Publicado 15/02/2020 - 01h30 - Atualizado 15/02/2020 - 01h30

Por AFP


As autoridades de saúde chinesas registraram 139 novas mortes na província de Hubei neste sábado (noite de sexta-feira no Brasil) por causa da epidemia COVID-19, e o número total de mortes já ultrapassou 1.500, num dia em que foi diagnosticado o primeiro caso em um país africano.

O Ministério da Saúde do Egito anunciou o primeiro caso no continente africano. A pessoa contaminada, conhecida apenas por não ter nacionalidade egípcia, foi hospitalizada em quarentena.

De acordo com a Comissão Provincial de Saúde de Hubei, epicentro da epidemia, com os 139 falecimentos registrados nas últimas 24 horas, no número de vítimas fatais na China chega a 1.519.

Cerca de 66.000 pessoas já foram contaminadas no território chinês, com a maioria dos diagnósticos concentrados na província de Hubei, cuja capital Wuhan foi onde o novo coronavírus foi detectado pela primeira vez em dezembro passado, em um mercado de frutos do mar que também comercializava carnes de animais exóticos.

Devido ao grande número de pacientes nos hospitais de Hubei e à escassez de suprimentos de proteção (máscaras, trajes completos), vários profissionais da saúde foram contaminados.

Segundo dados oficiais, pelo menos 1.716 profissionais de saúde, incluindo médicos e enfermeiros, estão contaminados e seis deles morreram.

O anúncio do número de diagnósticos positivos entre os membros das equipes de saúde ocorre uma semana após o falecimento, devido ao vírus, de um médico que tentou alertar as autoridades, mas que foi repreendido pela polícia. Sua morte provocou revolta nas redes sociais.

A luta contra o vírus constitui "um grande teste para o sistema e a capacidade de governança do país", reconheceu o presidente Xi Jinping na sexta-feira. A epidemia revelou "lacunas e inadequações", admitiu Xi, que pediu a melhoria do sistema nacional de saúde.

As autoridades têm se esforçado para distribuir equipamentos de proteção nos hospitais de Wuhan, mas muitos médicos tratam pacientes sem máscaras apropriadas ou roupas de proteção ou usam o mesmo equipamento várias vezes, quando deveriam trocá-lo regularmente.

A China continental concentra 99,9% das mortes pelo novo coronavírus registradas no mundo. Até agora, apenas o Japão, as Filipinas e Hong Kong relataram uma morte cada.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também se manifestou em defesa da China na sexta-feira, após críticas dos Estados Unidos à alegada "falta de transparência" de Pequim.

"Temos um governo que coopera conosco, que convida especialistas internacionais, que compartilharam sequências [do vírus], que continuam a trabalhar com o mundo exterior, que publicou em revistas médicas internacionais confiáveis", disse o chefe do departamento de emergência sanitárias da OMS, Michael Ryan, descartando críticas americanas.

Os Estados Unidos mudaram o tom na Casa Branca após parabéns do presidente Donald Trump ao seu colega chinês.

"Estamos um pouco decepcionados com a falta de transparência dos chineses", disse um dia antes de Larry Kudlow, consultor econômico da Casa Branca.

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