Publicado 07/11/2019 - 08h37 - Atualizado 07/11/2019 - 08h37

Por Mary Jane A. Paiva


Sinto, logo existo. Sigo, logo mimetizo e me esvazio
Sonhar, fazer amor, beijar. Você fecha os olhos nessas situações muito especiais. Também os fecha quando canta aquela música que chama de sua e, vez ou outra, quando dança. Fechamos os olhos também para chorar. Instintivamente bloqueamos o mundo externo da nossa janela da alma, o nosso olhar, quando queremos sentir mais, com mais intensidade. Nesses momentos, olhamos para dentro e para nenhum outro lugar. Se há uma máscara social ou uma persona social, nesses instantes, elas se desfazem, perdem força e valor. E me diz? Não é bom quando isso acontece? E por que acontece tão pouco. 
A couraça e a máscara, ou as máscaras, são essenciais para alguns lugares da vida em sociedade. Alguns e não todos. No entanto, nesta pós modernidade (em que a produção e a performance guiam o valor e têm velocidade tão ou mais frenéticas que a sua timeline) não há tempo para nada, incluindo tempo para tirar a máscara. Resultado? Acho que você sabe bem qual é.  
A frustração existencial, um sentimento de falta de sentido da vida e de vazio afetivo, é uma epidemia atual e consequente do quadro descrito acima. Exagero? Os dados que apontam os antidepressivos como os medicamentos mais vendidos no mundo estão aí para provar que não é exagero, é só realidade. A depressão têm causas variadas para dizer o óbvio, mas cresce quando relacionada ao desligamento do instintos humanos, pelo sufocamento das máscaras. 
“É preciso desconectar para conectar consigo”, a frase virou cliché. E deve ser lida e praticada. Porque a tecnologia tem muito a ver com o uso sem interrupções das máscaras. Sim, estou falando das redes sociais, coadjuvantes no afastamento dos nossos corpos de nós mesmos. Friso coadjuvante porque quem decide usar a mídia social é você, o protagonista deste adoecimento contemporâneo. 
Na mídia social a máscara é sobrevivência. Afinal, impossível viver e se expor com tamanha frequência sem uma boa defesa. Mas e aí? Se a máscara é essencial em ambientes profissionais, por exemplo, e também no entretenimento, mídias sociais, quando é que você vai poder tirar ela e ser só você? Só quando você beija, sonha ou faz amor? Ou só quando chora?
Olhar para dentro e ser você é a única maneira de combater o seu esvaziamento existencial. A natureza humana, nosso sistema nervoso, de cognição e emocional não dão conta de tanta sublimação. Precisam existir e para tanto é necessário espaço e respiro. É um luxo Ser Pessoa. Cuidar de si não é atender os apelos dos outros. Nem SÓ seguir a risca a cartilha da boa saúde, que vamos combinar, é sacrificante no dia a dia deste nosso contemporâneo. 
Assim, você pode ir a academia todo dia, beber muita água, tomar todas as vitaminas, não comer açúcar, não ingerir gorduras, não usar álcool ... mas se não olhar, sentir e lidar com os seus sentimentos e emoções você adoecerá. E doentes são carentes de saúde. Portanto para encontrar a sua pessoa atrás das máscaras, da aparência é o único caminho para nos preenchermos e existirmos além da sobrevivência. A prática leva a momentos tão mágicos quanto aos citados no inicio deste texto. E melhor: você vai fechar os olhos para se gostar. Amor próprio é isso.
O resto, sinto informar, é post.

Escrito por:

Mary Jane A. Paiva