Publicado 21/12/2019 - 17h11 - Atualizado 21/12/2019 - 17h16

Por Francisco Lima Neto

Juraci Rosa dos Santos: se os ganhos aumentarem, quer trocar o regador pela mangueira para aguar a roça

Wagner Souza/AAN

Juraci Rosa dos Santos: se os ganhos aumentarem, quer trocar o regador pela mangueira para aguar a roça

Um grupo de mulheres agricultoras, que produz alimentos orgânicos em um pré-assentamento de Limeira e os distribui em Campinas, está com uma vaquinha virtual em andamento para a compra de uma kombi. O veículo vai proporcionar autonomia e incremento de renda para o coletivo.
O nome da vaquinha virtual é "Uma kombi para as mulheres do campo", e pretende arrecadar R$ 15 mil para a compra do veículo. O grupo se organizou em 2016 para o escoamento da produção de alimentos saudáveis e sem agrotóxicos. O trabalho dessas mulheres leva renda e sustento para as famílias e contribui para a alimentação saudável das famílias de Limeira e Campinas, além de promover um mercado justo e solidário.
O coletivo produz alimentos com os fundamentos da agroecologia. Para a produção realizada nos lotes, elas utilizam fumo e outras receitas naturais para combater as pragas. Também produzem as próprias sementes e mudas. "Elas produzem com respeito à natureza, intercalando a produção com grande diversidade, com plantas e flores", explica o estudante de economia João Luis Abreu, de 21 anos, consumidor articulador.
O consumidor articulador ajuda na divulgação do grupo, coordena os locais onde os produtos serão entregues, ajuda na comunicação com os demais consumidores, entre outras tarefas.
O grupo produz diversos tipos de alface, couve, berinjela, beterraba, batata-doce, cenoura, feijão andu, feijão de corda, abacaxi, banana, jaca, milho, tomatinho, jiló. Também cultivam plantas alimentícias não convencionais (plancs), como peixinho, ora-pro-nóbis, coentro nordestino e capuchinha. São mais de 100 variedade de alimentos produzidos totalmente de forma orgânica.
De acordo com o estudante, tudo é feito em rede. "A gente se encontra na cidade, em uma casa ou restaurante. O pagamento é feito de forma adiantada e o consumidor vai lá buscar os produtos. É a ideia do consumo responsável. Saber de quem vai consumir. Faz sentido consumir delas. Com a renda elas têm mais liberdade, não ficam subordinadas. Isso combate, inclusive, a violência doméstica", afirma. Outro ponto positivo é o preço acessível. O saquinho de limão custa, em média, R$ 7,50 no mercado atualmente, mas o grupo vende por R$ 3 o ano todo.
Os alimentos são distribuídos em Limeira e em Campinas. Na primeira cidade há duas formas. Uma delas é por meio de cestas que custam R$ 12, R$ 15 e R$ 20, de acordo com o tamanho. Elas já ficam prontas e higienizadas desde o pré-assentamento. As cestas contêm raízes, legumes, folhas para salada, folhas para serem refogadas, frutas e tempero. Elas são entregues semanalmente em locais articulados pelos consumidores. São cerca de 40 pessoas que fazem parte dessa espécie de clube.
A segunda forma de oferta é por meio da feira, que tem cerca de 30 clientes. As agricultoras enviam os alimentos para o ponto de distribuição e os clientes escolhem o que querem até o limite do valor pago anteriormente.
Todos os pagamentos são feitos antes para que elas possam ter controle sobre a produção, de acordo com o que será vendido, evitando desperdício.
Em Campinas são entregues cerca de 60 cestas quinzenais. Cada participante para R$ 50 por mês, já que cada cesta tem o custo de R$ 20, mais a taxa de R$ 5 por entrega feita a cada duas semanas na região da Praça do Coco, em Barão Geraldo.
Daí a importância da kombi. Atualmente, elas dependem de um terceiro para escoar a produção. O que eleva o custo, limita a área de atuação e tira a autonomia, já que elas nunca sabem se vão conseguir fazer a entrega da semana seguinte.
"Tem uma ameaça dessa pessoa não poder continuar com a entrega e isso iria reduzir muito a renda delas. Se elas têm uma kombi, podem entregar em qualquer lugar, fazer visitas, participar de encontros. Elas terão potencial de crescimento. Não vão depender de um lugar para fazer a entrega. Podem parar a kombi e distribuir", comenta Abreu.
A agricultora Juraci Rosa dos Santos, de 43 anos, diz que com a Kombi tudo será diferente. "Vai melhorar 100% o financeiro porque vamos gastar menos com o transporte. Sobrando uma graninha extra a gente pode investir na produção. Hoje, a gente está no limite. Não temos infraestrutura para a produção", explica.
Ela usa um regador para manter a produção de alimento. Se começar a sobrar um pouco de dinheiro após a compra da Kombi, pretende comprar uma mangueira para a fazer a irrigação. "A água chega de caminhão-pipa e eu ainda tenho de usar para a casa, com o marido e os quatro filhos", diz.
A vaquinha vai até a próxima terça-feira. Até agora foram arrecadados 78% da meta. As contribuições partem de R$ 10 e vão até R$ 400. Para cada uma delas há uma recompensa, como visita ao pré-assentamento para um café da tarde especial e para conhecer o processo de produção até a casa do cliente, oficina de agroecologia, oficina de compostagem, entre outros.
Mais informações podem ser obtidas no site https://www.kickante.com.br/campanhas/uma-kombi-mulheres-do-campo. Quem tiver interesse em fazer parte dos consumidores de Campinas pode entrar em contato com João Luis Abreu no telefone (11) 97013-9409.
 

Escrito por:

Francisco Lima Neto