Publicado 14/02/2020 - 19h30 - Atualizado 14/02/2020 - 19h30

Por AFP


Seis integrantes da equipe médica morreram na China pelo novo coronavírus, que já tirou a vida de 1.400 pessoas no país, onde os hospitais continuam lotados e cujas equipes, às vezes mal equipadas, não são suficientes.

Dos 64 mil casos registrados na China, 1.716 são equipes de centros hospitalares que trabalham em contato com os pacientes, segundo a Comissão Nacional de Saúde.

A grande maioria (1.102) dos contágios aconteceu na cidade de Wuhan, capital da província de Hubei e berço da epidemia de pneumonia viral COVID-19.

O anúncio foi feito uma semana depois da morte, em consequência do vírus, do médico Li Wenliang, que havia alertado as autoridades no início da epidemia. Na ocasião, ele foi convocado pela polícia, que o acusou de propagar boatos.

A luta contra o vírus representa "um grande teste para o sistema e a capacidade de governança do país", reconheceu nesta sexta-feira o presidente Xi jinping. A epidemia revelou "lacunas e insuficiências", admitiu Xi, que pediu uma melhoria do sistema nacional de saúde.

As autoridades se esforçam para distribuir equipamentos de proteção nos hospitais de Wuhan, mas muitos médicos ainda tratam os pacientes sem máscaras, ou trajes de proteção adequados, ou usam várias vezes o mesmo material, que deveria ser trocado com regularidade.

Em nível nacional, as autoridades chinesas informaram nesta sexta-feira a ocorrência de 121 mortes no país nas últimas 24 horas, elevando o total de mortos para 1.380.

A China continental concentra 99,9% das mortes registradas no mundo pelo novo coronavírus. Até o momento, apenas Japão, Filipinas e Hong Kong informaram uma morte cada.

O Ministério da Saúde do Egito anunciou nesta sexta-feira que registrou o primeiro caso de novo coronavírus no continente africano. O portador da doença não é egípcio, que foi hospitalizado e posto em quarentena.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) saiu em defesa da China nesta sexta-feira (14), após críticas americanas pela suposta "falta de transparência" de Pequim.

"Temos um governo que coopera conosco, que convida especialistas internacionais, que compartilhou sequências [genéticas do vírus], que continua a trabalhar com o mundo exterior, que publicou em revistas médicas internacionais confiáveis", destacou o chefe do departamento de emergências sanitárias da OMS, Michael Ryan.

Larry Kudlow lamentou, na quinta, a "falta de transparência" da China, ao considerar que isso torna difícil a avaliação dos riscos provocados pela epidemia que afeta principalmente o gigante asiático.

As críticas americanas foram feitas depois que a China anunciou na quinta-feira a adoção de novos critérios para a contagem de pessoas infectadas, o que provocou um aumento expressivo do número de contagiados.

Agora, os especialistas chineses consideram infectadas as pessoas "diagnosticadas clinicamente" após a observação de radiografias do pulmão, sem a necessidade de aguardar os resultados de testes de laboratório.

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