Publicado 15/12/2019 - 01h45 - Atualizado 15/12/2019 - 01h45

Por Da Agência Anhanguera

A base industrial da RA de Campinas chama atenção pela diversidade

Cedoc/RAC

A base industrial da RA de Campinas chama atenção pela diversidade

A Região Administrativa de Campinas (RA) — que compreende 90 cidades — se destaca no Estado de São Paulo por conta da força empreendedora e estrutura econômica diversificada. Essa é a conclusão de um estudo inédito divulgado pelo Desenvolve SP (o Banco do Empreendedor, instituição financeira do Governo de São Paulo) sobre as características econômicas das 16 RAs do Estado. De acordo com o governo, o objetivo do estudo é que o público conheça ainda mais as características específicas da sua respectiva região e, dessa forma, possa utilizá-las, entre outros aspectos, para empreender de forma mais assertiva e planejada.
O estudo, encomendado à Fundação Seade, identificou as potencialidades, desafios e oportunidades das 16 regiões. Para realizar a análise dos setores estratégicos foram considerados indicadores importantes ligados à Competitividade Regional (geração de empregos), ao Porte das Empresas Locais (por empregados), Dinamismo (faturamento das empresas) e ao Índice Paulista de Responsabilidade Social (IPRS). Anúncios de investimentos produtivos divulgados na imprensa também fizeram parte do estudo e ajudaram a apontar tendências setoriais e regionais da economia paulista.
A força empreendedora da Região Administrativa de Campinas chama atenção em todo o País. A RA tem a estrutura da economia bastante diversificada e uma base industrial que vai desde as mais tradicionais até as mais especializadas, que envolvem ciência e tecnologia. A região também conta com agricultura moderna e integrada à indústria, e um setor de serviços sofisticado, associados às dinâmicas industrial e urbana regionais.
A região é cada vez mais atraente para empresas que buscam se beneficiar do ambiente produtor de conhecimento específico e de inovação tecnológica gerado por esse polo de produção tecnológica formado pela grande concentração de centros de pesquisa e universidades públicas e privadas, destaca o Mapa da Economia Paulista.
A RA ainda abrange dez dos 12 polos de desenvolvimento criados pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico para incentivar os setores produtivos da região. São eles: Alimentos e Bebidas; Automotivo; Biocombustíveis; Derivados do petróleo e petroquímicos; Metal-Metalúrgico, Máquinas e Equipamentos; Papel, celulose e reflorestamento; Químico, borracha e plástico; Saúde e Farma; Tech (Agritech, Aeroespacial, Serviços Tecnológicos); e Têxtil, vestuário e acessórios.
"Os municípios de Campinas e região contam com um ambiente que favorece o desenvolvimento de projetos disruptivos e de alta complexidade tecnológica. Além disso, a RA apresenta condições demográficas bastante positivas como concentração populacional, População em Idade Ativa (PIA) e bons indicadores do Índice Paulista de Responsabilidade Social (IPRS), características que contribuem para geração de mão de obra das empresas e fortalecem a economia da região”, destaca Nelson de Souza, presidente da Desenvolve SP.
Empregos
O estudo traz ainda dados referentes à geração de emprego nas indústrias, colocando como destaque os segmentos de alimentos e de material de transporte — que englobam montadoras de veículos e fábricas de autopeças. Juntos, os dois setores correspondem a quase 30% do total de empregos formais na RA.
Os setores com maior percentual de empregos com Ensino Médio completo mais superior incompleto são os setores de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e óticos, veículos automotores, reboques e carrocerias. Além disso, 78,8% do emprego industrial na região de Campinas se concentram nos setores competitivos selecionados.
Entre 2010 e 2017, a indústria anunciou US$ 10,10 bilhões e serviços, US$ 8,49 bilhões. (Com informações do Desenvolve SP)
Estudo ajuda a pautar estratégias para impulsionar setor
Segundo Nelson de Souza, presidente da Desenvolve SP, o estudo vai pautar a instituição financeira na definição de estratégias para impulsionar a indústria paulista nos próximos anos. "Por ser uma agência de fomento, a Desenvolve SP está sempre atenta às necessidades das micro, pequenas e médias empresas. Nossa intenção é usar as informações obtidas pelo estudo, como base para criar produtos e iniciativas que incentivem cada vez mais o desenvolvimento planejado da economia estadual", diz.
