Publicado 08/11/2019 - 16h27 - Atualizado 08/11/2019 - 16h27

Por AFP


O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, fez uma advertência nesta sexta-feira (8) contra as ameaças que, segundo ele, Rússia e China representam, em um discurso em Berlim na véspera do 30º aniversário da Queda do Muro.

"Nunca podemos dar estas coisas como garantidas", disse Pompeo, ao pedir a seus aliados do Ocidente que defendam liberdades duramente conquistadas.

"As nações ocidentais livres têm a responsabilidade de impedir ameaças a nossas populações de governos como China, Rússia e Irã", afirmou Pompeo, que discursou a poucos metros de onde ficava o Muro de Berlim, no emblemático Portão de Brandeburgo.

Também considerou que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) corre "o risco de se tornar obsoleta", se os dirigentes não respeitarem seus compromissos, em particular os de financiamento.

Sobre este tema espinhoso, Pompeo celebrou a vontade do governo alemão de aumentar sua contribuição para a Aliança Atlântica, em outro discurso nesta sexta à tarde.

"Precisamos de que todo mundo trabalhe em conjunto para garantir que (a Otan) continue sendo uma força poderosa, pelo bem no mundo", declarou, acompanhado de Merkel, com quem se reuniu depois.

Os Estados Unidos e seus aliados devem "defender o que foi conquistado com tanto custo (...) em 1989 e reconhecer que estamos em uma competição de valores com as nações que não são livres", acrescentou.

Ele atacou particularmente a Rússia, dirigida por um "ex-agente da KGB", e acusou Putin de "invadir os vizinhos", em referência à Ucrânia, e de "matar os opositores políticos".

Por esse motivo, o secretário americano citou o caso do gasoduto em construção Nord Stream 2, que vai da Rússia até a Alemanha, e transforma o "abastecimento de energia na Europa em dependente dos caprichos de (presidente russo Vladimir) Putin".

A chanceler alemã, Angela Merkel, repetiu diversas vezes que o gasoduto é um negócio privado.

O secretário de Estado também criticou o regime comunista chinês, que representa uma "nova visão de autoritarismo".

Pompeo alertou contra a intenção das empresas chinesas, em particular a gigante Huawei, de construir redes 5G, a nova geração de redes de transmissão.

Além disso, fez uma analogia entre a mobilização popular no Leste, em 1989, e as manifestações atuais de "povos amantes da liberdade", especialmente em Hong Kong.

"O que esperamos do governo chinês é que cumpra seu compromisso" de respeitar a regra "um país, dois sistemas", implementada com a retrocessão de Hong Kong em 1997, completou.

Em relação aos atos antigoverno no Líbano e no Iraque, Pompeo pediu que se "apoie estas pessoas em todos os lugares que pudermos".

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