Publicado 12/01/2020 - 13h01 - Atualizado // - h

Por Francisco Lima Neto

Roberto Pinto de Moura: iniciou psicanálise para o autoconhecimento

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Roberto Pinto de Moura: iniciou psicanálise para o autoconhecimento

Campinas se despediu na última quinta-feira, dia 9, de Roberto Silveira Pinto de Moura, que morreu aos 94 anos. Ele nasceu na cidade em 23 de junho de 1925. Foi o primeiro psicanalista da cidade e um dos fundadores do Departamento de Psicologia Médica da Unicamp. Era viúvo de Maria da Rocha Pinto de Moura, deixa quatro filhos, sete netos e três bisnetos.
A vida profissional de Moura não seguiu um roteiro. Queria ser advogado, atuou como jornalista, estudou medicina e se destacou como psiquiatra. Costumava dizer que veio ao mundo em 1925, mas nasceu de verdade em 1946, quando passou a frequentar as redações dos jornais Diário da Noite e Diário de São Paulo. “Até então, eu não sabia o que era a vida”, disse uma vez, em entrevista.
Aos 21 anos foi para São Paulo trabalhar como jornalista para bancar os estudos na Escola Paulista de Medicina. Nesta época, dizia, passou a conhecer os dois lados da sociedade: o glamuroso e o perverso. Ia aos museus e festas chiques e também às favelas.
Foi escalado para cobrir a Câmara Municipal e se tornou amigo do então vereador Jânio Quadros[INTERTITULO].

Personalidade
O tempo de jornalismo também pesou na decisão pela área. O contato com as misérias humanas o fez querer entender os distúrbios de personalidade e suas causas. Ele voltou à Campinas e começou a trabalhar no hospital dirigido pelo psiquiatra Bierrembach de Castro. Na época ainda se usava camisa de força e eletrochoque. O que não o agradava muito.

Ensino
Moura foi professor das Faculdades de Psicologia e de Medicina da PUC-Campinas e Unicamp, nas quais se dedicou ao ensino da Psicanálise. Pioneiro, foi chamado pessoalmente para o cargo por Zeferino Vaz.
Cristiane Maretti Marangoni Valli, atual diretora da Faculdade de psicologia da PUC-Campinas, foi aluna de Moura e relembrou o mestre. “Um homem culto, que exercia a docência com dedicação e maestria. Um pioneiro da psicanálise e da psicologia em Campinas. Um incansável admirador da ciência e do conhecimento, O enterro se deu no Cemitério Parque das Aléias, em Campinas.

Escrito por:

Francisco Lima Neto