Publicado 05/01/2020 - 09h50 - Atualizado 05/01/2020 - 09h50

Por Gilson Rei

Escorpiões vivem em redes de esgoto, onde há umidade, e se alimentam de baratas e outros insetos

Cedoc/RAC

Escorpiões vivem em redes de esgoto, onde há umidade, e se alimentam de baratas e outros insetos

O número de picadas e acidentes com escorpiões aumentou 162,6% nos últimos três anos em Campinas - que registrou 509 acidentes no ano passado contra 190 registros em 2017. Em 2018 aconteceram 326 casos envolvendo o animal. O levantamento da Secretaria de Saúde de Campinas não revela o número de mortes ocorridas nos últimos anos, mas deixa evidente que o crescimento anual é cada vez maior na incidência de picadas de escorpiões e isto preocupa a população e os especialistas porque pode ser fatal.
O escorpião, animal pré-histórico indesejado e bastante temido, é um aracnídeo difícil de ser eliminado e está cada vez mais presente nas áreas urbanas. Para se ter uma ideia da maior presença do escorpião, em uma década o aumento de picadas em Campinas foi de 597,2%, pois saltou de 73 casos registrados em 2009 para 509 no ano passado.
Especialistas afirmam que diversos fatores podem estar relacionados a este fenômeno, incluindo o aquecimento global, que podem gerar um aumento no processo reprodutivo destes aracnídeos em todo o Brasil. Na cidade vizinha de Americana, por exemplo, a Vigilância Sanitária capturou 20 mil escorpiões em 2019, a maior parte em cemitérios, um volume 40% maior em relação ao ano anterior.
Agentes da Vigilância Sanitária da Prefeitura de Campinas realizam também um trabalho de limpeza contínuo nas áreas suscetíveis, principalmente em cemitérios e locais próximos a ferros-velhos, entulhos e terrenos com lixo, entre outras áreas de maior incidência do aracnídeo.
Apesar disso, os moradores de todas as regiões do município devem se prevenir ainda mais em suas residências no Verão - período quente e chuvoso, que apresenta sempre um volume maior de picadas. Especialistas dizem que o uso de inseticidas não é recomendado, pois pode, na verdade, aumentar o aparecimento do animal e até provocar um acidente porque o aracnídeo fica mais agitado e agressivo.
As espécies encontradas em Campinas são a do escorpião amarelo (Tityus serrulatus) e a do escorpião marrom (Tityus bahiensis). A picada da espécie Tityus serrulatus é mais grave porque ele inocula mais veneno.
A gravidade dos acidentes varia de acordo com alguns fatores. A quantidade de veneno injetado na pessoa, bem como a idade e peso da vítima podem fazer a diferença. O veneno atua no sistema nervoso. Os sintomas são, principalmente, dor intensa, queda na temperatura do corpo e aceleração da pulsação. Nos casos mais graves, além da anestesia local, o paciente recebe soro antiescorpiônico. Em caso de picada, é preciso sempre ir até um hospital ou alguma unidade de saúde o mais breve possível.
Perigo mora em casa
Os escorpiões vivem, geralmente, em redes de esgoto, onde há umidade e insetos em abundância. Alimentam-se essencialmente das baratas, mas isso não significa que não possam se alimentar de outros insetos, como grilos e gafanhotos.
Segundo a médica veterinária Tosca de Lucca, os meses de Primavera e Verão coincidem com a fase reprodutiva de animais peçonhentos, incluindo os escorpiões, que acabam desabrigados com as inundações. Os escorpiões aparecem nestes períodos em maior número também porque cresce o volume de água nas redes de escoamento.
A veterinária comentou que é fundamental a população manter os quintais livres de entulhos e restos de materiais de construção porque os escorpiões procuram se abrigar nos locais que acumulam estes resíduos. É importante também vedar ralos e fechar frestas para evitar que os escorpiões entrem nas casas.
