Publicado 03/12/2019 - 07h50 - Atualizado 03/12/2019 - 07h50

Por Tote Nunes

A Unicamp, que possui cerca de oito mil funcionários, conta hoje com um orçamento anual de R$ 2,5 bilhões

Cedoc/RAC

A Unicamp, que possui cerca de oito mil funcionários, conta hoje com um orçamento anual de R$ 2,5 bilhões

O Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) protocolou Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) em que pede a unificação do teto salarial dos servidores de todas as instituições públicas de Ensino Superior do país. 
Na avaliação do Conselho, a manutenção da diferença entre os tetos salariais a que estão sujeitos os servidores das universidades federais e os das estaduais de São Paulo pode chegar a R$ 16 mil e representa “uma séria ameaça para o futuro das três instituições paulistas”. Os reitores avaliam que a diferença salarial pode afastar os profissionais de maior qualificação.
Hoje, o teto é de R$ 23.048,59. Se for equiparado ao Supremo, subiria para R$ 35.378,00, Com isso, a folha mensal aumentaria em R$ 5,5 milhões. O gasto anual da universidade com pessoal é de R$ 72 milhões, segundo a folha de outubro. A medida iria atingir 3,2 % na folha de pagamento da universidade — 506 ativos e 654 aposentados. A Unicamp conta hoje com um orçamento anual de R$ 2,5 bilhões. Possui cerca de oito mil funcionários nas áreas administrativa, técnica, ensino e pesquisa, além de 1.867 professores.
Em nota oficial divulgada pela assessoria de imprensa, o Cruesp diz que USP, Unicamp e Unesp estão classificadas entre as melhores universidades da América Latina, USP, mas têm visto alguns de seus servidores mais bem qualificados migrar para as federais em busca de melhores salários. “Para além da fuga de cérebros, tem havido uma diminuição do interesse de jovens talentos em ingressar nos quadros de servidores das três instituições”, diz a nota.
Para os reitores, a situação é preocupante e tende a se agravar mais, caso não se resolva rapidamente a questão do teto. “Sem o estabelecimento de um limite salarial único para os servidores de todas as universidades públicas do país, USP, Unicamp e Unesp dificilmente conseguirão formar profissionais, realizar pesquisas, prestar assistência e transferir conhecimento para a sociedade com a mesma qualidade com que desempenham hoje essas atividades”, acrescenta a nota.
“As consequências de um eventual enfraquecimento das estaduais paulistas, como se sabe, não serão sentidas apenas pelas próprias universidades, mas poderão comprometer também, de modo perigosamente irreversível, a capacidade de desenvolvimento de São Paulo e do país”, finaliza o comunicado.
Apoio
Segundo o Conselho, a ADI foi procolocada no STF em articulação com o Partido Social Democrático (PSD). De acordo com o Conselho, a articulação do partido foi necessária “porque ações desse tipo só podem ser propostas por “entidades de classe de âmbito nacional”, o que não é o caso do Cruesp.
Grupos divulgam pesquisas
Os grupos de Pesquisa Alfabetização, Leitura, Escrita (Alle/Aula), Trabalho Docente na Formação Inicial de Professores e Associação de Leitura do Brasil (ALB) realizam hoje à tarde, na Faculdade de Educação da Unicamp, um encontro para a divulgação de pesquisas, estudos e reflexões voltados à educação de leitores e às didáticas da leitura na sua relação com o trabalho de professores.
Coordenado pela professora Cláudia Ometto, o evento faz parte das atividades previstas no projeto “O trabalho com leitura no Ensino Fundamental: das contribuições de um grupo de pesquisa à formação de professores mediadores de leitura às relações de ensino em salas de leitura escolares". O encontro começa às 14h e será realizado no salão nobre — prédio Prof. Paulo Freire.

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