Publicado 11/11/2019 - 14h51 - Atualizado // - h

Por Diego Cunha

Crianças portando tablets e celulares desde bem novas, por exemplo, se tornaram um cenário frequente entre as populações brasileira e mundial

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Crianças portando tablets e celulares desde bem novas, por exemplo, se tornaram um cenário frequente entre as populações brasileira e mundial

Sob a onda da globalização no século XXI, a tecnologia aplicada em suas diferentes formas invade cada vez mais o universo infantil. Crianças portando tablets e celulares desde bem novas, por exemplo, se tornaram um cenário frequente entre as populações brasileira e mundial. No entanto, considerando a pouca idade desses indivíduos, alinhar as influências dos conteúdos digitais ao processo de aprendizagem e educação dos mesmos, corresponde a um dos principais desafios da sociedade atual.

A pedagoga da PUC-Campinas, Fernanda Taxa, é formada em Psicopedagogia com Mestrado e Doutorado na Unicamp, e trabalhou por 15 anos como professora do 1 º do ensino fundamental em escolas da região. Sendo assim, utiliza de suas experiências para explicar, por exemplo, se as crianças que possuem contato com computadores, celulares e tablets desde bebês apresentam alguma vantagem ou desvantagem ao começar a frequentar as escolas. Para ela a resposta está no equilíbrio: “É importante buscarmos formas adequadas de coabitação de práticas lúdicas clássicas com as que aparecem neste cenário de tecnologia digital”, diz a professora. Entretanto, ela pondera: “Há os que defendem que a ludicidade da criança vivida por meio das tecnologias digitais seja uma proposta de diversão segura e capaz de promover a alfabetização midiática. Por outro lado, encontramos aqueles que denunciam os prejuízos ao desenvolvimento infantil quanto ao uso contínuo e desenfreado de tais tecnologias digitais.”

Essa polarização da discussão se justifica principalmente pela transformação do papel dos alunos dentro da sala de aula, diante a presença dos avançados dispositivos tecnológicos. “Os estudantes já não são mais meros expectadores de conteúdos e devem assumir a responsabilidade de sua aprendizagem. Isto inclui as crianças pequenas também. O advento das tecnologias educacionais recoloca a discussão da importância da atividade e do protagonismo do aluno como um dos princípios norteadores dos processos de ensino e de aprendizagem para o século XXI”, destaca a pedagoga Fernanda Taxa. Essa renovação na responsabilidade dos alunos dentro do processo de ensino, citado pela professora, realça a maneira como o advento tecnológico digital permite que crianças, desde muito cedo possam produzir e compartilhar conteúdo de sua própria autoria, participar de discussões e expressar opiniões. “O uso das tecnologias desafia a criança e a sociedade, de maneira geral, a compreender como se dá a lógica de aprender no espaço virtual, bem como os caminhos que a nossa inteligência se vale na interação com as tecnologias”, diz ela.

Apesar de valorizar o uso da tecnologia como ferramenta pedagógica, a qual segundo Fernanda é capaz de criar novas formas de linguagem, expressões e conhecimentos, e ampliar as alternativas de organização da escola como um todo, a professora ressalta novamente a necessidade de equilíbrio nesse contexto: “É importante destacar que as tecnologias digitais educacionais, sobretudo as que envolvem o uso de dispositivos móveis não devem ser o fim em si mesmas da ação docente, mas sim, que em seu uso valorizemos a metodologia do ensino e a mediação do professor. As tecnologias tornam-se coadjuvantes da ação pedagógica e nunca o inverso disto”, finaliza.

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Diego Cunha