Também é possível que os animais entrem em casa pelo ralo ou por frestas nas portas e janelas, se escondendo, posteriormente, no meio das roupas ou dentro de calçados. Quem mora em apartamento também deve ficar atento. O escorpião não consegue subir em superfícies lisas, mas sobe em superfície mais áspera, como as paredes de reboco.
Primeiros Socorros contra picada de escorpião:
Não sugar o veneno.
Não esprema o local da picada.
Não dar nada alcoólico, querosene ou fumo para o acidentado.
Não fazer torniquete, impedindo a circulação do sangue: isso pode causar gangrena ou necrose local.
Não cortar ou queimar o local da ferida.
Não fazer aplicação de folhas, pó de café ou terra sobre a ferida, sob o risco de infecção.
Manter a pessoa em repouso, evitando o seu movimento para que não favoreça a absorção do veneno.
Manter o local da picada para cima, se possível (braço, perna).
Localizar a marca da picada e limpar o local com água e sabão ou soro fisiológico.
Cobrir o local com um pano limpo.
Remover anéis, pulseiras e outros objetos que possam prender a circulação sanguínea, em caso de inchaço do membro.
Levar a pessoa imediatamente para o pronto-socorro mais próximo ou ligar para o serviço de emergência.
Tentar identificar que tipo de animal atacou a vítima, observando cor, tamanho e características dele.
Se possível, levar o animal causador do acidente para identificação.
No caso de acidentes causados por escorpiões, aranha armadeira e viúva-negra, recomenda-se fazer compressas mornas no local e analgésicos para alívio da dor.
Criação de galinhas é prevenção alternativa
Criação de galinhas no Jardim do Lago: forma de evitar o escorpião
As galinhas são bastante utilizadas pela população como “predadoras” do escorpião e a criação destas aves podem ser uma boa opção de prevenção alternativa. Especialistas afirmam que esta prática pode auxiliar, mas não resolve, por exemplo, no período noturno, afinal estas aves possuem hábitos diurnos, ao contrário do aracnídeo.
A cozinheira Edna Batista, por exemplo, moradora do Jardim do Lago, em Campinas, disse que as galinhas ajudam muito a combater e a evitar a visita indesejada dos escorpiões. Ela tem 12 galinhas e três galos no quintal de casa, que percorrem também o corredor lateral da casa. “Faz mais de cinco anos que eu crio galinhas e aqui em casa nunca mais apareceu escorpião”, afirmou.
Edna contou que foi picada há seis anos por escorpião antes de decidir pela criação de galinhas. “Eu sofri muito e passei mal, mas consegui evitar a morte porque fui atendida rapidamente no hospital”, disse. “Depois disso, soube que as galinhas eliminam os ovos dos escorpiões e comem também o animal, evitando que se escondam pelos cantos do quintal e da casa”, afirmou.
Elivelton Santos, motorista que reside no Parque Oziel, em Campinas, disse que sempre teve este costume de criar galinhas para evitar escorpiões. “Aprendi isto no sítio que eu nasci em Andradas, Minas Gerais. Meus avós já tinham percebido que os escorpiões não tinham vez contra as danadinhas”, comentou Santos.
Acidentes com escorpiões
2007 ............17 ocorrências
2008 ............40 ocorrências
2009 ............73 ocorrências
2010 ............71 ocorrências
2011 ............86 ocorrências
2012 ...........114 ocorrências
2013 ...........101 ocorrências
2014 ...........142 ocorrências
2015 ...........134 ocorrências
2016 ...........208 ocorrências
2017 ...........190 ocorrências
2018 ...........326 ocorrências
2019 ...........509 ocorrências
Fonte: Secretaria de Saúde de Campinas
SAIBA MAIS
O escorpião é um animal invertebrado artrópode (com patas formadas por vários segmentos) que pertence à ordem Scorpiones estando enquadrado na classe dos aracnídeos. Scorpiones é a ordem de artrópodes aracnídeos terrestres que reúne cerca de 2 mil espécies de escorpiões que apresentam comprimento de 10cm a 12cm, corpo alongado e quelíceras com três artículos. São animais geralmente discretos e noturnos, escondendo-se durante o dia em redes de esgotos ou sob troncos e cascas de árvores.

Escrito por:

Gilson Rei