Publicado 24/01/2020 - 08h03 - Atualizado 24/01/2020 - 08h03

Por Gilson Rei

No Estado, foram 1.911 fatalidades em acidentes motociclísticos em 2019, um aumento de 0,7% em comparação aos 1.898 do período anterior

Matheus Pereira/AAN

No Estado, foram 1.911 fatalidades em acidentes motociclísticos em 2019, um aumento de 0,7% em comparação aos 1.898 do período anterior

Os motociclistas continuam liderando as estatísticas de mortes no trânsito na região de Campinas e em todo o Estado de São Paulo. De janeiro a dezembro de 2019, os 90 municípios da Região Administrativa de Campinas registraram 360 mortes, o que significou 38,83% do total de 927 vítimas fatais ocorridas no período.
Os dados foram divulgados nesta semana pelo Governo de São Paulo que teve como base os dados do Infosiga-SP, sistema do programa Respeito à Vida, que publica mensalmente estatísticas sobre acidentes com vítimas de trânsito nos 645 municípios do Estado de São Paulo.
Os índices de violência no trânsito diminuíram de uma forma geral no Estado, mas as mortes em acidentes com motocicletas continuam na mesma média e até cresceram em algumas regiões.
Na Região Administrativa de Campinas, por exemplo, 1.843 motociclistas morreram nos últimos cinco anos em acidentes de trânsito mantendo uma média de 368 mortes por ano.
As estatísticas do Infosiga-SP revelam que as vítimas são principalmente jovens com idade entre 18 e 29 anos, que representam 43,7% do total de fatalidades em motocicletas.
Ainda sobre os dados da Região Administrativa de Campinas, o Infosiga-SP informou que em 2019 - além dos 360 motociclistas vitimados no trânsito - foram registradas 271 mortes em acidentes com automóveis; mais 217 pedestres mortos em atropelamentos e outros 79 ciclistas vitimados fatalmente em acidentes. A Região de Campinas registrou 927 fatalidades contra 963 no ano anterior, uma redução de 4%.
Motos no Estado
As mortes registradas em acidentes com motocicletas lideram também no Estado de São Paulo, que totalizou 1.911 fatalidades em acidentes motociclísticos no ano passado, um aumento de 0,7% em comparação aos 1.898 motociclistas mortos em 2018. A morte dos pilotos e garupas em motocicletas representou 35,17% de todas as fatalidades ocorridas no trânsito no Estado de São Paulo, que fechou o ano em 5.433 vítimas fatais.
Rodrigo Garcia, vice-governador e secretário de Governo, destacou a importância de se manter os projetos de prevenção contra acidentes e a necessidade de ampliar as iniciativas com motociclistas. “A mobilização no Estado tem resultado em reduções constantes nos índices, mas o fato é que há ainda um longo caminho a percorrer, principalmente com relação aos motociclistas”, destacou.
Segundo Garcia, as mortes em motocicletas estão se mantendo na mesma média nos últimos anos e alguns índices de óbitos no trânsito já diminuíram. “O objetivo é diminuir ainda mais. Os números permanecem alarmantes e é preciso manter esforços e investimentos para combater a violência no trânsito. O programa Respeito à Vida tem essa finalidade e viabiliza projetos efetivos para salvar vidas em vias urbanas e rodovias”.
Uma das frentes do programa é a promoção de convênios com as Prefeituras. Segundo o Infosiga-SP, as vias municipais concentram 50% das fatalidades e 80% dos acidentes com vítimas. Além das ações de fiscalização promovidos pela Polícia Militar, o Estado destinou R$ 200 milhões para projetos de segurança viária, elaborados pelos municípios.
O recurso é proveniente de multas aplicadas pelo Departamento de Trânsito de São Paulo (Detran-SP). Atualmente, 304 cidades participam do programa e mais de 8,7 mil intervenções estão em andamento, incluindo obras de engenharia e sinalização e ações educativas para todas as idades. Em 2019, houve redução de 0,5% nos óbitos em vias municipais. Nas rodovias que cortam o Estado, foi registrado aumento de 2,5% nas ocorrências.
Dados gerais apontam queda de acidentes
O balanço anual do Infosiga-SP informou que, em todo o Estado de São Paulo foram registradas 5.433 fatalidades em ruas e rodovias, uma queda de 0,6% na comparação com 2018. No mesmo período, foram registrados 143 mil acidentes com vítimas fatais e não fatais.
No Estado, 11 das 16 regiões administrativas tiveram redução nos índices. A região de Registro apresentou a maior queda nas fatalidades (-23%), enquanto a região de Barretos teve o maior aumento (+26,2%).
Desde setembro de 2019, o Infosiga SP passou a disponibilizar, além de informações sobre óbitos causados por acidentes, dados sobre ocorrências com vítimas não fatais. O banco de acidentes com vítimas registrou 143.278 ocorrências de janeiro a dezembro. Em todo o Estado, a proporção é de 26,3 acidentes para cada vítima fatal.
Dessas ocorrências, 79,7% foram em vias municipais e 20,1% em rodovias (em 0,2% dos casos não foi possível definir com precisão a jurisdição da via). Nas cidades, a proporção é de 42,4 acidentes para cada óbito. Nas rodovias, a proporção é de 11,5 acidentes para cada vítima fatal.
O número de vítimas pedestres reduziu também no Estado. Foram 1.397 ocorrências em 2019 contra 1.463 no ano anterior (-4,5%). O índice é o menor desde o início da série histórica do Infosiga-SP. Em 2015, foram registrados 1.740 óbitos de pedestres, redução de 19,7%.
Silvia Lisboa, coordenadora do programa Respeito à Vida, destacou a necessidade de mudanças no comportamento dos motoristas, motociclistas e ciclistas com relação aos pedestres. “Os pedestres são os mais expostos em caso de acidentes e prioridade no trânsito, o que já é previsto em Lei. Se olharmos mais de perto, vemos ainda que uma em cada três vítimas pedestres é idosa com mais de 60 anos de idade. Apesar da redução, temos ainda um número de alto de ocorrências. A solução para isso é, além de ações preventivas, um comportamento mais humano e solidário”, enfatizou.
Entre os ocupantes de automóvel, houve alta de 2,7% nas fatalidades (1.387 vítimas). A maior parte dos acidentes (64,6%) ocorreram nas rodovias que cortam o Estado e se concentraram no período da noite (54,1%) e nos finais de semana (55,1%). Em 62,4% dos casos, a vítima é o próprio condutor.
Também houve aumento nos casos envolvendo ciclistas. Foram 404 óbitos registrados no ano contra 394 em 2018 (+2,5%). Chama a atenção o fato de que 70,3% dos acidentes foram colisões contra outros veículos, principalmente automóveis (38,5%) em vias urbanas (55,7%). As ocorrências estão concentradas nos dias de semana, com 68,6% dos casos registrados entre segunda e sexta-feira e durante o dia (52,6%).

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Gilson Rei