Entre as oportunidades mapeadas pelo estudo na R.A de Campinas, a inovação é o grande destaque — não apenas nos setores estratégicos já consolidados, mas também entre os dinâmicos. "Indústria eletrônica, química, automobilística, tecnologia de informação e comunicação, máquinas e equipamentos e informática são alguns dos que aparecem com maior potencial", comenta Souza.
A diversidade dos produtos exportados — bem como suas respectivas altas intensidades tecnológicas — também é apontada como grande oportunidade para dinamização da economia local e geração de empregos. A região de Campinas já é responsável por 16,7% do volume de exportações do estado. Além disso, a eventual ampliação do Aeroporto Internacional de Viracopos também se mostra como uma janela de oportunidade para novos empreendimentos de natureza diversa.
Vale ressaltar, porém, que o crescimento acelerado da indústria local pode acentuar ainda mais alguns dos gargalos que existem de infraestrutura, sobretudo na área de transportes, logística e recursos hídricos, apontados pelo estudo como fraquezas da região.
PONTOS FORTES DA REGIÃO
Segunda maior concentração populacional do Estado: 6,8 milhões de habitantes.
Mais de 50% dos municípios registram alta populacional acima da média do Estado.
PIA (População em Idade Ativa) deverá corresponder a 5,1 milhões de pessoas em 2030.
Base industrial com atividades desde tradicionais até as mais intensivas em ciência e tecnologia, como eletrônica, química, automobilística, tecnologia de informação e comunicação, máquinas e equipamentos, informática.
Setores com taxas de inovação superiores à média do Estado.
Diversidade na pauta de exportações.
Mais da metade das exportações se concentra nos setores de alta e média alta intensidade tecnológica: automobilística, farmacêutica, tintas e vernizes e autopeças.
Excelência e diversificação dos centros de pesquisa e universidades públicas e privadas, atraindo empresas interessadas em um ambiente produtor de conhecimento científico e inovação tecnológica, além de poder contar com mão de obra especializada disponível na região.
Instituições de pesquisa com produções científicas e tecnológicas reconhecidas internacionalmente nas áreas de tecnologia de informação e comunicação, agropecuária e alta tecnologia, destacando-se: Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (CPqD); Fundação Centro Tecnológico para a Informática (CTI); Companhia de Desenvolvimento Tecnológico (Codetec); Instituto Agronômico de Campinas (IAC); Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital); Laboratório Nacional de Luz Sincroton (LNLS); Instituto de Zootecnia, localizado em Nova Odessa; e Centro de Tecnologia Canavieira - CTC.
PONTOS FRACOS DA REGIÃO
Em 20 municípios persistem taxas de migração negativas.
Crescimento acelerado da indústria pode provocar saturação e gargalos de infraestrutura, sobretudo na área de transportes, logística e recursos hídricos.
Dentre as oportunidades estão:
Grandes laboratórios nacionais e internacionais, públicos e privados, possibilitando inovações e criação constante de novas capacidades competitivas.
Avanço da cadeia produtiva da economia criativa, especialmente do setor de tecnologia da informação.
Ampliação das exportações de alta intensidade tecnológica (medicamentos embalados, instrumentos de controle para análises químicas, aparelhos ortopédicos, entre outros).
Desenvolvimento de novos elos mais modernos na cadeia produtiva do setor sucroenergético: etanol de 2ª geração, química verde (biotecnologia industrial), biorefinarias e cana-energia.
Agricultura: renovação de canaviais (novas espécies de cana); inserção de novas tecnologia de cultivo (agricultura de precisão, informatização, conectividade); uso de fertilizantes e defensivos agrícolas biológicos.
A ampliação do Aeroporto Internacional de Viracopos, atraindo empreendimentos de diferentes tipos, como galpões, condomínios empresariais, hotéis, centros comerciais e restaurantes.
Investimentos nas indústrias e serviços relacionados às áreas de telecomunicações, eletrônica e informática nos municípios da região, como Jaguariúna, Hortolândia, Indaiatuba e Campinas, e na indústria voltada para fabricação de PCs e notebooks e, mais recentemente, de iphones e tablets em Jundiaí.

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