Publicado 14/02/2020 - 10h30 - Atualizado 14/02/2020 - 10h30

Por AFP


A Volkswagen propôs pagar 830 milhões de euros para resolver um grande processo movido por mais de 400.000 clientes que pedem indenização por seus carros equipados com motores a diesel adulterados, informou um porta-voz do grupo automobilístico nesta sexta-feira (14).

O acordo, no entanto, "fracassou" - pelo menos provisoriamente - por causa de "reivindicações exageradas" em relação aos honorários dos advogados da Federação Alemã de Defesa do Consumidor (VZBV), que conduz essa primeira ação em grupo na Alemanha no âmbito do "dieselgate", acrescentou o porta-voz.

"A Volkswagen e a VZBV chegaram a um acordo sobre uma resolução amigável no valor de quase 830 milhões de euros no total", explicou a fabricante em um comunicado enviado à AFP.

Este grande processo movido pelos consumidores, o componente judicial mais importante até agora do escândalo que assombra a indústria automobilística alemã há mais de quatro anos, foi aberto no final de setembro.

A montadora é acusada de ter instalado um software sem o conhecimento de seus clientes, que fazia com que seus veículos a diesel parecessem menos poluentes do que realmente eram.

Os dois lados anunciaram negociações para uma resolução do litígio no início de janeiro.

Mas "a solução fracassou porque os advogados da VZBV insistem num pagamento de 50 milhões de euros" em honorários e isso "sem provas concretas suficientes".

Na Bolsa de Frankfurt, a ação do grupo caía 0,57%, a 171,56 euros, no início da tarde.

A VZBV ainda não reagiu às informações, mas seu presidente deve falar no início dessa tarde em conferência de imprensa.

O escândalo remonta a setembro de 2015, quando a gigante automobilística alemã admitiu ter equipado 11 milhões de veículos com este software fraudulento.

Desde então, o "dieselgate" custou à Volkswagen mais de 30 bilhões de euros em honorários legais, multas e indenizações, principalmente nos Estados Unidos.

No final de janeiro, um tribunal de Toronto multou a Volkswagen em 196,5 milhões de dólares canadenses (US$ 150 milhões), após o grupo admitir que vendeu carros que simulavam baixas emissões de gases contaminantes.

A corte aceitou um acordo entre o grupo alemão e o governo canadense, que em dezembro apresentou 60 denúncias contra a VW.

Os investidores também se uniram para buscar reparação pelo dramático declínio do preço da ação da montadora nos dias seguintes às revelações.

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