Publicado 11/11/2019 - 14h56 - Atualizado // - h

Por Diego Cunha

Rafael Picolotto de Lima viveu em Campinas até os 25 anos e hoje faz carreira internacional

Arquivo Pessoal

Rafael Picolotto de Lima viveu em Campinas até os 25 anos e hoje faz carreira internacional

Os movimentos solenes se entrelaçam com a bravura de um verdadeiro líder, e assim, Rafael Picolotto de Lima, maestro e compositor campineiro, rege os instrumentalistas e espalha pelo mundo seu amor pela música e principalmente pelo jazz sinfônico. “Meu trabalho é inspirar os outros músicos e criar um cenário a propiciar a melhor performance deles”. Com essas palavras, Picolotto define seu papel como músico atualmente, já que hoje atua apenas como compositor, arranjador e maestro, não se apresenta mais tocando nenhum instrumento. No entanto, para chegar até esse momento, Picolotto traçou seu caminho através de muita dedicação, apoio da família e a inspiração de renomados artistas.

Um apaixonado declarado pela arte de maneira geral, o maestro conta que sua relação com a música surgiu desde pequeno. “Eu ficava fascinado como as partituras viravam música nas mãos da minha tia. Naquela época, mesmo sem saber absolutamente nada, eu me divertia “colocando bolinhas no papel pautado” e pedindo para minha tia tocar”. E completa: “Ela improvisava algum trecho de música e eu ficava maravilhado imaginando, enquanto criança, que era eu que tinha escrito aquilo tudo.” Rafael viveu em Campinas até os 25 anos, e durante a vivência na cidade estudou na Unicamp, local onde se tornou bacharel em composição erudita e música popular. Segundo ele, foi na universidade em que construiu suas bases musicais e aproveitou a companhia dos amigos para se desenvolver pessoal e musicalmente. “Foi uma época de muita experimentação artística, com projetos de todo tipo, cheio de amigos que estavam nesse mesmo momento de vida, querendo aprender e realizar. Passávamos semanas ensaiando e lapidando nossa performance, muito diferente da minha realidade atual onde ter mais do que um dia de ensaio para uma apresentação é quase um luxo”, revela o maestro.

Por falar em momentos especiais da vida de Picolotto, a indicação ao Grammy Latino em 2013 reafirmou sua trajetória como compositor e abriu uma série de novas oportunidades para o maestro. Entre os grandes marcos de sua carreira estão a estreia à frente da Orquestra de Câmara em Nova York no Jazz at Lincoln Center e a gravação do CD e DVD ao vivo com a Jazz Sinfônica do Henry Mancini Institute em Miami, com Chick Corea ao piano e Terence Blanchard ao trompete. No entanto, o maestro faz questão de ressaltar que é nas simplicidades da vida que ele preserva suas principais memórias musicais. “Os melhores momentos da minha carreira foram nas salas de concerto, ensaios ou estúdios de gravação. As semanas ou meses de trabalho solitário escrevendo tomam vida na mão de grandes intérpretes”, finaliza. Tais ocasiões em que se encontra sozinho servem, segundo Picolotto, para buscar ideias e inspirações para novos projetos e composições. “Minha audição é muito seletiva. Quase nunca deixo uma música no fundo simplesmente por ter algo tocando. Prefiro ouvir quando tenho tempo para uma audição atenta. Acredito que o silêncio e a ausência de música aumentam o valor e impacto de quando escolhemos ouvir uma música de fato”, conta o maestro.

Atualmente, Picolotto embarcou em uma maneira diversificada de atuar, integrando outras artes nos projetos artísticos que realiza. “Um exemplo foi o recente concerto no Dimenna Center for Classical Music com a NY Jazz Composers Mosaic, onde apresentei, entre outras músicas autorais, uma peça inspirada nos ritmos do Nordeste brasileiro, incluindo uma performance de dança”, afirma o artista.

O sucesso se tornou algo inevitável na carreira de Rafael, de modo que a admiração e os elogios pelo seu trabalho se multiplicaram ao longo de sua vida. “Tive a honra de receber palavras positivas e de encorajamento de grandes músicos no Brasil, a exemplo do Ciro Pereira que elogiou minha primeira composição jazz sinfônica quando tinha 18 anos de idade. O atual maestro da orquestra de Campinas também, o Victor Hugo Toro, quando abriram a temporada da orquestra com uma composição minha, até nomes célebres do cenário internacional de jazz e música clássica como o Wynton Marsalis, do Jazz at Lincoln Center e o Yannick Nézet-Séguin, maestro da Metropolitan Opera de Nova Iorque”, revelou.

Para apreciar
Quem aprecia esse estilo musical tem hoje uma oportunidade imperdível. Sob a batuta do maestro Rafael Piccolotto de Lima, a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas se apresenta hoje, às 11h, no Teatro Castro Mendes. O concerto contará com a participação de seis solistas de universos musicais distintos, incluindo, música erudita, jazz e música popular brasileira.

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Diego Cunha