Publicado 02/12/2019 - 23h11 - Atualizado 02/12/2019 - 23h11

Por AFP


A oito dias de assumir a vice-presidência da Argentina, Cristina Kirchner compareceu a um tribunal nesta segunda-feira, para testemunhar em um processo por corrupção que ela denuncia como parte de um plano para "destruir líderes populares e democráticos".

É a primeira vez que a ex-presidente (2007-2015) se pronuncia em sua defesa perante o tribunal que a julga como suposta chefe de uma organização criminosa, acusada de favorecer o empresário Lázaro Báez na concessão de licitações para obras rodoviárias em a província de Santa Cruz (Patagônia, sul).

Apoiadores esperaram por ela em frente ao local e reivindicaram que o depoimento seja televisionado.

Kirchner chegou às 09H30, sem falar com a imprensa. O depoimento durou cerca de quatro horas.

Seus advogados solicitaram que a audiência pública fosse transmitida ao vivo pela televisão, mas o pedido foi negado pelo tribunal.

No entanto, alguns trechos de seu depoimento foram transmitidos de dentro da sala por um canal de televisão.

Nessa intervenção, Kirchner criticou o tratamento recebido neste e em outros casos em que depôs e a inclusão de seus filhos Máximo e Florencia em um dos processos.

"Impediram que meus filhos e eu tenhamos cartão de crédito", lamentou, referindo-se ao congelamento de contas bancárias. Ela também denunciou o que chamou de "ações de busca cinematográficas" a seus três domicílios e "escutas ilegais".

Após o depoimento, Kirchner publicou no Twitter um vídeo com suas declarações.

"A história me absolveu e me absolverá, e vocês serão condenados por esta história", disse ao tribunal no encerramento do depoimento, relembrando a frase do líder cubano Fidel Castro.

"Na Argentina, como no resto da América Latina, a articulação dos meios de comunicação hegemônicos e o aparato judicial com o objetivo de demonizar e destruir os líderes dos governos populares e democráticos, foi transformado em um plano sistemático", escreveu no Twitter horas antes da audiência.

Kirchner, que governou entre 2007 e 2015, assumirá como vice-presidente no dia 10 de dezembro, após a vitória eleitoral da chapa peronista de centro-esquerda que integrou com Alberto Fernández.

Atualmente, como senadora, tem foro parlamentar, o que a exime do cumprimento da prisão preventiva solicitada pelos juízes.

Como vice-presidente e presidente Senado, ela precisa ter um julgamento político no Congresso antes da suspensa do foro.

Gregorio Dalbón, um de seus advogados, disse nesta segunda-feira que "esse processo judicial será anulado porque não tem pé nem cabeça. Certamente os responsáveis pelo "lawfare" serão julgados no futuro".

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