Publicado 08/11/2019 - 13h58 - Atualizado 08/11/2019 - 13h58

Por AFP


Os apoiadores de Luiz Inácio da Silva aguardavam ansiosamente sua libertação em frente à sede da Polícia Federal em Curitiba (sul), onde o ex-presidente cumpre pena de 8 anos e 10 meses de prisão por corrupção desde abril de 2018.

A defesa de Lula disse, depois de visitá-lo pela manhã, que não há motivo para adiar a libertação, depois que o Supremo Tribunal proibiu na quinta-feira a prisão de pessoas que não esgotaram todos os recursos legais disponíveis.

"Esperamos que a dra. [Carolina] Lebbos possa de imediato expedir esse alvará de soltura porque não há qualquer motivo para se aguardar qualquer outro ato. Pedimos para que haja celeridade tanto na apreciação do pedido, quanto à expedição do alvará de soltura", declarou o advogado Cristiano Zanin.

O STF determinou que as condenações não podem começar a ser executadas antes que todos os recursos legais estejam esgotados, abrindo a porta para um exame da situação de cerca de 5.000 pessoas presas após serem condenadas em segunda instância.

Os apoiadores do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio da Silva voltaram a cantar "Bom dia, presidente!" do lado de fora da prisão, na esperança de que seja a última vez que cumprem esse ritual e possam ver livre o líder detido há 19 meses.

"Esperamos que ainda durante a tarde ou início da noite o Lula saia da sala onde está sequestrado há 580 dias, caminhe no meio do povo (...) para compartilhar esse momento especial que é a conquisa de sua liberdade", declarou Roberto Baggio, coordenador do acampamento Lula Livre.

Os simpatizantes de Lula não são os únicos que o aguardam, mas também sua namorada Rosângela da Silva, uma socióloga de 40 anos de idade, conhecida como "Janja".

"Amanhã eu vou te buscar! Me espera!! #onossoamorvencera #oamornosaproxima #teamoprasempre", tuitou em sua conta @JanjaLula por volta da meia-noite de quinta-feira.

Zanin disse que Lula "está muito sereno".

"A decisão da Suprema Corte deu a ele uma esperança de que possa haver justiça. Nossa batalha legal, nosso foco, é obter a nulidade do processo", acrescentou.

Lula foi condenado a mais de oito anos por ser beneficiário de um apartamento no Guarujá, litoral de São Paulo, oferecido pela empreiteira OAS, em troca de favorecimentos em contratos com a Petrobras.

Mas o ex-sindicalista nega as acusações e se considera vítima de manipulação judicial para impedi-lo de concorrer às eleições presidenciais de 2018, nas quais Jair Bolsonaro foi eleito.

Sua posição ganhou força quando Bolsonaro nomeou o juiz Sergio Moro, emblema da Operação Lava Jato e autor da primeira condenação contra o ex-presidente (2003-2010), como ministro da Justiça.

Moro declarou nesta sexta-feira que a decisão do STF "deve ser respeitada", mas que "continuará" defendendo a prisão após uma condenação em segunda instância.

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