Publicado 09/11/2019 - 13h38 - Atualizado 09/11/2019 - 13h38

Por Estadão Conteúdo


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Os três recordes mundiais batidos neste ano, o bicampeonato parapan-americano em agosto, em Lima, e agora bicampeonato mundial em Dubai no arremesso de peso deram a Thiago Paulino muita dor de cotovelo. No sentido literal, claro. As inúmeras competições disputadas e o treinamento ocasionaram um incômodo que só vai ser curado agora, quando ele voltar para sua cidade natal, em Orlândia, no interior de São Paulo, e matar a saudade da "família belezoca".
"Família belezoca, estamos chegando", disse ao comemorar o ouro em Dubai, que o garantiu nos Jogos de Tóquio-2020. Além da esposa e dos filhos, Thiago tem um grupo de amigos no interior paulista que recebeu esse apelido. Ele explica: "A gente começou com uma barbearia, depois virou um time de futebol amador. Faço parte da diretoria lá e é só amizade, pagode e churrasco. Com cerveja nas férias", brincou.
Paulino compete na categoria F57 (cadeira de rodas). Ele perdeu parte da perna esquerda em um acidente de moto em 2010, em Orlândia, onde vivia e trabalhava como vigilante. Descobriu o atletismo logo que deixou o hospital, como parte da recuperação. "Fiz meu primeiro arremesso, me apaixonei e não parei mais", contou.
Há dois anos, ele optou por ficar mais distante dos belezocas, mudou-se para São Paulo e passou a treinar diariamente no Centro de Treinamento Paralímpico. A saudade foi compensada com desempenho. No Parapan de Lima ele arremessou a 15,26 metros e bateu o recorde pela terceira vez só neste ano. Em Dubai, na sexta-feira, a dor no cotovelo impediu que viesse uma nova marca expressiva. Mas os 14,68 metros foram suficientes para garantir a medalha de ouro. "Quem é arremessador sabe que uma pequena dor atrapalha muito o desempenho, mas deu tudo certo", disse.
Estar no topo do mundo também tem seus percalços. Paulino contou que a arbitragem tem vigiado excessivamente de perto sua performance. Como as classes no esporte paralímpico são definidas pelo grau de deficiência do atleta, há quem reclame que o brasileiro não deveria estar na F57 onde os atletas precisam arremessar na cadeira de rodas. Paulino anda com uma prótese, mas compete sentado e com o cuidado de não mexer o quadril pois pode ocasionar na anulação do arremesso.
"Eles (árbitros) estão cada vez mais em cima, mas tudo bem. O ouro é nosso", comentou. "Este ano as coisas aconteceram. Agora é descansar um pouco porque o foco total vai ser a preparação para Tóquio. Quero conquistar essa medalha que falta no meu currículo", encerrou.
O Brasil fechou na sexta-feira, o segundo dia de competições no Mundial de Atletismo Paralímpico de Dubai, com duas medalhas de ouro, uma prata e outra de bronze. No dia anterior já havia faturado um primeiro e um terceiro lugares na competição. Com isso, está em segundo no quadro de medalhas, com seis no total, atrás da China, que tem 7 - três ouros, três pratas e um bronze.

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