Publicado 03/12/2019 - 07h46 - Atualizado 03/12/2019 - 07h46

Por Henrique Hein

Durante o velório no Paço, o prefeito Jonas Donizette e a primeira-dama Sandra Ciocci (à dir.), ao lado de Lúcia Decot Sdoia, atual presidente do Instituto Padre Haroldo

Matheus Pereira/Especial para AAN

Durante o velório no Paço, o prefeito Jonas Donizette e a primeira-dama Sandra Ciocci (à dir.), ao lado de Lúcia Decot Sdoia, atual presidente do Instituto Padre Haroldo

O trabalho de assistência social do Instituto Padre Haroldo não será interrompido com a morte do religioso, ocorrida na tarde do último sábado. De acordo com a atual presidente da entidade, Lúcia Decot Sdoia, a transição para que o projeto de recuperação de dependentes químicos continue acontecendo sem ele já vinha sendo realizada desde a década passada. "Padre Haroldo nos preparou para esse momento, entregando a obra nas nossas mãos há dez anos. Ele nos deu a chave do instituto e fez apenas um pedido: para que a gente cuidasse dela em nome dele. O padre era um homem tão a frente do seu tempo, que preparou todo o futuro do instituto ainda em vida", explica.
Lúcia revela que Padre Haroldo passou boa parte de seus últimos anos de vida orientando todos do instituto para que tudo fluísse bem quando ele não estivesse mais vivo. "Ele nos passava um pouco do que ele queria, mas também dava para a gente bastante autonomia. Fomos bem instruídos e agora o que nos resta é honrar o legado do Padre Haroldo, que era o que ele mais queria que a gente fizesse", destacou. "A perda dele será sempre sentida, mas a gente se preparou bem para esse momento. O lema dele era medo de nada, só amor. Agora, somos nós que temos que levar isso a diante".
No último domingo, fiéis, autoridades, amigos e admiradores do Padre Haroldo Rahm lotaram o Paço Municipal de Campinas para acompanhar o velório do religioso norte-americano, que morreu após sofrer uma parada cardíaca, aos 100 anos, na Casa dos Jesuítas, em São Paulo - local onde morava e recebia assistência de enfermeiros e cuidadores. A cerimônia, que foi aberta ao público, ocorreu entre 8h e 15h e contou com coroas de flores e fotos do religioso espalhadas pelo espaço. Após o término do velório, o corpo do missionário foi levado em cortejo para uma missa no Mosteiro de Itaici, em Indaiatuba, onde foi sepultado às 17h.
Padre Haroldo é o principal responsável por criar um dos mais importantes centros de tratamento para dependentes químicos de Campinas: o Instituto Padre Haroldo, uma unidade de referência nacional e que já transformou a vida de 80 mil pessoas em pouco mais de 40 anos de atividades.
Ele também é o responsável por tomar a frente de programas de evangelização e obras sociais coordenando pessoalmente a criação das chamadas Casas Dia, com dezenas de unidades espalhadas pelo País para o amparo e cuidados com dependentes químicos.
Ao longo de toda sua vida, Padre Haroldo também ministrou dezenas de cursos, recebeu diversos prêmios e publicou mais de 50 livros, se tornando para muitos campineiros uma das figuras mais importantes da história da cidade.
Homenagens
O Deputado Estadual e ex-presidente da Câmara Municipal de Campinas, Rafa Zimbaldi (PSB), protocolou ontem, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), um pedido para que o novo Ambulatório Médico de Especialidades (AME) de Campinas e o programa Recomeço, do Estado de São Paulo, que promove ações preventivas do uso de substâncias psicoativas, passem a receber o nome do jesuíta. A ideia do parlamentar é eternizar o nome e o legado do jesuíta nas obras, como uma forma de homenagear os serviços prestados por ele.
A ideia do deputado também recebeu apoio do vereador Nelson Hossri (Podemos). Amigo de longa data do religioso e conhecido por abraçar causas voltadas ao combate e tratamento de drogas, ele informou que vai apresentar hoje uma moção de apelo ao governador João Doria para que ele conceda o nome do Padre Haroldo ao AME e ao Programa Recomeço.

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Henrique Hein