Publicado 23/12/2019 - 15h16 - Atualizado // - h

Por Adriana Menezes

O câncer de pele tem alto índice de cura, cerca de 90%, e pode ser evitado a partir de cuidados diários

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O câncer de pele tem alto índice de cura, cerca de 90%, e pode ser evitado a partir de cuidados diários

Para quem mora num país tropical abençoado pelo sol quase o ano inteiro, a exposição à grande estrela faz parte da rotina diária. É um privilégio, pode-se dizer. Mas é aí que mora o perigo. O mesmo sol amigo que nos bronzeia também pode provocar câncer de pele, o que tem maior incidência no Brasil. São 180 mil casos novos por ano, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Criada em 2014 pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, a campanha Dezembro Laranja promove este como o mês nacional de combate ao câncer de pele, que tem o objetivo de divulgar formas de prevenção a partir de hábitos que podem ser incorporados por todos.

O câncer de pele tem alto índice de cura, cerca de 90%, e pode ser evitado a partir de cuidados diários, desde os primeiros anos de vida. “Acho uma iniciativa muito importante para conscientizar a população”, diz a dermatologista Patrícia Sotero, que diz ser muito comum receber pacientes com lesões na pele que nem imaginam que podem ter um câncer de pele, ou seja, uma lesão maligna.

A médica realiza anualmente o atendimento voluntário durante o Dezembro Laranja, que este ano foi gratuito nos hospitais universitários da PUC-Campinas e da Unicamp, em dois dias diferentes no início do mês. Segundo Patrícia, o atendimento incluía até exames de biópsias e pequenas cirurgias para retirada de lesões. “Nestes dias de atendimento, é muito comum diagnosticarmos o câncer de pele”, confirma a médica, que há cinco anos contribui com a campanha.

Todos os dias

Para se prevenir da doença, diz a dermatologista, o cuidado básico é fazer a proteção constante ao sol, evitando, por exemplo, a exposição das 10h às 15h. “Isso também é importante”, insiste Patrícia. “No Brasil, o índice de radiação é muito alto”, fala a médica, referindo-se à localização do território brasileiro próximo à linha do Equador, o que faz com que o País tenha alta incidência de sol durante o dia, variando muito pouco nas quatro estações. O país recebe mais de 3 mil horas de brilho de sol ao longo do ano, segundo dados do Atlas Brasileiro de Energia Solar.

A dermatologista afirma que não se deve descuidar. “Precisa passar filtro solar todos os dias, desde criança.” Aquelas situações em que a exposição ao sol chega a provocar vermelhidão – queimaduras solares – e às vezes até formar bolhas devem ser evitadas. “Se isso acontecer com frequência na infância, por exemplo, aumentam os riscos do câncer de pele na vida adulta”, alerta a médica.

Usar chapéu para proteger o couro cabeludo e roupas especiais com fator de proteção, ou roupa comum que faça uma barreira física ao sol, não é exagero. A grande maioria dos casos de câncer de pele está relacionada à exposição ao sol. Este é o câncer não melanoma, que corresponde a cerca de 30% dos tumores malignos registrados no Brasil. Já o câncer de pele do tipo melanoma está mais relacionado a fatores genéticos.

Proteção

É muito comum, diz Patrícia, lesões cutâneas entre trabalhadores rurais ou entre pessoas que trabalham em atividades que as deixam expostas ao sol. “Usar mangas compridas, óculos e chapéu ajudam a prevenir nestes casos.”

Não existe faixa etária para a manifestação do câncer de pele. Ele pode acometer a pessoa de qualquer idade, mas os casos não melanoma são mais comuns a partir dos 30 anos. Isso não quer dizer que somente a partir desta idade devem começar os cuidados preventivos. “A exposição da criança pode provocar a doença na vida adulta. Precisa usar filtro solar e evitar a exposição inadequada desde cedo”, alerta.

Patrícia acha que a consciência dos brasileiros sobre estes cuidados tem aumentado nos últimos anos, à medida que alguns destes hábitos já se tornaram rotina na vida de muitos. Ela, por exemplo, usa luva para dirigir na estrada. “Eu uso protetor até dentro de casa. Não é exagero.” Durante o Verão, especialmente, é preciso lembrar que, ao sair da piscina (ou do mar), deve-se reaplicar o protetor em todo o corpo, ou seja, nas áreas expostas ao sol. A cada duas horas é preciso também reaplicar.

O câncer não melanoma – causado pela exposição ao sol – em geral é menos grave e quase sempre aparece nos membros superiores (braços), couro cabeludo, rosto e pernas. “Não é comum dar metástase, e o tratamento quase sempre é cirúrgico, precisa retirar a lesão. Já o câncer melanoma é mais grave, com letalidade maior, e pode dar metástase, espalhando para outras partes do corpo. Esse normalmente aparece no tronco.” Também no caso melanoma, cuja causa é multifatorial e genética, muitas vezes o tratamento exige mais que a cirurgia.

CÂNCER DE PELE (não melanoma)
Primeiros sinais
- Lesão avermelhada na pele (como um machucado) em áreas expostas ao sol
- Ferimento que não cicatriza ou lesão que aumenta de tamanho
- Fácil sangramento de lesão
- Aparecimento de pintas, especialmente pintas que aumentam de tamanho ou que causem algum incômodo

Cuidados preventivos ao câncer de pele
- Evitar a exposição ao sol das 10h às 15h
- Usar filtro solar cm proteção mínima de 30ftp
- Usar chapéu ou boné
- Usar roupa cm fator de proteção ou roupa comum que crie barreira ao sol (que cubra a pele)
- Ir ao menos uma vez por ano ao dermatologista – avaliar pintas e checar pele em geral

Escrito por:

Adriana Menezes