Publicado 04/11/2019 - 15h48 - Atualizado // - h

Por Kátia Camargo

Luiz Antônio Cervone se dedica ao kartismo há 50 anos e se prepara para o campeonato brasileiro na categoria super sênior

Wagner Souza/AAN

Luiz Antônio Cervone se dedica ao kartismo há 50 anos e se prepara para o campeonato brasileiro na categoria super sênior

O amor pelo kart nasceu no instante em que Luiz Antônio Cervone, 63 anos, pegou o primeiro carrinho nas mãos. Mais conhecido como Gran Hill, ele se dedica há 50 anos ao kartismo e nem pensa em parar. É carinhosamente chamado de ‘dinossauro do kart’ e tem muito orgulho disso. Incansável, no momento, o craque da pilotagem na modalidade está se preparando para disputar em julho de 2020, o próximo Campeonato Brasileiro de Kart na categoria super sênior máster 125. A competição será no Speed Park, no Kartódromo Internacional de Birigui, interior de São Paulo.

Cervone lembra que devia ter uns 4 anos quando ganhou um triciclo Rema-Rema. O brinquedo era construído com tubos cilíndricos e chapas de ferro com assento em madeira e pneus de borracha. O presente já apontava o caminho que ele queria seguir no futuro. “Depois vieram os carrinhos de rolimã. E, aos 12 anos, meu pai me deu o meu primeiro kart”, lembra. Nessa época, ele começou a se virar para arrumar patrocínios e poder participar de competições. “Eu estudava no Colégio Notre Dame e até a escola me patrocinava. Meu pai dizia que, se eu já tinha um kart, tinha que ter responsabilidade e aprender a me manter”, lembra.

No começo, as corridas de kart ocorriam nas ruas. Em 1973 passaram a ser feitas no Kartódromo Municipal de Campinas (que fechou em 2008). O local chegou a receber Ayrton Senna que saía de São Paulo, no início da carreira, para correr na pista campineira. No site de Felipe Massa consta que a primeira competição que o piloto ganhou foi no kartódromo de Campinas. Rubens Barrichello também competiu diversas vezes na pista campineira. A paixão era tanta que Cervone e o irmão chegaram a ser proprietários de uma oficina de kart que funcionou até o Kartódromo Municipal fechar. Ele também montou a primeira escola de pilotagem de kart no Brasil.

Mudança de planos
Gran Hill conta que se preparava para seguir a carreira profissional e sonhava em ir para a escola de pilotagem Jim Russel, na Inglaterra. Mas a vida nem sempre segue o rumo planejado. “Tentar chegar à Fórmula 1 é praticamente o sonho de todo menino que inicia no kart. Mas, meu pai enfartou em 1977, e eu e meu irmão tivemos que assumir a fábrica de tecidos dele, em Santa Bárbara. Mesmo assim continuei tocando paralelamente o projeto de kart, nunca desisti do meu sonho”, diz . Em outro momento, comprou um carro fórmula Ford, mas foi impedido de dar andamento ao sonho com a chegada do Plano Cruzado, em 1996, que afetou a economia.

Quem imagina que o esporte era um clube de bolinhas totalmente fechado para as mulheres, se engana. Em 1977, Gran Hill lembra que corria com Ana Lucia Walker, apelidada de Fofa. “Na época, ela era a única mulher que eu conhecia que corria. Hoje o kart é bem mais democrático”, diz. Ele destaca que em janeiro de 2020 o kart brasileiro terá um campeonato exclusivo para a modalidade feminina. O 1º Troféu Ayrton Senna de Kart ocorrerá também em Birigui. Júlia Ayoub, primeira mulher a representar o Brasil no Mundial de Kart em 2019, na Finlândia, será a embaixadora da prova feminina.

Para ele, o kart traz grandes ensinamentos, pois os praticantes aprendem a ter persistência em seus sonhos, trabalham questões como aprender a ganhar e perder e a lidar com as frustrações, além de aprimorar os reflexos e fazer bons amigos. Frequentador assíduo do San Marino Kart, em Paulínia, ele destaca que o espaço reúne diferentes faixas etárias. “Acabamos conhecendo pessoas de todas as idades. Percebo que tem crianças que chegam com o mesmo brilho no olhar que eu tinha quando comecei, têm jovens e pessoas mais velhas. O kart acaba sendo uma paixão para todas as idades. Quero continuar correndo por muitos anos. Essa é uma atividade que nem penso em me aposentar”, diz.

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Kátia Camargo