Publicado 28/01/2020 - 07h42 - Atualizado 28/01/2020 - 07h42

Por Da Agência Anhanguera

Passageiro em metrô de Hong Kong: epicentro da epidemia é em Wuhan, hoje uma cidade quase fantasma

Anthony Wallace/France Press

Passageiro em metrô de Hong Kong: epicentro da epidemia é em Wuhan, hoje uma cidade quase fantasma

O Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) divulgou ontem um Plano Operativo para enfrentamento de possíveis casos de infecção por coronavírus (2019-nCoV) na cidade de Campinas e na região. O HC da Unicamp mantém uma equipe multidisciplinar especializada, inclusive na área de emergência, equipamentos específicos de vestiário, exames laboratoriais e 18 leitos especiais (isolamento) sendo dois pediátricos de pressão negativa com filtro EPA para internação de pacientes com microorganismos de transmissão aérea.
Maria Luiza Moretti, Plínio Trabasso e Rodrigo Bueno, que estão na linha de frente da adoção do protocolo no HC: estrutura para Campinas e região
A direção do hospital lembra que a situação epidemiológica ainda está em evolução e que vem sendo monitorada continuamente pela Vigilância Epidemiológica e o setor de Epidemiologia Hospitalar do HC e que, tanto o protocolo, quanto as orientações, serão periodicamente atualizadas, obedecendo as recomendações do Ministério da Saúde e do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo.
Ainda não há registro da doença no País, mas o Ministério da Saúde informa que é considerado como caso suspeito do novo coronavírus paciente com sintomas da doença, como febre, tosse e dificuldade para respirar. Além disso, o paciente precisa ter viajado para área com transmissão ativa do vírus nos últimos 14 dias antes do início dos sintomas.
Transmissão
De acordo com a direção do HC, a transmissão pessoa-pessoa ocorre com outros coronavírus, como MERS-CoV e SARS-CoV, porém a transmissão, nestes casos, ocorre quando existe contato muito próximo entre as pessoas. “Importante ressaltar que existe variação quanto a capacidade do vírus ser transmitido entre pessoas. As investigações estão sendo dirigidas no sentido de conhecer o comportamento e a transmissibilidade do 2019-nCoV”, diz o HC ao fazer a divulgação dos novos procedimentos.
“A transmissão pessoa-pessoa se dá através da via respiratória, por secreções produzidas por exemplo, durante episódios de tosse, espirros e coriza, semelhante à transmissão do vírus da influenza.
Viracopos
A Gerência-Geral de Portos, Aeroportos, Fronteiras e Recintos Alfandegados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou orientações para a adoção de medidas nos pontos de entrada no Brasil.
Para reforçar as diretrizes brasileiras para vigilância dos casos, técnicos do Comitê de Operações de Emergência (COE) do Ministério da Saúde detalharam as orientações publicadas no Boletim Epidemiológico para os profissionais de saúde, destacando as definições de como identificar possíveis casos da doença.
Também alertaram os estados das ações que estão sendo preparadas para os portos, aeroportos e áreas de fronteiras, como a elaboração de áudios em inglês e mandarim, que vão orientar os pacientes que apresentarem os sintomas a procurarem unidades de saúde.
Um desses lugares é o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, que desde a semana passada está se preparando para atender as recomendações definidas pelo Ministério para a adoção de medidas de prevenção contra a doença.
O coronavírus (nCoV) afeta o sistema respiratório e pode levar à morte. O Brasil entrou em alerta 1 para o risco de transmissão, que é inicial, em uma escala que vai de 1 a 3. O nível 3 ocorre quando há casos confirmados no País.
Niterói
O Ministério da Saúde informou ontem que o quadro clínico do paciente que está internado no Hospital Icaraí, em Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, não se enquadra com os critérios adotados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para o coronavírus. Nas redes sociais, aPpasta disse que o governo está preparado para "identificar possíveis casos". O paciente, no entanto, continuará sendo acompanhado.
Outros casos
O Ministério das Relações Exteriores fez contato nas Filipinas com a família brasileira com suspeita de contaminação pelo coronavírus. Segundo o governo brasileiro, os membros da família não apresentam sintomas da doença, mas aguardam resultados de testes de infecção. Eles estiveram recentemente em Wuhan, na China, epicentro do surto de coronavírus.
O coronavírus já infectou mais de 2,7 mil pessoas e causou a morte de ao menos 80 na China.
Além disso, há casos confirmados da doença em outros 14 países, incluindo Estados Unidos, França e Japão. (com Estadão Conteúdo e Agência Brasil)
Pequim registra morte e OMS faz alerta global
