reconstituição do telhado, pavimento, portas, paredes, revestimentos e janelas; além de modernização das redes hidráulica e elétrica.
Os ambientes da mostra começaram a ser montados no mês passado. Após o evento, o colégio poderá voltar a funcionar no local — a expectativa é de que isso aconteça a partir de agosto.
Esta edição que marca os 25 anos da Campinas Decor será uma das maiores da mostra, com uma área total de quase 7 mil metros quadrados. Ao todo, serão apresentados ao público 65 ambientes com as criações dos principais profissionais de Campinas e região.
Sueli destacou que a realização da edição 2020 no Cotuca tornou-se possível graças a um convênio de permissão de uso firmado entre a organização do evento e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), assinado na edição de 2019, com a presença do reitor, Marcelo Knobel. O termo tem como objetivo a cooperação entre a universidade e a iniciativa privada para a conservação do imóvel.
Segundo Sueli, o resgate deste espaço será muito importante para a história da cidade. “Trata-se de uma excelente oportunidade de integrar um projeto histórico, que além de marcar os 25 anos da Campinas Decor, vai recuperar e devolver para a cidade de Campinas este importante prédio, que poderá voltar a abrigar o Cotuca” , comentou.
Sem condição de uso, prédio estava fechado desde 2014
O prédio do Cotuca, projetado pelo engenheiro e arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo (1851-1928), foi doado pelo abolicionista Bento Quirino dos Santos e está fechado desde 2014 por falta de condições de uso.
Construído no início do Século 20, na Rua Culto à Ciência, no Botafogo, o complexo do Edifício "Bento Quirino" foi cedido pela Secretaria de Educação para uso da Unicamp e de 1967 a 2014 abrigou o colégio técnico.
O prédio é uma grandiosa construção tombada pelo Patrimônio Histórico, de orientação eclética de tendência neoclássica. O arquiteto Ramos de Azevedo é considerado responsável pela introdução de novos conceitos para a organização da arquitetura escolar à luz dos ideais de ensino republicanos.
Nove construções públicas foram recuperadas
A Campinas Decor 2020 já recuperou nove prédios de propriedade pública. Em 2008, por exemplo, restaurou a Estação Guanabara, da qual a Unicamp é comodatária. O prédio da antiga estação foi totalmente recuperado e passou a abrigar o CIS-Guanabara — Centro Cultural de Inclusão e Integração Social.
Em 2018, o evento recuperou as edificações da Fazenda Argentina, adquirida pela Unicamp para fins de expansão, e que após a reforma passou a ser utilizado pela universidade para a instalação do escritório de sua agência de inovação e de empresas startups.
A Campinas Decor já recuperou também o Casarão do Lago do Café (2003), o Instituto Agronômico de Campinas (nas edições de 2009 e 2010, em locais diferentes), a Estação Cultura (2011), a Casa de Vidro, também no Lago do Café (2016) e em 2019, o prédio famoso por ter abrigado o antigo Colégio Ateneu, pertencente à Prefeitura, que passou a ser ocupado pela Secretaria de Educação.
No total, foram investidos aproximadamente R$ 37,5 milhões em benfeitorias nos nove prédios de propriedade pública que foram restaurados e cotizados entre a organização, expositores, patrocinadores e fornecedores.

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Gilson Rei