Publicado 02/11/2019 - 15h06 - Atualizado 02/11/2019 - 15h06

Por Henrique Hein

O Dia de Finados é o momento de homenagem das famílias aos seus entes queridos

Henrique Hein/AAN

O Dia de Finados é o momento de homenagem das famílias aos seus entes queridos

O Dia de Finados em Campinas teve movimento intenso durante a manhã deste sábado nos principais cemitérios da cidade. Nem mesmo o forte calor e as enormes filas de carros impediram os fiéis de prestarem suas homenagens aos familiares e amigos falecidos. Segundo estimativa da Prefeitura, os principais cemitérios do município receberão cerca de 250 mil visitantes durante o feriado santo.
No cemitério da Saudade, a aglomeração de pessoas já era intensa antes mesmo da abertura dos portões. De acordo com agentes de mobilidade urbana da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), o fluxo de veículos na Avenida da Saudade já era intenso antes das 7h. Pelos corredores do campo santo o que se via eram diversas pessoas pela manhã rezando e levando flores aos túmulos de pessoas importantes que já se foram.
Com a ajuda do neto, a aposentada Silvana Soares de Oliveira, de 94 anos, prestou orações ao esposo que faleceu em 2014. Comovida, a idosa chorou muito e lembrou dos momentos que viveu ao lado do amor de sua vida. Ela conta que reservaria grande parte do seu dia para ver o túmulo de seu ex-marido. "Ele ainda é o meu companheiro inseparável. É o homem que eu escolhi para amar e o homem que sempre me fez feliz. Eu sei que quando chegar a minha hora, ele estará lá em cima esperando por mim", comentou.
Do lado de fora do complexo, muito gente aproveitou para comprar flores. A diarista Joana Alves dos Santos, de 49 anos, comprou um belo buque para colocar do túmulo de seu pai, que faleceu há pouco mais de um ano. "Esse é o meu primeiro ano sem ele. Até outro dia, meu pai estava do meu lado, ouvindo rádio e comemorando os gols do Guarani, que era o time de coração dele. Agora só nos resta orar e visitá-lo sempre que der" , frisou.
O dia de orações no Cemitério da Saudade contou ainda com a apresentação do Grupo Voz & Violão. O conjunto, que existe há 16 anos, tem como proposta levar a palavra de Deus por meio da música cantada nos Hospitais, como forma de contribuir para a recuperação dos pacientes. No local, os artistas entoaram cânticos religiosos e emocionaram quem passava próximo a entrada principal do complexo.
Louvores com mensagens de fé, amor e esperança foram entoados para trazer momentos de alegria e paz aos visitantes. "Este é o terceiro ano que nós estamos aqui no Dia de Finados. Sabemos que esse é um momento em que muitas pessoas comparecem aos cemitérios para rever seus entes queridos que já se foram. É um momento complicado para eles e o nosso objetivo é confortar a dor dessas pessoas e levar um pouco de paz para o coração de cada uma delas", explica Cristiane Batista, uma das integrantes do grupo.
Gramado
Nos cemitérios Flamboyant e Aléias, no Gramado, o movimento pela manhã foi calmo. Entretanto, o motorista precisou ter paciência para estacionar o carro, pois as ruas próximas aos dois cemitérios estavam tomadas de veículos. Já dentro do Parque Flamboyant, os visitantes puderam acompanhar uma mostra fotográfica que capta os sentimentos que existem dentro desse ambiente.
Chamada "Poesia do Infinito", a exposição, composta por onze painéis fotográficos impressos em tecido voil, continuará em cartaz até o dia 31 de dezembro. A produção e execução foi feita por alunos do curso de fotografia do Senac de Campinas, com o intuito de levar ao público um olhar sensível sobre a vida e a morte.
Na alameda principal do cemitério, o aposentado José Costa, de 74 anos, aproveitou a calmaria do local para refletir e visitar os túmulos da mãe, do irmão e do cunhado. Ele conta que mais cedo também esteve no Cemitério da Saudade para rezar e visitar a lápide de sua mulher. "Todo ano eu faço questão de visitar os dois cemitérios. É uma obrigação que eu tenho comigo mesmo" , explica.

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Henrique Hein