Uma primeira morte causada pela epidemia de pneumonia viral foi registrada em Pequim, em um cenário de crescente ansiedade em todo o mundo, com a multiplicação de medidas de prevenção nas fronteiras, enquanto a OMS considera “elevada” a ameaça representada pelo vírus internacionalmente.
“Estamos em estreita comunicação com a China sobre o vírus”, tuitou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, antes de acrescentar que ofereceu “toda a ajuda que possa ser necessária”.
A Mongólia, por sua vez, tornou-se o primeiro país a fechar as fronteiras terrestres com o território chinês. Ao mesmo tempo, pessoas da província chinesa de Hubei, a mais afetada, foram proibidas de viajar à Malásia, enquanto a Alemanha e a Turquia desaconselharam viagens para a China.
França e os Estados Unidos preparam, por sua vez, a evacuação de seus cidadãos.
Impacto econômico
A crise também gera temores de um enfraquecimento da economia chinesa, ou mesmo mundial, levando a uma queda de mais de 2% nas bolsas de valores do Japão e da Europa, enquanto Nova York também estava em forte declínio.
A Bolsa de Xangai, fechada devido a feriados, decidiu estender seu fechamento por três dias, até 2 de fevereiro, segundo a imprensa.
Vários eventos esportivos internacionais programados em solo chinês também tiveram que ser cancelados, adiados ou deslocados.
Wuhan
O prefeito de Wuhan, onde o coronavírus surgiu em dezembro, disse no último domingo que cinco milhões de pessoas deixaram essa metrópole de 11 milhões de habitantes antes do feriado do Ano Novo Chinês em 25 de janeiro.
A cidade está isolada do mundo desde quinta-feira. A maioria das lojas está fechada e o tráfego é proibido para veículos não essenciais. (France Press)
PERGUNTAS E RESPOSTAS
O que é coronavírus?
Coronavírus (CoV) é uma grande família de vírus, conhecidos desde meados da década de 1960, que podem causar um resfriado comum ou síndromes respiratórias graves como a síndrome respiratória aguda grave que ficou conhecida pela sigla SARS, do inglês Severe Acute Respiratory Syndrome, (SARS-CoV) e a síndrome respiratória do Oriente Médio, cuja sigla é MERS, do inglês Middle East Respiratory Syndrome (MERS-CoV). Esses vírus receberam esse nome devido às espículas na sua superfície que lembram uma coroa.
Qual a origem deste surto?
Acredita-se que a fonte primária do vírus seja em um mercado de frutos do mar e animais vivos em Wuhan.
Há outros coronavírus com transmissão de animais para humanos?
Investigações detalhadas descobriram que o SARS-CoV foi transmitido de gatos selvagens para humanos na China, em 2002, e o MERS-CoV de dromedários para humanos na Arábia Saudita, em 2012. Vários coronavírus conhecidos estão circulando em animais que ainda não infectaram humanos.
A transmissão do coronavírus acontece entre humanos?
Sim. Todos os coronavírus podem ser transmitidos de pessoa a pessoa. Na maior parte dos casos, a transmissão é limitada e se dá por contato próximo, ou seja, qualquer pessoa que cuidou do paciente, incluindo profissionais de saúde ou membros da família que tenham tido contato físico com o paciente e/ou permanecidos no mesmo local que o paciente doente.
Qual é o tempo de incubação desta nova variante do coronavírus?
Ainda não há uma informação exata. Presume-se que o tempo de exposição ao vírus e o início dos sintomas seja de cerca de duas semanas.
Quais são os sintomas de uma pessoa infectada por um coronavírus?
Depende do vírus, mas os sinais comuns incluem sintomas respiratórios, febre, tosse e falta de ar/desconforto respiratório. Em casos mais graves, a infecção pode causar pneumonia, síndrome respiratória aguda grave, insuficiência renal e morte. Idosos e pessoas com problemas de saúde podem apresentar manifestações mais graves.
Qual é a letalidade desta nova variante do coronavírus?
Não se sabe até o momento. Porém, acredita-se que a letalidade do 2019-nCoV seja inferior a do SARS-CoV e do MERS-CoV.
Existe um tratamento para o coronavírus?
Não há tratamento específico. No entanto, muitos dos sintomas podem ser tratados. Além disso, os cuidados de suporte às pessoas infectadas podem ser altamente eficazes.
Existe uma vacina para o novo coronavírus?
Quando uma doença é nova, não há vacina até que uma seja desenvolvida.
Tomei a vacina contra a gripe. Estou protegido contra o coronavírus?
Não. Esta vacina protege somente contra o vírus influenza.
Como reduzir o risco de infecção pelo coronavírus?
Evitar contato próximo com pessoas que sofrem de infecções respiratórias agudas; realizar lavagem frequente das mãos, especialmente após contato direto com pessoas doentes ou com o meio ambiente; evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações.

Escrito por:

Da Agência Anhanguera