Publicado 21/02/2020 - 19h26 - Atualizado 21/02/2020 - 19h26

Por AFP


Os iranianos votaram nesta sexta-feira (21) para eleger seus deputados em uma eleição marcada por uma escassa mobilização dos eleitores e que deve consagrar o fortalecimento dos conservadores após a desqualificação maciça dos candidatos reformistas e moderados.

As seções eleitorais fecharam à meia-noite local (17H30 de Brasília), depois de cinco prorrogações para permitir que um número máximo de eleitores cumprissem com o que o guia supremo, aiatolá Ali Khamenei, qualificou não apenas como um dever cívico, mas também "religioso".

Após abrir simbolicamente o escrutínio, Khamenei pediu aos 58 milhões de eleitores inscritos para votar "com entusiasmo" para "garantir o interesse nacional".

Segundo a agência Fars, vinculada aos ultraconservadores, a participação era de 40% às 18h locais (11H30 de Brasília), na hora que os colégios eleitorais deviam inicialmente fechar.

A taxa de participação final oficial será anunciada no sábado e os resultados definitivos possivelmente serão divulgados no domingo.

Há 40 anos, a participação nas legislativas foi superior a 50%, segundo o ministério do Interior.

No sul de Teerã, onde os conservadores têm uma sólida base de apoio, as filas eram claras, de observou a AFP. Nos bairros do norte (que votou majoritariamente em Hassan Rohani nas presidenciais de 2013 e 2017), ao contrário, viam-se menos eleitores.

Os 290 deputados da décima primeira legislatura que vão às urnas desde a Revolução Islâmica de 1979 vão começar seus trabalhos em um contexto de grande recessão no país e de tensões exacerbadas entre o Irã e os Estados Unidos.

As eleições são celebradas quase um mês e meio depois de as forças armadas iranianas derrubarem "por engano" um avião ucraniano.

Inicialmente, as autoridades civis negaram ter algo a ver com o ocorrido, mas três dias depois, o Estado-maior reconheceu sua responsabilidade.

Este reconhecimento tardio desatou algumas manifestações contra os governantes, deixando em farrapos a aparente unidade nacional manifestada dias antes no funeral do general iraniano Qassem Soleimani, morto em um ataque americano no Iraque em 3 de janeiro.

Em Teerã, Bahador Marzpur, um estudante que não votou, disse à AFP que "não há empregos para os jovens" e criticou os políticos, que "fazem promessas que não cumprem".

Mas em uma seção eleitoral do norte da capital, Mohsen Jallali, funcionário público de 37 anos, assegurou que seu voto permite "mostrar aos Estados Unidos" que apoiam "plenamente" o aiatolá Khamenei.

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