Publicado 13/02/2020 - 07h50 - Atualizado 13/02/2020 - 07h51

Por Maria Teresa Costa

O índice que mede o número de mortes de crianças de até um ano para cada mil nascidos vivos ficou em 7,55 em Campinas no ano passado

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O índice que mede o número de mortes de crianças de até um ano para cada mil nascidos vivos ficou em 7,55 em Campinas no ano passado

Campinas fechou 2019 com a menor taxa de mortalidade infantil de sua história. O índice que mede o número de mortes de crianças de até um ano de idade para cada mil nascidos vivos ficou em 7,55, queda de 17,1% na comparação com o ano anterior. Há três décadas, a taxa era de 21,3. O número só não é menor porque pesou no indicador as chamadas mortes neonatais, que ocorrem nos primeiros 28 anos de vida, resultado de infecções agudas intrauterinas, problemas respiratórios, malformações e prematuridade. Das 110 crianças com menos de um ano que morreram em 2019, 72 tinham menos de 28 dias de vida.
A queda na mortalidade infantil, diz o secretário de Saúde, Carmino de Souza, é resultado da qualidade da atenção ao pré-natal, ao parto e ao recém-nascido. “Temos uma das menores taxa de mortalidade infantil do País e continuamos lutando para reduzir. Mas temos uma questão a enfrentar, porque a tendência é termos cada vez mais gestações de risco maior, com as mulheres engravidando cada vez mais tarde. Isso aumenta o risco para a criança e para a mulher”, afirmou.
Ele lembra que a mortalidade infantil é um dos melhores indicadores de saúde, porque mede a qualidade da atenção primária (pré-natal), da atenção secundária (cuidados no parto) e também a atenção terciária, com as unidades de terapia intensiva. “Se não tivermos UTIs de boa qualidade, não conseguimos baixar a taxa para um dígito”, disse.
Para a Organização Mundial da Saúde, a taxa de mortalidade infantil é um dos principais indicadores das ações na área da saúde pública. Por meio dela, é possível refletir e avaliar não apenas a saúde infantil, mas as condições de vida de uma população. O comportamento da mortalidade infantil é estreitamente relacionado ao acesso e à qualidade de vida dos serviços de saúde e de saneamento básico, assim como a fatores ambientais e socioeconômicos.
Além disso, este índice é muito utilizado para comparações nacionais e internacionais e ainda para subsidiar processos de planejamento, gestão e avaliação de políticas e ações na área da saúde, voltadas principalmente para a atenção pré-natal e ao parto, bem como para as crianças nos primeiros meses de vida.
“Temos uma excelente estrutura de atendimento em Campinas para o acompanhamento pré-natal, uma rede de maternidades muito boa e UTIs neonatal excelentes”, afirmou o secretário. A manutenção do decréscimo da taxa de mortalidade infantil depende da continuidade das ações de saúde já implementadas e da ampliação daquelas dirigidas à maior cobertura e qualidade da atenção ao pré-natal, ao parto e ao recém-nascido.
No ano passado, segundo o levantamento da Secretaria de Saúde, a mortalidade atingiu mais os meninos (foram 65 óbitos) — 45 tinham menos de 28 dias de vida e 20 tinham entre 28 dias e menos de um ano. Entre as meninas, as mortes somaram 45, sendo que 27 morreram com menos de 28 dias e 18 com menos de um ano.
PONTO DE VISTA
Odair Albano, ginecologista e consultor em Saúde
Os dados divulgados são elogiáveis
A taxa de mortalidade infantil registra o número de óbitos por mil nascidos vivos, em determinado local e período considerado. A taxa de mortalidade infantil no Brasil em menores de um ano de idade foi de 12,4 (2018) e 12,8 (2017) a cada mil nascidos vivos, segundo o IBGE. Apesar da melhora, as taxas são inferiores às de países desenvolvidos.
Neste sentido, os dados de 2019 divulgados da mortalidade infantil em Campinas são elogiáveis porque mostram queda de 27% nos últimos dez anos, saindo 10,34 (2.010) para 7,55 (2.019).
Resultado obtido pela melhora da atenção primária, ampliação da assistência pré-natal, cuidados adicionais às gestantes de alto risco e ampliação e qualificação do atendimento obstétrico hospitalar, fatores que qualificam a atenção materno-infantil e geram a queda nas taxas de mortalidade infantil.
NÚMEROS EM CAMPINAS
Mortalidade infantil em 2019
Faixa etária        Masculino  Feminino     Total
0 a 28 dias                   45            27            72
28 dias - 1 ano             20            18            38
Total                           65            45           110
Taxa de mortalidade infantil
Ano                            Taxa
2010 ........................10,34
2011 ..........................9,14
2012 ........................10,05
2013 ..........................9,52
2014 ..........................8,13
2015 ..........................7,97
2016 ..........................9,04
2017 ..........................8,88
2018 ..........................9,1
2019 ..........................7,55
Fonte: Secretaria Municipal de Saúde

Escrito por:

Maria Teresa Costa