Publicado 06/12/2019 - 07h44 - Atualizado 06/12/2019 - 07h44

Por Maria Teresa Costa

Padre Haroldo na missa em sua homenagem durante as comemorações do aniversário de 100 anos

Cedoc/RAC

Padre Haroldo na missa em sua homenagem durante as comemorações do aniversário de 100 anos

A Arquidiocese de Campinas atribuiu o pedido de abertura de processo de canonização do padre Haroldo Rahm, morto no sábado, aos 100 anos, a uma fala populista do vereador Nelson Hossri (Podemos), autor da solicitação encaminhada ao arcebispo d. João Inácio Müller. Segundo a assessoria de imprensa da Arquidiocese, é muito cedo para se pensar em processo de canonização. A Igreja, segundo a assessoria, é cautelosa em temas como esse e mais que exemplo de vida, um processo de canonização exige sinais de santidade e milagres.
Para o parlamentar, o trabalho de prevenção às drogas por meio da criação de diversos instrumentos de tratamento contra a dependência química feita pelo jesuíta salvaram vidas. “Além de salvar a vida da minha família, Padre Haroldo é meu padrinho. Devo a ele todo o meu trabalho de prevenção às drogas”, disse. “O padre sempre será um exemplo de como é importante se dedicar a essa causa, que precisa cada vez mais atenção, já que a droga é o pior mal do século”, concluiu.
O processo de canonização só pode ser aberto pela Igreja após um longo processo. A causa da canonização de Irmã Dulce, por exemplo, que morreu em 1992, foi iniciada em janeiro de 2000. Ela foi declarada santa (Santa Dulce dos Pobres), 23 anos após sua morte. Foi a terceira canonização mais rápida da história — atrás da santificação do Papa João Paulo II e de Madre Teresa de Calcutá.
O processo tem um rito bastante rígido. Para cada causa é escolhido pelo bispo um postulador, espécie de advogado, que tem a tarefa de investigar detalhadamente a vida do candidato para conhecer sua fama de santidade. Quando a causa é iniciada, o candidato recebe o título de Servo de Deus. O primeiro processo é o das virtudes ou martírio. Este é o passo mais demorado porque o postulador deve investigar minuciosamente a vida do Servo de Deus. Em se tratando de um mártir, devem ser estudadas as circunstâncias que envolveram sua morte para comprovar se houve realmente o martírio. Ao terminar esse processo, a pessoa é considerada Venerável.
O segundo processo é o milagre da beatificação. Para se tornar beato é necessário comprovar um milagre ocorrido por sua intercessão. No caso dos mártires, não é necessária a comprovação de milagre. O terceiro e último processo é o milagre para a canonização. Este tem que ter ocorrido após a beatificação. Comprovado este milagre o beato é canonizado e o novo Santo passa a ser cultuado universalmente.
Padre Haroldo morava na Casa dos Jesuítas, em São Paulo, onde recebia assistência de enfermeiros e cuidadores. Ele é o principal responsável por criar um dos mais importantes centros de tratamento para dependentes químicos de Campinas: o Instituto Padre Haroldo, uma unidade de referência nacional que já transformou a vida de pelo menos 80 mil pessoas em pouco mais de 40 anos. Ele foi sepultado no Mosteiro de Itaici, em Indaiatuba.

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Maria Teresa Costa