Publicado 25/11/2019 - 16h35 - Atualizado 25/11/2019 - 17h03

Por Adriana Menezes

Chegou novembro: festou! Antes do Natal e do Ano Novo, hotéis, restaurantes e casas de festas multiplicam suas atividades

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Chegou novembro: festou! Antes do Natal e do Ano Novo, hotéis, restaurantes e casas de festas multiplicam suas atividades

Ano fácil ou ano difícil, é nesta época do ano que acontece a maior parte das festas: formatura, casamento, confraternização ou, por qualquer razão, um brinde, uma reunião, uma comemoração. Chegou novembro: festou! Antes do Natal e do Ano Novo, hotéis, restaurantes e casas de festas multiplicam suas atividades e, para que tudo dê certo, alguém precisa trabalhar. Haja trabalho! Os organizadores de festas perdem finais de semana, ficam de dez a 15 horas na ativa e se desdobram para os festeiros saírem bem na foto.
A coordenadora de festas Fabiana Martins, do restaurante Strog & Noff, trabalha com eventos há cerca de dois anos. Neste período, com o aumento de até 80% no número de festas, ela chega a ficar 15 horas seguidas envolvida na organização de um evento.
"O trabalho começa cerca de dois meses antes, porque há toda uma preparação, desde a seleção da equipe que vai trabalhar até a encomenda das comidas e bebidas para o cardápio. Dois dias antes, nós fazemos a separação de todo o material, distribuímos as tarefas, organizamos a cozinha, são muitos detalhes. No dia marcado, a equipe começa às 6h e só acaba quando sai o último convidado, normalmente de madrugada", descreve Fabiana.
Os casamentos são em maior número que as formaturas e as festas corporativas no restaurante. Fabiana organiza desde festas para grupos mais jovens, no estilo comida de boteco, até jantares mais formais, normalmente preferidos pelos mais velhos. Para animar, os jovens preferem uma atração como voz e violão, enquanto os mais velhos querem música ambiente.
Planejamento
Todos os detalhes do cardápio e da decoração passam pelas mãos de Fabiana Martins e de Thaís Graça Kuyumjian. Os corporativos, diz Fabiana, são hoje bem menores que anos atrás. “Hoje as empresas setorizam as festas de confraternização, não há mais eventos grandiosos. Temos cerca de 13 eventos de 30 pessoas, e no máximo seis de 150 pessoas.”
Os casamentos que acontecem no espaço do restaurante normalmente reúnem um número maior de pessoas. E são as noivas que fazem os pedidos mais inusitados. “Já pediram para fechar o deck de entrada do restaurante para que ninguém de fora visse o que acontecia dentro”, lembra a coordenadora de eventos, que antes trabalhava com contabilidade.
“Tenho paixão por festas. Adoro ajudar a realizar os sonhos das pessoas. Gosto de conversar sobre como vai ser e tentar descobrir o que ela deseja.” Na vida pessoal, Fabiana diz que muitas vezes precisa se privar de participar das festas em família, como aniversários e atividades escolares. “Precisa gostar muito de trabalhar com isso. Eu gosto do que faço e tenho flexibilidade de horários. A família também precisa ter paciência. Mas, com planejamento, consigo administrar. Afinal, para exercer esta função é preciso ser muito organizada”, diz Fabiana.
Sem se descabelar
Mônica Pierro Salgado organiza festas há 30 anos. Como assessora do empresário Sérgio Carnielli desde 1989, cuida de diversas atividades, mas sempre que o assunto é festa é ela quem fica responsável por quase tudo. No novo empreendimento empresarial, o espaço Grand House Eventos, Mônica tem administrado a agenda, onde já há reservas para 2020 e 2021.
A assessora perdeu as contas de quantas festas organizou. A primeira ela acha que foi um aniversário surpresa para o próprio Carnielli. “Talvez tenha sido aí que eu percebi como gosto de fazer isso.” Ela diz que não é do tipo que se descabela. “Consigo aproveitar a festa e as pessoas normalmente me agradecem. Eu acho uma delícia”, comemora.
A cada 60 dias, ela cuida de uma seresta que reúne cerca de 80 amigos do empresário. Outro evento que Mônica organiza regularmente, uma a duas vezes por ano, reúne cerca de 120 pessoas para o show de algum artista convidado, como Agnaldo Timóteo, Moacyr Franco e Renato Teixeira. Um destes shows para público privado que ela mais gostou de organizar foi o do cantor Jair Rodrigues, em 2010. A assessora cuida da segurança ao cardápio e à contratação do som. “É uma correria, eu intercalo com meu trabalho do dia a dia, mas eu acho muito prazeroso”, fala Mônica.
Confraternização
Douglas Fontenele trabalha há dez anos no restaurante Kaizen, onde organiza as festas de confraternização da casa. A partir de novembro, há em média 20 confraternizações por semana, mas segundo ele, nos últimos anos, elas diminuíram de tamanho e hoje os grupos variam entre 20 e 30 pessoas. “A organização é simples porque nós servimos aquilo que já temos, há pouca alteração no cardápio. Mas o período é muito agitado”, fala o gerente, que começou a trabalhar aos 18 anos no Kaizen.
“Hoje, quando se fala em alimentação, fala-se em experiência gastronômica. É o que nós oferecemos. Por isso a casa é procurada para festas deste tipo”, afirma Douglas, que faz pacotes para as confraternizações. A maioria prefere o rodízio no almoço, mas ele diz que há vários formatos, com opções veganas, com ou sem bebida, e à la carte. “Nosso público é eclético, há todo tipo de empresa.” Para evitar a correria de fim de ano, algumas empresas preferem agendar a festa em janeiro, afirma Douglas.
Disponibilidade
Estar à disposição do cliente a qualquer momento é uma das premissas do bom organizador de festas, declara Pedro Carlos de Oliveira Neto, proprietário do restaurante Fogão Mineiro e do espaço Paioça do Caboclo. Ele e sua irmã Márcia Regina Pinto de Oliveira cuidam diretamente das festas nas duas casas, junto com uma equipe especializada no assunto. “Se a noiva ligar meia-noite, a gente tem de atender e resolver”, diz Neto.
De acordo com o proprietário, logo que ele abriu as casas – Fogão Mineiro há 16 anos e Paioça há 12 – era mais difícil administrar as festas, mas hoje os procedimentos acontecem de forma mais tranquila. “Toda festa dá trabalho, porque são muitos detalhes, mas quando a equipe tem know-how tudo flui melhor”, diz Neto.
Nesta época do ano, ele chega a organizar dois casamentos no mesmo dia, especialmente na forma reduzida de festa, conhecida como Mini Wedding. Alguns noivos usam inclusive a capela que existe no Fogão Mineiro, “porque o evento fica mais prático”. O Paioça também é muito procurado para casamentos. “Já temos 30 agendados para o ano que vem”, diz Neto, que garante muita flexibilidade para atender seu cliente. “A pessoa pode personalizar o evento dela do jeito que desejar. Nós chegamos a criar um prato que não existia porque o cliente pediu. Eu acho que quando organizamos uma festa temos a chance também de aprender muita coisa”, conclui o empresário.

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Adriana Menezes