Publicado 14/12/2019 - 16h23 - Atualizado 14/12/2019 - 16h23

Por Da Agência Anhanguera

Parque Floresta traz relatos que contam a história de pessoas que são, por vezes, marginalizadas

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Parque Floresta traz relatos que contam a história de pessoas que são, por vezes, marginalizadas

Falar sobre o homem gay, suas histórias, sua essência individual e coletiva, sua humanidade é o foco do espetáculo Parque Floresta, mais recente espetáculo da Cia. Corpo Santo, que estreia hoje, no CIS Guanabara. A nova montagem é resultado de um dos projetos em parceria com o CIS Guanabara, no qual a companhia abre as suas portas para receber artistas da região e possibilita a participação destes no processo criativo do grupo. A temática central de Parque Floresta é o homem gay.
Por meio de relatos ficcionais ou não, o espectador entrará em contato com a história desse parque e das pessoas que o frequentam.
Para o diretor, Douglas Chaves, a sociedade tem passado por transformações constantes, mas muito há ainda para ser avançado. “Foram feitos muitos progressos nas últimas décadas no que tange a participação das minorias em ações de cidadania. Porém, em contrapartida, é necessário apontarmos que nos últimos tempos, há um ressurgimento de tendências conservadoras”, coloca.
E explica que o foco no homem gay está relacionado com as vontades do grupo. “Desde sempre trazemos temas diversos às nossas peças; ora de forma poética, ora de forma mais explícita, porém, a imagem humana com todas as suas facetas e possibilidades sempre foram as inspirações para as nossas pesquisas e formação dos espetáculos”, observa. “O tema homossexualidade, uma vez que é parte da humanidade, também apareceu em nossas produções. No entanto, dessa vez, optamos por fazer o caminho inverso. Ao invés de o homem gay ser uma temática aparente, agora ele é o foco, e a sua humanidade é esmiuçada na peça.”
Segundo Chaves, nesse sentido, o Parque Floresta se torna uma alegoria que representa esses homens e as suas vontades. O parque é o local em que as personagens se sentem livres para serem aquilo que a sociedade reprime. O diretor cita que o espetáculo também possui uma geografia própria que está relacionada ao Parque Floresta e as pessoas que contam as histórias.
“Essa geografia pode se relacionar com as diferentes funções que cada local possui, com as personagens que estão ligadas a esses locais e até mesmo pode ser uma figuração do nosso país e as suas regionalidades, aponta. “Parque Floresta inova ao humanizar personagens que muitas vezes se tornam marginalizadas. Fala de pessoas que são rotuladas constantemente, mas que na verdade carregam histórias, medos, vontades e inseguranças que são comuns a todos os seres humanos.”
Para Chaves, Parque Floresta reflete as angústias de uma camada da sociedade que vem se escondendo há anos e sofrendo ataques daqueles que se acham no direito de interferir na liberdade alheia. “É um grito desesperado para se fazer ouvir, se fazer entender. Falar sobre algo tão latente em dias sombrios é um desafio e tanto, um resgate de nossa coragem tão fragilizada. Porém, nos vimos na necessidade de insistir em falar sobre esses tempos, fugir disso seria um erro com a história dessa trupe de artistas que sempre ousou em trazer até o público o que há de mais obscuro nas relações humanas”, completa o diretor.
AGENDE-SE
O quê: Parque Floresta
Quando: Hoje e amanhã, às 19h
Onde: CIS Guanabara (Rua Mario de Siqueira, 830, Botafogo).
Quanto: Entrada franca, com contribuição espontânea no chapéu (distribuição de senha com uma hora de antecedência)

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Da Agência Anhanguera