Publicado 21 de Dezembro de 2019 - 17h16

Por Agência Anhanguera

Vestibular Unicamp: análise dos dados numa série de 10 anos (até 2015) mostra que o Coeficiente de Rendimento (CR) dos alunos é semelhante

Cedoc/RAC

Vestibular Unicamp: análise dos dados numa série de 10 anos (até 2015) mostra que o Coeficiente de Rendimento (CR) dos alunos é semelhante

Os alunos que ingressaram na Graduação da Unicamp por meio das políticas de inclusão têm rendimento equivalente ao dos demais alunos da universidade. Um estudo desenvolvido pela coordenadoria de pesquisa da Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest) chegou a esta conclusão. Os dados foram apresentados no evento World Access to Higher Education Day (Dia Mundial do Acesso ao Ensino Superior, em tradução livre), no final de novembro, e servem para a avaliação de medidas iniciadas em 2005, com o Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social (Paais), seguido pelo Programa de Formação Interdisciplinar Superior (ProFIS) em 2011.

A análise descritiva dos dados numa série de 10 anos (até 2015) mostra que o Coeficiente de Rendimento (CR) padronizado dos alunos, ou seja, o desempenho dos estudantes de acordo com a média da turma, é muito semelhante nas áreas de exatas e tecnológicas, engenharias, artes, biológicas e saúde, e humanas. Estudantes que receberam bonificação Paais estão, geralmente, acima da linha zero do CR padronizado, o que significa desempenho similar ou melhor que os demais.

Uma outra parte do estudo analisou os alunos que cursaram as disciplinas Cálculo I ou Geometria Analítica para os que ingressaram entre 2009 e 2017. O responsável pelo estudo, professor Rafael Maia, explica que são disciplinas comuns a todos os estudantes dos cursos de exatas e que costumam ter uma taxa de reprovação mais elevada. “Nesse caso, o objetivo foi entender o que poderia estar associado com a chance de ser aprovado nessas disciplinas de primeiro ano”, ressaltou.

Os gráficos apresentados mostraram que a nota do aluno nas provas de matemática no vestibular é decisiva para a aprovação nas disciplinas, seja o estudante oriundo de políticas de inclusão ou não. Outras variáveis inseridas apontam, por exemplo, que alunos que ingressaram a partir da sexta chamada do vestibular, ou filhos de pais com menor grau de instrução, têm mais dificuldade de aprovação nas mesmas matérias.

O desempenho nessas disciplinas está sendo analisado num estudo mais aprofundado, desenvolvido por Maia em conjunto com a professora Hildete Pinheiro, também do Departamento de Estatística do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica da Unicamp, além do professor Eufrásio de Lima-Neto, da Universidade Federal da Paraíba. O estudo deverá ser publicado como artigo científico.

“Mas nesse novo estudo, além de olharmos descritivamente para esses dados, apresentamos uma modelagem estatística para analisar as chances dos estudantes serem aprovados nas disciplinas em algum momento. Mostramos que quando se inserem outras variáveis, além do desempenho no vestibular e as questões socioeconômicas, os alunos Paais não têm menores chances de serem aprovados”, observa.

Maia explica que as políticas de acesso não determinam o desempenho do aluno na Graduação. “No modelo, se comparamos dois indivíduos com perfil semelhante de notas no vestibular e questões socioeconômicas, o Paais não determina se o desempenho do aluno será pior ou melhor”.

A vantagem da modelagem é, segundo o coordenador da pesquisa, conseguir levar em conta todas as variáveis evitando generalizações. “Consigo avaliar se o que tem mais peso é a renda ou o grau de instrução familiar. Se é o desempenho do aluno em matemática ou o fato dele ter vindo de uma escola pública ou particular ”.

Resultados preliminares do estudo já apontam que os alunos que receberam bonificação Paais vão melhor que outros estudantes com mesmo perfil socioeconômico e desempenho em matemática no vestibular. “Isso nos leva a crer que uma atenção especial tem que ser dada ao aluno, não porque ele veio da inclusão, mas porque ele tem um baixo desempenho em matemática”, reflete o professor.

Dados sobre as políticas mais recentes, como a de cotas étnico-raciais, ainda estão sendo analisados. “Nossas políticas têm sofrido modificações que alteraram o perfil dos ingressantes nos últimos anos. Precisamos ainda olhar para esses dados”, pontua Maia.

*Com informações da Unicamp

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Agência Anhanguera