Publicado 21/02/2020 - 18h56 - Atualizado 21/02/2020 - 18h56

Por AFP


A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu nesta sexta-feira (21) que o tempo para erradicar o novo coronavírus "se estreita" e que está preocupada com o surgimento de casos sem "vínculo epidemiológico claro" fora da China.

Os novos focos da doença se multiplicam: mais duas mortes no Irã, primeiro contágio no Líbano, duplicação de casos na Coreia do Sul e cerca de 500 prisioneiros contaminados na China.

Sinal do nervosismo, cerca de dez localidades no norte da Itália fecharam bares, escolas, centros esportivos e outros locais públicos na sexta-feira, após a divulgação de 17 casos de infecção em todo o país.

A "janela de oportunidade" para erradicar a epidemia "está se estreitando", advertiu o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

"É por isso que pedimos à comunidade internacional que aja rapidamente, incluindo em questões de financiamento. Não é o que estamos vendo", afirmou.

Na China continental (sem incluir Hong Kong e Macau) o vírus provocou 2.236 mortes e infectou mais de 75.000 pessoas, enquanto em outras partes do mundo são 11 vítimas fatais e 1.100 contaminados

"Embora o número total de casos fora da China permaneça relativamente baixo, estamos preocupados com o número de casos sem uma ligação epidemiológica clara, como histórico de viagens ou contatos com um caso confirmado", explicou Tedros.

"Vemos que a situação evolui. Não só aumenta o número de casos mas também vemos diferentes modelos de transmissão", afirmou Sylvie Briand, diretora do Departamento de Gestão de Riscos Infecciosos da OMS.

Como sinal de sua preocupação, a OMS anunciou a designação de seis enviados especiais, entre eles David Nabarro, ex- coordenador para o ebola durante a epidemia na África ocidental entre 2013 e 2016.

Embora o número de novos casos diários na China tenha caído por quatro dias consecutivos, ele cresceu novamente com 889 diagnósticos em comparação aos 673 do dia anterior, anunciou a Comissão Nacional de Saúde nesta sexta-feira.

A China estabeleceu uma quarentena de fato para dezenas de milhões de pessoas na província de Hubei (centro) e em sua capital Wuhan, epicentro da epidemia.

Vários países proibiram a entrada de viajantes da China e muitas companhias aéreas suspenderam seus voos para o país. Mas essas restrições não impediram o surgimento de novos casos fora da China continental.

O Irã anunciou nesta sexta 13 novos casos de contágio e a morte de outros dois, num total de quatro mortes e 18 infectados. A maioria dos casos na cidade de Qom (150 km ao sul de Teerã).

Na Coreia do Sul, o número de casos quase dobrou na sexta-feira, chegando a mais de 200. Entre eles, cerca de 120 são membros da "Igreja de Jesus Shincheonji", uma seita cristã localizada na cidade de Daegu (sudeste).

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