Publicado 24/01/2020 - 09h58 - Atualizado 24/01/2020 - 09h58

Por Maria Teresa Costa

Vereadores se mobilizam para mudança de partido

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Vereadores se mobilizam para mudança de partido

A proximidade da abertura da chamada janela partidária — quando vereadores podem mudar de legenda para concorrer à eleição de outubro, sem risco de perda de mandato por infidelidade partidária — movimenta as conversas de partidos com parlamentares para aumentar as bases legislativas. Pelo menos quatro dos 33 vereadores de Campinas já confirmaram que estão de malas prontas para outros partidos.
Entre 5 de março e 3 abril, período da janela partidária definida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Jorge Schneider deixará o PTB e ingressará no PP, Rubens Gás sairá do PSC e irá para o DEM e Aurélio Cláudio, hoje no PMB, vai para o PDT. Na quarta-feira, Cidão Santos (PROS) acertou sua ida para o PSL.
O número, no entanto, vai crescer, porque há muitos parlamentares negociando a migração. Um deles é Nelson Hossri (Podemos), que está descontente com as mudanças da executiva local impostas pela nacional, que o tirou da presidência da legenda e colocou a ex-vereadora cassada Leonice da Paz no comando. Hossri recebeu convite do presidente do PSD, Artur Orsi, para ingressar no partido. Disse que está analisando.
Vinicius Gratti (PSB) disse que ainda não se decidiu. Mas também deve mudar porque sua permanência no partido ficou insustentável quando votou favoravelmente à investigação contra o prefeito Jonas Donizette por improbidade administrativa proposta pela oposição. Desde, então, ele vem votando alinhado com os oposicionistas.
No cenário político, circulam informações de que Marcelo Silva (PSD) estaria conversando com o Novo. Ele informou que acha difícil deixar a legenda, mas admitiu, em relação ao Novo, “que tudo pode acontecer”. Ailton da Farmácia, da mesma legenda, disse que está avaliando convites de vários partidos, mas não decidiu se deixará o PSD.
Zé Carlos (PSB) também não descarta a possibilidade de deixar a legenda. Na quarta-feira ele recebeu convite do presidente do DEM, Samuel Rossilho, para concorrer à reeleição pelo partido. Zé Carlos já integrou a legenda quando o DEM se chamava PFL e, por ela, ganhou sua primeira eleição, em 2004. Ele afirmou que gostou muito das propostas de Rossilho para Campinas, mas que também está avaliando convite recebido do MDB.
O prazo para mudança vence em 3 de abril e no dia 4 de abril esgota-se o prazo para que novas legendas sejam registradas na Justiça Eleitoral a tempo de lançarem candidatos próprios às eleições. Além disso, até o dia 4 de abril, aqueles querem se candidatar devem ter domicílio eleitoral na circunscrição na qual desejam concorrer e estar com a filiação aprovada pelo partido.
Essa data também marca o fim do prazo para que detentores de mandatos no Poder Executivo renunciem aos seus cargos para se lançarem candidatos.
Regras alteradas
A eleição para a escolha de vereadores traz algumas mudanças em relação à última disputa, ocorrida em 2016. A principal delas é o fim das coligações proporcionais, o que levará as direções partidárias a fazer uma seleção de candidatos mais competitivos para lançá-los. Com o fim das coligações, vão se eleger os candidatos mais votados dentro de seus partidos, desde que a legenda consiga atingir o quociente eleitoral.
Também o financiamento das campanhas será mais difícil porque, desde 2018, as doações foram limitadas às pessoas físicas. Os candidatos recebem recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e do Fundo Partidário.
O fundo de campanha é destinado aos partidos e, como já ocorreu em 2018 e se repetirá em 2020, grande parte desses recursos será destinada aos candidatos que já são detentores de mandato eletivo ou aos candidatos “celebridade”.

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Maria Teresa Costa