Publicado 24/01/2020 - 08h00 - Atualizado 24/01/2020 - 08h00

Por Daniel de Camargo

Grow, empresa detentora das marcas Grin e Yellow, alega que precisa reestruturar o segmento com objetivo de garantir uma maior segurança

Cedoc/RAC

Grow, empresa detentora das marcas Grin e Yellow, alega que precisa reestruturar o segmento com objetivo de garantir uma maior segurança

A Grow, empresa detentora das marcas Grin e Yellow, anunciou o encerramento do serviço de patinetes compartilhados em 14 cidades brasileiras incluindo Campinas. O grupo comunicou também que as bicicletas estão temporariamente fora de circulação. Os equipamentos foram recolhidos anteontem. O grupo informou, em nota, que as medidas fazem parte de um processo de reestruturação de suas operações no País, de modo a permitir uma prestação de serviços estável, eficiente e segura.
Além de Campinas, as operações de patinetes também foram encerradas em Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Florianópolis (SC), Goiânia (GO), Guarapari (ES), Porto Alegre (RS), Santos (SP), São Vicente (SP), São José dos Campos (SP), São José (SC), Torres (RS), Vitória (ES) e Vila Velha (ES). Os patinetes que estavam nessas cidades serão transferidos para as capitais São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, onde permanecem operando.
Já as bicicletas, foram recolhidas das ruas para que sejam submetidas a um processo de checagem e verificação das condições de operação e segurança. Não foi estipulado um prazo para o retorno. "A empresa está em busca de parcerias públicas e privadas para fortalecer e expandir sua operação", destaca o texto divulgado por ela. Diretor- executivo da Grow, Jonathan Lewy disse que o mercado da micromobilidade é fundamental para revolucionar a forma como as pessoas se locomovem nos municípios. O gestor acredita que o serviço tem espaço para crescer no Brasil.
Sobre os colaboradores que foram demitidos no processo, a Grow informou que atua em parceria com uma consultoria de recursos humanos para ajudá-los a se recolocarem no mercado de trabalho. “Agradecemos aos colaboradores que estiveram conosco”, disse Lewy. "É importante ressaltar que todos terão resguardados os seus direitos trabalhistas”, garantiu.
Os usuários que tiverem adquirido créditos não utilizados devem solicitar reembolso no botão de ajuda do app ou pela central de ajuda, no site da empresa. Em Campinas, o desbloqueio do patinete custava R$ 3. Além da taxa, o usuário pagava R$ 0,50 o minuto de uso. Para as bicicletas, a tarifa era de R$ 1,50 a cada 15 min.
Aprovados
Divulgado na primeira semana de dezembro de 2019, um balanço com dados inéditos da Grow mostrou que Campinas registrou forte adesão aos modais de micromobilidade desde o início do ano passado. O estudo, entretanto, apontava há necessidade de melhoria das conexões e conservação das ciclovias em determinados locais. Na oportunidade, a análise foi entregue ao Executivo com objetivo de colaborar no desenvolvimento de políticas públicas que auxiliassem com o avanço da mobilidade urbana na cidade. De acordo com as estatísticas, os usuários percorreram, em média, 49 mil quilômetros mensais, de janeiro a agosto. Isso equivale a cerca de 255 viagens ida e volta para São Paulo.
O levantamento constatou também que sábados e domingos eram os dias preferidos dos usuários, liderando o ranking de corridas. Segundo os dados, nos finais de semana havia um fluxo grande de viagens de bicicletas em áreas como a Lagoa do Taquaral e a Rua Sérgio Buarque de Holanda, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), retratando que o uso era voltado ao lazer. Já durante a semana, era registrada uma forte circulação também em Barão Geraldo e em toda região da Unicamp.
Decreto definiu regras para operadoras
O prefeito Jonas Donizette (PSB) assinou no dia 10 de junho de 2019, decreto que regulamenta o compartilhamento de bicicletas e patinetes elétricos em Campinas. A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) trabalhou nos detalhes alinhando o texto com leis federais referentes a mobilidade urbana, com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e também em acordo com as normas do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
Entre as regras estabelecidas, ficou definido, por exemplo, que as operadoras do serviço devem se credenciar junto à Emdec, que a circulação dos patinetes elétricos somente será permitida em áreas de circulação de pedestres, ciclovias e ciclofaixas e com velocidade máxima de 6 km/h em áreas de circulação de pedestres e de 20 km/h em outras.

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Daniel de Camargo