Publicado 21 de Dezembro de 2019 - 17h01

Por Francisco Lima Neto

A professora Auzenda Frattini nos dias de hoje, em Brasília, onde mora

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A professora Auzenda Frattini nos dias de hoje, em Brasília, onde mora

A professora Auzenda Frattini, conhecida por ter lecionado na Escola Estadual Culto à Ciência, em Campinas, durante 25 anos, completou 100 anos de vida no último dia 10 de dezembro. Ela dedicou a vida ao aprendizado e à Educação. Para manter a mente sadia, estuda espanhol semanalmente. Auzenda é um exemplo de dedicação e lição de esforço.

A centenária nasceu no distrito de Cordeiro, então município de Limeira, atualmente, Cordeirópolis. Apesar de ter nascido no dia 10, o registro leva a data de cinco dias depois. Ela fez o curso primário na Escola Alemã, depois prestou exame de admissão para o Culto à Ciência e foi aprovada com louvor, em 1931. Lá, cursou o ginásio, que equivale aos últimos anos do atual Ensino Fundamental. Nessa passagem nascia seu profundo amor e respeito pelo Culto à Ciência.

Na mesma época, passou a estudar no Conservatório Gomes Cardim, dirigido pela professora Catarina Iglesias Soares. Foi lá que se tornou pianista. Trabalhou no teatro, fazendo parte do elenco da ópera Lo Schiavo.

Assim que terminou os estudos, foi embora para a capital do Estado para frequentar a Faculdade de Matemática. Com a conclusão do curso, ingressou no magistério paulista por meio de concurso público. Muito bem-sucedida na carreira, deu aulas em São José do Rio Preto, Bauru e Itapira. No entanto, o amor e devoção ao Culto à Ciência nunca saíram do coração. O colégio, à época, era o mais conceituado de todo o Estado de São Paulo.

Em 1950, seu grande sonho foi realizado e Auzenda passou a ser uma respeitada professora de matemática do Culto à Ciência. Seus alunos foram campeões estaduais das Olimpíadas de Matemática na década de 1960. Seu sonho na escola durou 25 anos.

Como sempre foi dedicada ao conhecimento, ao mesmo tempo em que dava aulas no famoso colégio campineiro, no período da tarde e da noite, ela ingressou na primeira turma da Faculdade de Direito da Puc-Campinas, na parte da manhã, onde se formou em 18 de março de 1957, junto com seu irmão, Amaury Frattini, hoje com 90 anos.

Os dois se tornaram sócios e abriram um escritório no terceiro andar do edifício Totó Valente, na Avenida Francisco Glicério, que atendeu até o ano de 1971. Ela parou com o Direito para cuidar dos pais. Já o irmão foi eleito vereador de Campinas em 1968 pela primeira vez.

A mestre e advogada, dedicada aos pais, nunca se casou ou teve filhos, e se mudou para Brasília, após a morte do pai, Mário Frattini. Na capital federal, sua irmã Áurea Frattini Gonçalves Ramos e dois sobrinhos, todos médicos, assistiam sua mãe, Sophia Hubner Frattini. A professora e a outra irmã, Rosa Frattini, também desfrutavam desses cuidados médicos. Os sobrinhos, aliás, mantêm os cuidados médicos até hoje.

Atualmente, mantém uma boa capacidade mental, lucidez e limitações físicas naturais para a idade. O exercício mental é frequente, com aulas semanais de língua espanhola.

Para comemorar o aniversário especial, que é um marco, familiares de vários lugares vão se concentrar no Hotel Hotsprings, em Caldas Novas, em Goiás, nesta semana do Natal. Mais de 50 pessoas são esperadas para o grande dia.

 

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Francisco Lima Neto