Publicado 08/11/2019 - 07h13 - Atualizado 08/11/2019 - 07h14

Por Maria Teresa Costa

A usina tem capacidade para fazer a compostagem de todo lixo orgânico da Região Metropolitana de Campinas

Leandro Ferreira/AAN

A usina tem capacidade para fazer a compostagem de todo lixo orgânico da Região Metropolitana de Campinas

A primeira usina de compostagem orgânica de Campinas começará a funcionar no início de dezembro para processar cerca de 300 toneladas diárias de restos de frutas da Ceasa, lodo de esgoto da Sanasa, além de galhos, folhas e grama das podas dos espaços municipais da cidade, que atualmente são encaminhados para aterro sanitário. Com capacidade para fazer a compostagem de todo o lixo orgânico da Região Metropolitana de Campinas (RMC), a usina terá um período de seis meses de operação experimental para 100 toneladas diárias.
Com a liberação esta semana da licença ambiental de operação pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), a Prefeitura publicou ontem a licitação para contratar a empresa que irá operar a usina. O valor do contrato é estimado em R$ 11,7 milhões, por 12 meses. A concorrência será aberta dia 11 dezembro e vencerá a empresa que oferecer o menor valor de contrato. A Usina de Compostagem de Lixo Verde funcionará no Centro Experimental Central do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), na Fazenda Santa Elisa.
O secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, disse que a intenção é começar a receber os resíduos verdes entre 12 e 13 de dezembro e iniciar a operação com mão de obra da Prefeitura, incluindo reeducandos, enquanto o contrato com a empresa operadora não é assinado.
A infraestrutura necessária está pronta já há alguns meses, à espera da liberação da licença de operação da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Desde 2017 a Prefeitura trabalha para viabilizar essa usina.
Adubo orgânico produzido será usado nas áreas verdes da cidade, nas culturas do IAC e o excedente será encaminhado à Ceasa, para ser comercializado a produtores agrícolas. A estimativa de Paulella é que de 10% a 20% do adubo serão utilizados nos experimentos do IAC para, no período de teste, certificar a fertilidade do adubo e emitir selo de qualidade da instituição. Igual volume irá para as praças e áreas verdes da cidade. Os 60% excedentes serão comercializados pela Ceasa.
Cerca de R$ 8 milhões foram investidos na aquisição de equipamentos, pelos parceiros envolvidos, custo que, segundo estimativa da Prefeitura, se pagará em um ano com a redução do custo de transporte e disposição do material em aterro.
Entre os equipamentos está um desintegrador, adquirido pela Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa). É uma espécie de moinho do tamanho de uma carreta, com capacidade para triturar troncos de árvores com até um metro de diâmetro e transformá-los em serragem. Ele será usado para triturar galhos, resíduos de varrição e rejeitos.
A proposta é que a usina também receba resíduos verdes do setor privado, que pagará por tonelada depositada.
A Ceasa montou um sistema de tratamento da caixaria que chega à empresa, no transporte dos produtos. Um triturador foi adquirido para separar os pregos das caixas e transformar a madeira em serragem.
O convênio com o IAC vai agregar tecnologia, porque a compostagem utilizará o método aeróbico, que exigirá que o material, depois de picado e amontoado em pilhas, seja revolvido constantemente. Segundo Paulella, isso acelera o apodrecimento. No método usado na Prefeitura, a compostagem leva de 150 a 180 dias e no IAC, levará 100 dias para humificar os resíduos, ou seja, transformá-lo em húmus, adubo.
O composto ideal tem que ter três fatores, afirmou. Primeiro, é o material verde, a galharia, que tem lignina, componente estruturante. O segundo é material orgânico, que enriquece o composto e que nesse projeto será o lodo do tratamento de água da Sanasa; o terceiro são frutas, legumes e verduras (FLV), que possuem micro-organismos responsáveis por acelerar a decomposição.
Nova Odessa transforma lodo e esgoto em fertilizantes
A primeira usina de compostagem de lodo de esgoto da RMC está em fase de testes, em Nova Odessa, e aguarda registro do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para o início da produção em escala de fertilizante a partir do lodo do esgoto. Quando estiver em plena operação, a usina terá capacidade para produzir 160 toneladas de fertilizante orgânico por mês, segundo estimativa do prefeito Benjamin Bill de Souza (PSDB). O adubo fabricado a partir do lodo de esgoto, por meio de compostagem com galhos triturados, poderá ser usado em parques, praças, jardins, áreas de reflorestamento, além de grandes culturas como eucalipto, cana-de-açúcar, milho e soja. Além disso, o aproveitamento do lodo vai proporcionar uma economia de R$ 600 mil anuais gastos atualmente com o envio do material a aterro, segundo o prefeito.
De acordo com o diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento de Nova Odessa (Coden), Ricardo Ongaro, a usina já produziu 40 toneladas de adubo em fase de teste. “Enquanto aguardamos a regulamentação da unidade e do fertilizante, estamos avaliando a composição do produto e toda parte estrutural, como máquinas e a questão logística”, explicou. “No porte de 60 mil habitantes, Nova Odessa será a primeira cidade a ter 100% do esgoto e do lodo tratado”, afirmou o responsável técnico pela operação da usina, Jonas Jacob Chiaradia.

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Maria Teresa Costa