Publicado 02/12/2019 - 12h24 - Atualizado 03/12/2019 - 09h31

Por Maria Teresa Costa

Compostagem já ocorre no Centro Experimental do Instituto Agronômico de Campinas, na Santa Elisa

Leandro Ferreira/AAN

Compostagem já ocorre no Centro Experimental do Instituto Agronômico de Campinas, na Santa Elisa

A Prefeitura suspendeu ontem a licitação para a contratação de empresa que irá operar a usina verde de Campinas. A medida foi tomada para que a Secretaria de Serviços Públicos possa responder questionamento em relação à alíquota de Imposto Sobre Serviço (ISS) prevista no edital feito por empresa interessada na concorrência. Apesar da suspensão, a usina será inaugurada dia 11, com a previsão de processar cerca de 300 toneladas diárias de restos de frutas da Ceasa, lodo de esgoto da Sanasa, além de galhos, folhas e grama das podas dos espaços municipais da cidade.
A usina já está operando experimentalmente com o processamento de 100 toneladas diárias de resíduos orgânicos. Essa fase, que utiliza mão de obra de reeducandos, será prolongada até que a licitação defina a empresa que irá fazer a operação. A Usina de Compostagem de Lixo Verde funciona no Centro Experimental Central do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), na Fazenda Santa Elisa. A infraestrutura necessária está pronta já há alguns meses, à espera da liberação da licença de operação da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). A licença saiu há um mês.
O adubo orgânico produzido será usado nas áreas verdes da cidade, nas culturas do IAC e o excedente será encaminhado à Ceasa, para ser comercializado a produtores agrícolas. A estimativa do secretario de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, é que de 10% a 20% do adubo serão utilizados nos experimentos do IAC para, no período de teste, certificar a fertilidade do adubo e emitir selo de qualidade da instituição. Igual volume irá para as praças e áreas verdes da cidade. Os 60% excedentes serão comercializados pela Ceasa.
Cerca de R$ 8 milhões foram investidos na aquisição de equipamentos, pelos parceiros envolvidos, custo que, segundo estimativa da Prefeitura, se pagará em um ano com a redução do custo de transporte e disposição do material em aterro.
Entre os equipamentos está um desintegrador, adquirido pela Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa). É uma espécie de moinho do tamanho de uma carreta, com capacidade para triturar troncos de árvores com até um metro de diâmetro e transformá-los em serragem. Ele será usado para triturar galhos, resíduos de varrição e rejeitos.
A usina também receberá resíduos verdes do setor privado, que pagará por tonelada depositada. A Ceasa montou um sistema de tratamento da caixaria que chega à empresa, no transporte dos produtos. Um triturador foi adquirido para separar os pregos das caixas e transformar a madeira em serragem.
O convênio com o IAC vai agregar tecnologia, porque a compostagem utilizará o método aeróbico, que exigirá que o material, depois de picado e amontoado em pilhas, seja revolvido constantemente. Segundo Paulella, isso acelera o apodrecimento. No método usado na Prefeitura, a compostagem leva de 150 a 180 dias e no IAC, levará 100 dias para humificar os resíduos, ou seja, transformá-lo em húmus, adubo.

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Maria Teresa Costa