Publicado 14/12/2019 - 10h00 - Atualizado 14/12/2019 - 10h00

Por Alenita Ramirez

Um dos principias problemas é que as escadas dos prédios estão cedendo, como mostra a subsíndica

Wagner Souza/AAN

Um dos principias problemas é que as escadas dos prédios estão cedendo, como mostra a subsíndica

Lançado em 2011 como um dos exemplos de sucesso do Programa Federal Minha Casa Minha Vida para a região de Campinas, o Residencial Bassoli se transformou em risco de vida para 60 famílias de três das 19 torres.
Desde que foi inaugurado, o residencial apresenta problemas estruturais e de acabamento nos imóveis, inclusive é alvo de investigação do Ministério Público Federal (MPF), mas nos últimos tempos a situação se agravou com rachaduras nas escadas de três edifícios. Inclusive, os equipamentos cederam 2,5 centímetros.
Em razão do risco de desabamento, na semana passada a Defesa Civil determinou a evacuação das três unidades. Mas os moradores se recusam a sair por não terem para onde irem e também afirmam não terem condições para arcarem com aluguel. Para permanecerem nos locais, os moradores foram obrigados a escorar as escadas, sob pena de multa de R$ 1,7 mil por semana. Nesta semana, os moradores chamaram um engenheiro para avaliar a situação e também entrar com uma ação na Justiça contra a construtora Norberto Odebrecht S.A. e à Caixa Econômica Federal.
“Eu não consigo dormir direito. As vezes ouço barulho de estalos quando tudo está em silêncio. Moro no segundo andar e morro de medo de descer as escadas com minhas crianças”, contou a dona de casa e subsíndica de um dos condomínios afetados, Daiana Amaral. O residencial completo, segundo moradores, conta com 3.850 apartamentos e ao menos 20 mil moradores. Duas das torres estão localizadas no Condomínio A. Outra no Q.
A Defesa Civil foi acionada pelos próprios moradores após constarem que as rachaduras se ampliavam e as escadas estavam cedendo. Eles também avisaram a construtora, que teria enviado técnicos no local e orientado a colocar fitas de parede tipo durex nas rachaduras. “Achei um absurdo. Isso não resolve e não vamos aceitar essa medida. Essas escadas precisam ser refeitas”, disse o síndico do conjunto A, Vander Barbosa. “Até o engenheiro que contratamos ficou com medo de subir as escadas. Ele disse que a situação é grave”, acrescentou.
Em um dos prédios, a própria Defesa Civil colou escoras de madeira para segurar as escadas. Nas outras duas torres, o síndico teve que alugar 40 escoras de ferro ao preço de R$ 350 por mês para reforça a sustentação. Em 2016, o MPF recomendou à construtora Norberto Odebrecht S.A. e à Caixa Econômica Federal a tomarem providências quanto às falhas de construção do conjunto residencial. Na época, levantamentos técnicos apontaram diversos problemas estruturais e de acabamento nos imóveis, entre os quais falhas nas instalações elétricas, infiltrações e erros no sistema de esgoto. Os estudos identificaram ainda trincas e rachaduras, janelas sem arremate, falta de revestimento e calçamento inacabado.
Em nota, a Cohab-Campinas informou que o residencial Jardim Bassoli possui 2.380 apartamentos e foi totalmente entregue em 2013 e que a companhia apenas indicou as famílias para as unidades, mas que toda a responsabilidade sobre as unidades, fiscalização das construtoras e responsabilidade da Caixa Econômica Federal. A construtora Norberto Odebrecht S.A informou apenas que "A OR vem prestando apoio e assistência técnica ao condomínio Bassoli e já iniciou as obras de reparo.”
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Alenita Ramirez