Publicado 14/01/2020 - 10h16 - Atualizado 14/01/2020 - 10h16

Por Gilson Rei

Vestibular tem abstenção de 10,9%

Matheus Pereira/Especial para a AAN

Vestibular tem abstenção de 10,9%

O Vestibular 2020 da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) encerrou ontem com o menor índice de abstenção em oito anos – 10,9%. Em 2019, a abstenção registrada no segundo dia da segunda fase do Vestibular foi de 13,6%. Este ano, dos 13.589 aprovados para a segunda fase, 1.483 estudantes não compareceram. Em Campinas a abstenção fechou em 9% e em São Paulo, 11%. A cidade com menor índice de ausentes este ano foi Jundiaí, com apenas 7,8%.
Ontem, os candidatos fizeram a prova de Matemática; e as questões interdisciplinares de Ciências Humanas e Ciências da Natureza, além da prova específica relacionada ao curso escolhido.
José Alves de Freitas Neto, diretor da Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest) disse que uma das explicações para o baixo índice de ausentes pode ser a redução da segunda fase do Vestibular Unicamp de três para dois dias.
“Era um de nossos objetivos fazer uma prova que não se alongasse por vários dias, considerando que muitos candidatos trabalham ou têm outras atividades ao longo da semana, porém o principal aspecto que a abstenção baixa demonstra é que os candidatos se identificaram com a nova proposta de prova”, avaliou.
Na parte da prova específica relacionada à área do curso escolhido, os estudantes responderam às seguintes questões: candidatos da área de Ciências Biológicas/Saúde — seis questões de Biologia e seis questões de Química; candidatos da área de Ciências Exatas/Tecnológicas — seis questões de Física e seis questões de Química; candidatos da área de Ciências Humanas/Artes — seis questões de Geografia e seis questões de História, englobando conteúdos de Filosofia e Sociologia.
Este ano, 66.833 candidatos fizeram a prova da primeira fase, na disputa por uma das 2.570 vagas em 69 cursos de graduação da Unicamp.
As provas estão disponíveis na página eletrônica da Comvest (http://www.comvest.unicamp.br) e as respostas serão divulgadas na internet, a partir da próxima quinta-feira.
A primeira chamada será divulgada em 10 de fevereiro, para matrícula eletrônica no dia 11 de fevereiro. Estão previstas até 10 chamadas. As provas de habilidades específicas, para os cursos de Arquitetura e Urbanismo, Artes Cênicas, Artes Visuais e Dança serão realizadas em Campinas entre os dias 20 e 24 de janeiro de 2020.
Comentário da prova
A prova de ontem procurou, mais uma vez, se aproximar de assuntos cotidianos, da contemporaneidade do candidato, afirmou Antunes Rafael dos Santos, diretor pedagógico da Oficina do Estudante.
A prova abordou temas como a negação do Holocausto, os reflexos ambientais provocados pelo rompimento das barragens de Brumadinho (MG) e Mariana (MG) e os movimentos sociais. Foi tema, por exemplo, o impacto da internet atrelado aos debates sobre a negação do genocídio cometido por nazistas contra judeus na Segunda Guerra.
As provas para os que prestaram Ciências Humanas trouxeram questões interdisciplinares muito bem estruturadas. “Um bom diálogo com a Geografia. Trouxe assuntos do Brasil contemporâneo e o impacto das notícias veiculadas pelas mídias digitais e o negacionismo histórico — ou seja, o impacto na sociedade quando se nega fatos históricos, como a existência do Holocausto, por exemplo”, disse Santos.
Segundo o diretor, a questão que mais chamou a atenção dos professores foi a que envolvia a Revolução Puritana. “É um assunto muito pontual, muito específico, e que não é comum ser abordado dessa maneira no ensino médio e nos cursos pré-vestibulares”, comentou.
A prova de Geografia cobrou diversidade de assuntos, geografia física, humana e econômica, com destaque para geopolítica, no que se refere ao separatismo de Hong Kong e a exploração mineral do continente africano.
A prova foi complexa e exigia uma boa preparação dos candidatos para resolvê-la. Pediu definições muito abrangentes e comandos muito abertos (não assertivos), o que pode ter trazido certa dificuldade para o aluno. Já os assuntos cobrados foram clássicos: evolução, parasitologia e impacto do ser humano nos ecossistemas.
Já as questões de Matemática foram diretas, sem contextualização e cobrando assuntos clássicos, como trigonometria, matriz, geometria espacial. “Em suma, conteúdos matemáticos muito importantes, porém básicos – já que era uma prova que deveria ser feita por todos os candidatos. Por isso, não foi tão extensa ou trabalhosa”, disse Santos.
Os alunos dos cursos de Ciências Exatas tiveram cobrança de assuntos clássicos de física, como cinemática, hidrostática, elétrica, calorimetria e ótica.

Escrito por:

Gilson Rei